Capítulo 86

531 Words

A meia-noite chegou, fria e silenciosa. Na Viela do Gato, a escuridão era quase completa, quebrada apenas pela luz amarelada e fraca de um único poste no final do beco. O silêncio era tão profundo que zumbia nos ouvidos. Nas lajes ao redor, vultos imóveis se posicionavam, os canos dos fuzis apontados para o nada, esperando. Ao volante do Gol velho, Dudu sentia o suor escorrer por sua testa. O volante estava escorregadio em suas mãos trêmulas. No banco de trás, as duas malas de academia pareciam pesar uma tonelada. Ele era a isca. E se sentia exatamente como uma: pequeno, exposto e prestes a ser devorado. Era isso. Ia morrer ali. Ele engoliu em seco e, seguindo as ordens, entrou com o carro na viela, o som oco do motor ecoando nos muros altos. Parou no meio do beco, como instruído.

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