Juliano
Ele pergunta sobre o veneno não detectado pelo hospital e vejo que ela faz uma pausa dramática.
- Não posso te falar, isso prejudicaria outras pessoas. – Ela fala e em seguida solta outro grito.
Ele deve estar pegando mais pesado com os fiapos de madeira.
- Eu não quero saber quem vai prejudicar. Você não sai daqui hoje sem me falar tudo. Você não está entendendo a gravidade da situação... Você quase matou a Talita.
- Quase? Como assim? Essa desgraç4da ainda está viva? – Ela fala indignada, devia ter certeza de que ela não resistiria. Pela quantidade de veneno que ela colocou.
- Sim, muito viva e melhor do que nunca. O maridão dela foi rápido ao socorrer e eu te garanto que ele está com muito, mas muito 0dio de você nesse momento. Então eu te aconselho a começar a falar logo, sem mais delongas.
Fica um silêncio terrível que logo é cortado por um grito estridente dela, cada vez mais desesperador.
- Eu falo, eu falo. Para, pelo amor de Deus. Foi o meu irmão. Ele trabalha naquele hospital como enfermeiro, quando separaram a caneca para análise, ele lavou e trocou o conteúdo por água limpa. Mas, ele não tem culpa de nada. Ele não participou do meu plano, ele somente me ajudou em um momento de desespero. – Ela fala aos prantos.
- O seu momento de desespero m*l começou, minha querida. Você nem é tão boa, tem muito o que aprender ainda... – Sávio continua a provocando e eu posso ouvir os soluços do seu choro incansável. Não consigo sentir dó, apenas raiva.
Ele ainda pega todas as informações sobre o irmão dela e a libera, mas o acordo foi que ela confessasse tudo para a polícia, omitindo as t0rturas que sofreu. Ela tentou livrar a cara do seu irmão, mas o Sávio não permitiu. Acho que pela primeira vez concordei com esse 4nimal, na minha vida.
Ele volta ao hospital, ansioso para me contar o que aconteceu.
- Eu ouvi tudo em tempo real, afinal, sei bem da sua fama em fazer cortes nos grampos e só colocar a parte que te interessa. – Falo sem demonstrar emoção.
- Poxa, juju. Assim você me magoa, achei que seríamos uma dupla imbatível daqui para frente. Mas, como você pode comprovar, não tive nada a ver com o ocorrido. Quero a Talitinha tão bem quanto você quer. – Ele fala e eu sinto vontade de quebrar a sua cabeça contra a parede.
- Sávio, eu não vou repetir. Não toca no nome da minha mulher, muitos menos no diminuitivo. Você pode não ser o culpado por tudo, mas a sua parcela de culpa é inegável. Se você não tivesse interferido, isso não estaria acontecendo. – Falo com raiva.
- Claro que estaria. Poderia ser ainda pior. Você se esqueceu do que a nossa babá falou? Ofelinha queria você, não eu. Como sempre, né. Deve ser a barba, depois me indica o seu barbeiro. Então, ela queria você, meu amigo. Eu apareci depois, tirei uma casquinha, mas o principal sempre foi você. A culpa disso deve ser de você ser um grande gostoso. – Ele fala e eu confesso que seguro a risada, ele sempre foi mestre em falar besteiras, pena que o poder subiu a sua cabeça e ele se deixou levar pela ambição.
- Mas essa sua “pequena” interferência que fez a Ofélia envenenar a minha esposa. Não se esqueça disso.
- É, pode ser. Talvez eu tenha sido crucial para antecipar as coisas, mas que ela ia tentar algo em algum momento, isso é fato. Você precisa ir até a delegacia para dar o seu depoimento, o irmão dela já foi demitido e já está lá. Posso ficar aqui com a Talita enquanto você vai. – Ele fala com a maior naturalidade do mundo.
- Aí você acordou. Você vai me acompanhar e não sairá da minha vista nem por um segundo. Os seguranças ficarão do lado de fora do quarto. – Falo e ele bufa, mas me acompanha.
Fazemos todos os procedimentos e não perco a oportunidade de olhar bem na cara daquela nojent4 e falar umas verdades.
- O seu plano jamais daria certo, Ofélia. Sabe por quê? Porque eu jamais me envolveria com uma mulher baixa que nem você, sem princípios, sem amor-próprio. Você nunca mais ouse se comparar com a minha esposa, tanto fisicamente, como racionalmente. A Talita é uma mulher incrível. Ela é linda por natureza, por dentro e por fora. Já você... Não tem nenhum tipo de beleza. Nem física, nem emocional, nem intelectual. Espero que você mofe na cadeia e nunca mais venha atrás da minha família, porque o que o Sávio fez, foi carinho perto do que eu pretendo fazer, se você retornar. – Falo com ódi0 e ela arregala os olhos. Vejo que os seus dedos estão com sangue pisado debaixo das unhas e o seu irmão chora sem parar falando que ela acabou com a vida dele.
- Ahhh, só para constar. O seu marido fugiu, você achava que era a única que tinha um amante, mas ele também tinha. Acho que ninguém virá trazer jumbo para você. – Falo e vejo as lágrimas escorrendo no seu rosto, mas sem qualquer esboço de arrependimento. São lágrimas de ir4.
- Isso não vai ficar assim, vocês ainda vão me pagar caro. – A ouço falando enquanto saio da sala.
- Para onde vamos agora? – Sávio me pergunta, ele consegue ser irritante em qualquer situação.
- Você, eu não sei. Eu vou ficar com a minha mulher. – Lanço um olhar mortal para ele.
Saio da delegacia e vou para o hospital. Pego nas mãos da Talita e encosto minha cabeça no seu peito, ouvindo as batidas do seu coração. Esse som é o que me deixa em pé, é o que me deixa vivo. Faço uma chamada de vídeo com os pequenos, que perguntam de nós a todo momento. Invento que estamos viajando a trabalho e dou autorização para a babá voltar para a nossa casa. Sinto que agora estamos livre de perigos, pelo menos por enquanto...