Dudu sentia o suor escorrer por suas costas, por baixo do uniforme de garçom que parecia apertado demais. A bandeja de prata em sua mão pesava uma tonelada, não pelas taças de champanhe, mas pela responsabilidade. Ele nunca havia estado em um lugar como aquele. As mulheres pareciam ter sido esculpidas em ouro, e os homens, com suas máscaras e ternos caros, o olhavam como se ele fosse um inseto. Ele se sentia um impostor, um “favelado” fingindo pertencer ao mundo dos ricos. O medo de cometer um erro, de derrubar uma taça, de envergonhar o chefe, era uma corda apertada em seu pescoço. Navegando por um grupo de socialites que riam alto, ele tentou passar por um espaço estreito entre uma pilastra e um convidado alto, de costas para ele. Ele mediu a distância, respirou fundo e avançou.

