Capítulo 2

1947 Words
Murilo Ferraz  Me despeço de meus bebês depois de deixá-los cada um em sua cama, foi uma sensação maravilhosa colocar meus dois sobrinhos para dormi. É como se eu pudesse ter esperança de estar fazendo isso com meus filhos futuramente. Nunca pensei muito em casa e ter uma família, sempre fui muito realizado com minhas conquistas na área profissional, mas agora me encontro desejando formar uma família. Apesar de tudo o que meu ex-namorado me fez, o medo que ele deixou em mim de encontrar uma pessoa que nem ele, ainda está instalado em meu ser. Por isso a esperança, de que eu possa superar todos esses meus medos e que eu consiga me entregar sem reservas a uma nova pessoa. Queria não ter esses medos, mas a culpa não é minha por tê-los, não mesmo! Aquele canalha me fez ser assim. E o odeio ainda mais pelas feridas em aberto que ele deixou. Foi tão bom chegar aqui e receber o abraço do meu irmão, e toda a sua preocupação em relação àquele maldito, mesmo eu não contando toda a verdade, ele falava como se soubesse de tudo, e sei que foi porque eu falei apenas que o i****a estava me prendendo demais, mesmo sem saber das palavras nojentas que ele disse, de toda a pressão psicológica que ele me fez, Bruno tomou minhas mais profundas dores e me acalentou com seu abraço. Por isso não vou mesmo contar nada, por mais que me doa ter que esconder algo dele pela primeira vez, mas sei que ele vai surtar quando souber. Depois de olhar uma última vez para meus amores, fecho a porta atrás de mim e desço as escadas com calma me sentindo em casa, essa pequena mansão me faz um bem danado, mas não por causa dos materiais nela, ou toda sua estrutura, e sim as pessoas que moram nela, cada cantinho tem um pedacinho deles. Assim que chego à sala, vejo meu cunhado nos braços do meu irmão e eles sorriem baixinho enquanto falam baixo sobre um assunto só deles, quando vejo estou sorrindo junto com eles. -Vocês são maravilhosos juntos. Eu vou surtar!!! - Falo animado, deixando todos os pensamentos negativos para trás. Eles me olham e gargalham da minha fala animada. -Tem razão, somos um casal f**a. - Bruno diz deixando um selinho no marido. -Ah. - Suspiro. - Vocês vão me afogar em todo esse açúcar. - Reviro meus olhos em brincadeira. Eles se levantam e os dois juntos me abraçam apertado. -Vamos encher você com todo nosso melaço. - Eles riem enquanto enchem minhas bochechas de beijos. Solto um gritinho e me desvencilho dos dois, limpando minhas bochechas com uma falsa cara de nojo. -Vocês ainda vão me m***r. -De amor!! - Eles dizem juntos e gargalhamos. -A noite foi boa, mas tenho que ir, amanhã eu e meu querido cunhado temos um passeio. - Pisco para ele que sorri animado. -Você pode dormir aqui, temos quartos sobrando Pônei. - Meu irmão diz parecendo preocupado. - E são quase onze da noite. - Diz checando seu relógio em seu pulso. -Eu vou ficar bem, sou um adulto Bruno, posso cuidar de mim! - Falo meio indignado, parece que ele não confia em mim, poxa, eu não sou uma criança. -Ei – Fernando se aproxima e aperta meu ombro esquerdo, tentando me passar calma. - Ele só está preocupado. O mundo não anda bonito, nem para os adultos. - Respiro fundo. -Eu sei, e amo que se preocupe comigo. - Falo olhando nos olhos de Bruno. - Desculpa por ficar bravo. Mas parece que para você eu sempre vou ser aquele menino que brincava com a maquiagem da mãe e caia por pisar na barra dos vestidos longos dela. - Digo baixinho, mas com um sorriso no rosto por lembrar desses momentos, onde mesmo eu Bruno não gostasse de maquiagem, ele me deixava o pintar, ele ficava h******l com minha make nada profissional, mesmo assim ele deixava, só para me ver feliz. Ele sorri para mim e me abraça, falando no meu ouvido. -Você sempre vai ser meu bebê, meu pequeno Pônei. - Deixo um fraco beliscão em suas costas. -i****a! - O tiro de perto de mim. - Te amo. -Eu também te amo. -Vou mandar mensagem para você a cada parada no trânsito que o Uber der. E assim que eu pisar dentro da minha torre, eu lhe envio uma carta dizendo que a princesa aqui está a salvo. - Ele revira os olhos. -Bom, assim vossa alteza pode ir. - Ele faz uma breve reverencia. Deixo um beijo nos dois e nos despedimos depois de Bruno olhar bem no rosto do motorista, o que o fez respirar aliviado por ser uma mulher, eles conversaram brevemente e assim eu parto rumo a minha nova casa. No rádio do carro toca uma música bem calma, e me deixo relaxar contra o banco, todo o caminho se segue apenas com o barulho do som. Assim que passo pela portaria depois de abrir com minha chave, noto que a cabine que Alberto fica está fechada e com as luzes apagada, seu horário de saída é as dez, e por isso temos a chave do portão aqui da frente também. Passo pela porta de entrada e a tranco novamente passo pelo pequeno corredor com alguns vasos de plantas e sigo para a porta do elevador, não demora muito estou dentro dele, chego ao meu andar e logo estou entrando em minha casa, sentindo ainda o cheiro de produto de limpeza. Logo ela vai estar com cheiro de lar. Tiro meus sapatos e os deixo jogados ali mesmo na porta, me jogo em meu sofá e pego meu celular no bolso da calça. Abro meu app de mensagens e envio uma para Bruno. “Cheguei bem em casa.” e logo envio uma foto dos meus pés no sofá. “Ótimo, tenha um boa noite maninho. Agora vou aproveitar meu marido.” Ele me envia a mensagem com um monte de Emojis de diabinhos. Rio alto, meu irmão não presta. Me levanto cheio de preguiça e sigo para o meu quarto, entro logo no meu banheiro e tiro minhas roupas com pressa, me atirando embaixo da água morna do chuveiro, sinto meu corpo relaxar e olho para cima, sentindo os jatos de água em meu rosto ao fechar os olhos. Isso é bom. Quando me sinto limpo, saio do banheiro com uma toalha na cintura e visto apenas um shortinho de pano mole e confortável, me jogando na cama. Hoje, estou muito feliz, que acabo dormindo sem muitas dificuldades. <3 Não demorei muito a me arrumar, vesti apenas uma jardineira jeans clarinha com uma camisa preta por baixo e um tênis branco. Penteei meus cabelos e tomei uma bela xícara de café. Não fiz maquiagem hoje, por mais que eu use apenas o básico sempre, hoje nem mesmo fiz isso. Tinha pressa, estava ansioso para ver meu espaço, onde em breve minha loja será aberta. Chamo um Uber e em uns dez minutos depois me encontro sentado nos bancos confortáveis do carro, vou olhando todas as ruas com calma, quero conhecer tudo direitinho, ver alguns cafés bom para ir de vez enquanto num passeio para o café da tarde, quem sabe tem algumas sorveterias também. Minutos depois, estou parado em frente a enorme porta do shopping, pago o moço pela corrida e sigo para dentro, avisto os bancos na entrada onde Fernando disse que estaria me esperando, não tem muitas pessoas a essa hora da manhã, que no caso são oito horas. Meus olhos rodam todo o local, e quando penso em mandar uma mensagem ao meu cunhado avisando que cheguei, avisto seus cabelos loiros e sua mão se agitando em cima da cabeça, ele sorri para mim e vou ao seu encontro, o abraço apertado. -Oi Pônei. - Ele diz bem com um sorriso. -Vai me chamar assim também? - Pergunto incrédulo. - Ele passa um de seus braços sobre meus ombros e me puxa em direção as escadas rolantes. -Seu irmão sempre fala de você lhe chamando assim, as vezes penso até que não sei seu verdadeiro nome. - Balanço a cabeça em negação, mas com um pequeno sorriso no rosto. - Juro, algumas vezes levo uns cinco minutos para lembrar seu nome. - Ele rir mais ainda. -Que belo cunhado eu tenho. -Tem mesmo viu, sou maravilhoso. - Seguimos brincando um com o outro até que chegamos no terceiro andar do grande shopping. Pego a chave do meu bolso, que o dono daqui me enviou pelo correio quando assinei o contrato. Andamos um pouco e logo estamos em frente a uma porta de vidro grande, abro os cadeados e logo as duas portas são abertas por mim, o espaço é bem grande, vai ficar tudo perfeito. -Vai ficar tudo muito lindo quando você arrumar do seu jeito, tenho certeza. - Fernando fala enquanto olha todo o espaço. Mais atrás tem uma portinha a qual abro e dou de cara com o que vai ser meu escritório, tem uma outra porta ao lado da minha, que presumo ser o espaço para os funcionários e banheiros. Olho tudo cuidadosamente, já traçando planos onde tudo vai ficar. Meu sonho logo vai tomar forma. Quando estamos saindo e tranco a porta atrás de mim, depois de passarmos quase uns quarenta minutos lá dentro, o celular de Fernando toca, ele fala uns minutos com a outra pessoa do outro lado da linha enquanto acabo de fechar tudo e paro a sua frente nos corredores que agora tem mais gente circulando. -Quem era? - Pergunto assim que a chamada se encerra. -Seu irmão, disse que não poderia mais vir com as crianças, se enrolou todo no restaurante. -Sem problemas, podemos almoçar sem eles hoje, depois marcamos para sair todos juntos num domingo. -Feito. Achamos um restaurante que Fernando diz ser um dos melhores aqui. Pedimos nossa comida e comemos com calma, enquanto conversamos besteiras. Quando estamos satisfeitos, pagamos a conta, e depois de muito Fernando insistir, eu aceito sua carona para casa. Paramos em frente ao elevador dessa vez, para irmos ao estacionamento no subsolo. -d***a! - Fernando diz um pouco alto. -O que aconteceu? -Esqueci as sacolas com as coisas que comprei para Ana e dos gêmeos, meu deus, estou com a cabeça nas nuvens. Toma. - Ele me estende a chaves do seu carro. - Me espere dentro dele, volto logo. E vai ele, como pode ser tão esquecido? Balanço a cabeça enquanto rio baixinho do meu atrapalhado cunhado. O elevador logo chega, entro no mesmo, não demora muito logo a porta dele está se abrindo, escuto meu celular tocar alto, me distraio um pouco enquanto saio de dentro do elevador, pegando meu celular em minha mochila. Mas logo sinto um impacto tão forte contra meu corpo que já fecho meus olhos esperando o meu corpo cair contra o chão duro. Antes que possa raciocinar, sinto mãos fortes agarrar minha cintura com força. Sinto a respiração rápida contra meu rosto, e posso dizer que a minha está igual à do meu salvador. Aos poucos abro meus olhos e dou de cara com um deus, só pode. Sua pele n***a, seus cabelos castanhos quase loiros, mas, minha nossa senhora, quando subo minha meus olhos até o seu, perco a respiração de vez, os olhos dele é tão lindo, parece que estou mergulhando num tanque cheio de mel, o castanho ali brilha, e imagino esses olhos contra a luz do sol, deve ser lindo de ver. -Uau. - É, acho que eu tinha que estragar tudo minha com minha pequena fala constrangedora e meu suspiro admirado.
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