Miguel se ergueu, o smartphone do miliciano em sua mão parecendo mais pesado e mais valioso que uma barra de ouro. O cheiro de pólvora ainda pairava no ar denso da Viela do Gato. Enrique já coordenava a “limpeza”, seus homens movendo-se com uma eficiência silenciosa e brutal, arrastando os corpos dos milicianos para a traseira do caminhão de lixo. Miguel caminhou até o Gol velho, a porta do motorista ainda fechada. Ele a abriu com um puxão. Lá dentro, Dudu estava encolhido, as mãos cobrindo a cabeça, tremendo incontrolavelmente. — Acabou, pivete — disse Miguel, a voz desprovida de emoção. Dudu baixou as mãos, os olhos arregalados de terror. — Chefe... eu pensei que... eu pensei que eu ia morrer... — Você fez o seu trabalho — Miguel o cortou. Ele não era homem de dar tapinhas na

