A palavra final de Sara - madrinha - ficou suspensa no ar do escritório, pesada e irônica. Rebeca não reagiu de imediato. Um silêncio denso se instalou, quebrado apenas pelo som distante da festa. Ela ignorou completamente a noiva de seu pai, como se a mulher fosse apenas parte da decoração. Seus olhos se fixaram em Heitor, com uma calma que era mais devastadora do que qualquer grito. — Se isso é o que você realmente quer, pai... — disse ela, a voz baixa e sem emoção. — Então eu desejo felicidades. A pergunta silenciosa por trás da frase atingiu Heitor com a força de um soco. Ele estremeceu, incapaz de sustentar o olhar da filha. Sara forçou uma risada e apertou o braço de Heitor. — Que bom que temos a sua bênção, querida. Agora, nos dê licença, meu noivo e eu precisamos circular.

