Mudanças.

1044 Words
Ninguém nunca falou no quão difícil era para as pessoas que trabalhavam para auxiliar os cargos mais altos de uma empresa. Como Pen, por exemplo, ela era assistente pessoal do vice-presidente de uma empresa de alimentação famosa e gigante no mundo dos negócios. Presidente e vice-presidente eram cargos grandes, mas sempre precisavam de auxílios de cargos menores. A cinco anos Pen trabalhava na empresa, começou como secretária, e depois foi para assistente pessoal, ganhava muito bem por isso. Por isso tinha uma vida financeira estável, vivia bem e também provia uma vida confortável para sua família, da maneira que podia. Não que seus pais aceitassem o seu dinheiro, ainda assim ela não deixava de mandar todos os meses uma quantia considerável para eles. O antigo vice-presidente havia sido demitido por justa causa, era o irmão do CEO que nunca havia sido demitido por esse fato. Benício era o CEO e nunca havia demitido o irmão porque a mãe dos dois nunca permitiu tal ato, mas o último feito dele foi a gota d'água. Pen nunca gostou de trabalhar com ele, o achava imaturo e com nenhum interesse nos assuntos da empresa, na maioria das vezes ela quem dava um jeito na bagunça dele. Achou ótimo que o CEO havia demitido o irmão, mas estava apreensiva com relação ao próximo vice-presidente. Ouviu boatos na empresa de que ele era o tipo de profissional que não admitia erros e que trabalhava com a alma. Não sabia se seria párea para ele, se poderia seguir o ritmo dele no trabalho, mas se era especializada naquilo, não iria correr. Tinha determinação e coragem o suficiente para enfrentar o novo vice-presidente e dar tudo de si, não iria se preocupar tanto com isso. --- Pela sua expressão eu tenho certeza que você está pensando no trabalho, não pode estar fora do ambiente profissional nem mesmo na sua folga? --- Estou pensando no vice-presidente, as pessoas dizem que ele é difícil de lidar, minha mente não suporta mais tanta dificuldade, depois de lidar tanto tempo com os problemas de Theodore, acho que não posso mais fazer isso. --- Não se esquece que também corre os boatos de que ele é extremamente profissional e leva o trabalho muito a sério Pen, não sofra com antecedência. --- Tá, desculpe por estar estragando nosso dia com pensamentos idiotas. --- Te desculpo somente se você parar de pensar e falar em trabalho. Pen levantou suas mãos em sinal de rendição e andou com Brianna pelas lojas do shopping, apenas nas mais caras que ela via pela frente. Era engraçado como ela não se importava nem um pouco em gastar todo o dinheiro do marido. Algumas mulheres tinham espírito independente e não aceitavam depender do parceiro para nada, mas Brianna mais uma vez, era diferente. Talvez tenha sido o fato de ela ser diferente que a fez ser amiga de Pen, a sua insistência, o modo totalmente diferente de ser e agir. Como já estavam ali, Pen aproveitou para comprar algumas peças de roupas para o trabalho, tinha que admitir que Brianna estava certa, nem na sua folga fugia do trabalho. Queria voltar da sua folga com roupas novas, talvez um visual novo, ainda não tinha decidido, mudar a cor do cabelo, o corte, eram algumas opções. Brianna estava sempre insistindo que ela deveria mudar um pouco a cor do cabelo, já que o tamanho não estava em negociação. O cabelo de Pen ia até a cintura, volumoso e quando não fazia escova, ondulados, Brianna sempre dizia que era o estilo Moana. E como a própria Pen gostava do desenho animado, não via problemas em deixar seu cabelo exatamente como estava, só iria mudar a cor. Sem perder tempo Brianna a arrastou para um salão de beleza, já estavam ali iriam aproveitar para fazer tudo que podiam e resolver tudo que tinham para resolver. Mesmo odiando ter saído cedo da cama Pen tinha que admitir que estava precisando de uma saída como aquela, afinal, fazia tempos que não tinha um lazer com sua amiga. Relaxada na cadeira recebendo uma massagem nos pés enquanto estava de olhos fechados, ouviu seu celular tocar. Seu pai estava ligando mais uma vez, não poderia contar quantas vezes na semana ele ligava, eram tantas que perdia as contas sempre. Recusou mais uma vez, como todas as outras, Brianna soube que era ele, suspirou, a relação da amiga com a família era realmente muito r**m. --- Vai continuar nessa? --- O que quer que eu faça Brianna? Não há como voltar no passado mudar o que aconteceu e viver alegremente com esse fato. --- Para com isso amiga, ele está bem, continua vivendo mesmo depois do que aconteceu e ele não odeia você por isso, porque você se culpa desse modo? --- Ele perdeu a oportunidade de fazer o que tanto sonhava simplesmente porque eu causei esse dano, como acha que eu devo me sentir? Mais uma vez Brianna se rendeu, sempre que conversavam sobre aquele assunto, Pen não deixava brechas para discussão, nunca. Estava desistindo de colocar na cabeça dela que ninguém tinha culpa do que aconteceu e que aquilo foi somente escolha dele. Entendia o que a amiga sentia, mas não queria que ela passasse a vida toda distante da família por um problema que ela mesma havia inventado. De toda forma, tudo que poderia fazer era somente continuar ao lado dela e seguir aconselhando até onde podia. Os pensamentos de Pen mais uma vez foram levados aquele maldito dia, sempre se lembrava nitidamente o que aconteceu sem nenhum esforço. Só queria poder esquecer e seguir a sua vida como se nada tivesse acontecido, mas havia uma pessoa que tinha sido afetada, não podia viver bem quando essa pessoa não vivia bem. Ao contrário do que ela pensava, até a pessoa que havia sido afetada vivia bem, mas Pen nunca quis dar ouvidos a isso, se recusava a acreditar que ele vivia bem depois de tudo. Saíram dali à noite, seguiram para a casa de Pen, Brianna dormiria lá, não tinha energia para ir dormir em casa naquela hora da noite. Como Benício estaria na empresa, ele não se importaria se ela dormisse com a amiga, na verdade, gostava disso já que assim ela não ficaria sozinha em casa.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD