A madrugada era um breu sem estrelas. O silêncio na base do morro era quebrado apenas pelo coaxar distante de sapos e o zumbido de mosquitos. Em um galpão abandonado, que cheirava a óleo velho e ferrugem, a única luz vinha de um par de refletores industriais ligados a um gerador barulhento. Um caminhão baú, com a lateral desbotada exibindo um desenho de laranjas e a frase "Hortifrúti Fresquinho", parou com as luzes apagadas. As portas traseiras se abriram, e homens silenciosos começaram a descarregar caixotes pesados de madeira não marcada. Miguel, Enrique e Rebeca observavam das sombras. Dudu e Denis, convocados para a operação, ajudavam a empurrar os caixotes para dentro do galpão. A tensão era quase física. — Abre — ordenou Miguel, apontando para o primeiro caixote. Com um pé de

