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1072 Words
Talita Eu sinto uma felicidade imensa, tão grande. Vejo o mar e sinto a brisa. A areia é geladinha e confortável para os meus pés enquanto eu ando. O dia está lindo e o sol raia no céu, alguns cachorrinhos brincam na água e são assistidos por gatinhos em cima das dunas. Que lugar incrível, eu não quero mais sair daqui. Ouço uma voz familiar e quando me viro para o lado, vejo o meu avô. - Vovô, o que o senhor está fazendo aqui? – O abraço forte e sinto o cheiro do seu perfume amadeirado. Aquele abraço era tudo o que eu precisava nesse momento. Lembro dos bons momentos que tivemos, até que ele se foi. Ele se foi dormindo, antes de eu começar a faculdade. Sempre fui a sua princesa e sempre tive suas características físicas e de personalidade. - Talita, minha filha. Eu estou bem. Você não pode ficar aqui, querida. – Ele me diz com um sorriso singelo. - Por que não, vovô? Aqui é tão bom, tem tanta paz... - Aqui ainda não é lugar para você. Sua família precisa de você. – Me dou conta do que está acontecendo, mas ainda acho que é um sonho. - Você viu seus netos, vovô? Eu queria tanto que os tivesse conhecido. A Catarina é a nossa cara. – Falo com um sorriso e ele retribui. - Sim, minha filha. Tenho muito orgulho de você e sei que será capaz de passar por tudo isso de cabeça erguida. Sabe, minha filha, às vezes aquele que grita, é nervoso e fala grosso, demonstra sua verdadeira face. Mas, aquele que fala manso, sorri e abraça, é o verdadeiro lobo. Agora você precisa ir, minha neta. – Ele fala e eu choro de emoção, nos abraçamos e ele me guia para um caminho estreito, que eu tenho um pouco de dificuldade de passar. Os galhos enroscam nos meus braços e eu sinto um pequeno desconforto na minha barriga. Conforme vou andando, o cenário fica mais escuro e quando olho para trás, meu avô não está mais lá. Tudo fica escuro e eu começo a ouvir uma voz, ao fundo... - Talita, ela está se mexendo. Acho que está acordando. Talita, meu amor. Acorda, meu amor. – Abro os olhos lentamente e vejo o Juliano, aos prantos. Não consigo entender muito bem o que está acontecendo. - Ág.. Ág.. – Não consigo falar, parece que a minha voz não sai. -Não se esforça, amor. Sua garganta está seca, vou te dar água. – Ele corre e pega um copo de água, enquanto a enfermeira confere os meus sinais vitais. Sinto um desconforto no estômago e vejo que tem um curativo na minha barriga. Não me lembro muito bem de tudo, parece que eu dormi por muito tempo. - O que aconteceu? – Falo quase como sussurro. - Amor, você entrou em coma. Você não estava bem em casa, eu pedi para a babá fazer um chá. Quando você começou a tomar o chá, passou m*l e eu corri para o hospital. Ela colocou veneno no seu chá, você passou por uma cirurgia e uma lavagem do intestino. – Ele fala ainda sem controlar as lágrimas e sem soltar a minha mão. - Quanto tempo eu fiquei em coma? E os meus filhos? – Começo a me desesperar. - Calma, amor. Não precisa se preocupar, eles estão bem. Você ficou 3 semanas em coma. Eu estava resolvendo tudo para você nesse tempo. Fica tranquila. Os pequenos estão bem, está tudo sob controle. Remanejei suas audiências e substabeleci alguns processos. – Ele fala fazendo carinho no meu rosto, mas não consigo ser tão receptiva, pois me lembro de que não estamos mais juntos. Olho para o quarto e ele está cheio de flores, de ursinhos de pelúcias e caixas de chocolate. Até que olho para o outro lado e vejo quem eu jamais imaginaria ver. O Sávio. Começo a tremer e entro em desespero. - O QUE ELE ESTÁ FAZENDO AQUI, JULIANO? – Falo reunindo todo ar que existe em meus pulmões. - Amor, eu vou te explicar tudo. Mas, ele não foi o mandante do envenenamento. Ele estava sim de conluio com a Ofélia, mas não foi ele que arquitetou tudo. Eu já resolvi isso. Ele é sim um lixo, mas eu o permiti vir te ver, esporadicamente, porque ele me ajudou a solucionar isso. Ele queria separar nós dois, mas não queria que você morresse. O plano idi0ta dele saiu do controle. Eu só permiti que ele viesse te ver todos os dias, com a minha supervisão e porque ele foi crucial no desenrolar do seu caso de tentativa de homicídio, mas se você quiser, eu chuto agora mesmo ele daqui. – Ele fala do Sávio, na presença do Sávio, sem se importar com nada. Pelo visto o Juliano ainda nutre antipatia por ele. - Talita, eu sei que palavras não irão desfazer todo o m*l que eu causei, mesmo não tendo sido intencionalmente, mas eu quero que você saiba que eu jamais te faria m*l. Jamais. Eu te amo, sempre te amei. – Ele fala e eu não entendo mais nada, mas vejo o maxilar do Juliano travar e ele tenta ir na direção do Sávio, se eu bem conheço, para esmurrar sua cara. Mas, eu o seguro pela mão e ele se mantém ao meu lado. - EU JÁ TE AVISEI SOBRE FICAR FALANDO DA MINHA MULHER. NUNCA MAIS FALE ISSO. SE VOCÊ AMA OU DEIXA DE AMAR, ISSO É UM PROBLEMA SEU. Aliás, estamos em um momento em família. Recolha sua insignificância e vá embora. Agora não é o momento para essa conversa. Mas, uma coisa eu te garanto, Sávio. Você não ficará perto dela, sem a minha presença. Tudo o que você tiver que tratar com a Talita, eu estarei junto. – Juliano fala firme e eu fico sem reação. O Sávio se levanta e sai da sala, posso notar que ele está chorando. - Eu não estou entendendo mais nada. Ele me ama? Que palhaçada é essa? Ele mandou me matarem e agora vem falar que me ama? Ele falou que me ama na sua frente. O que está acontecendo? Algo me diz que você já sabia disso. – Falo e sou interrompida pelo médico entrando e falando que precisamos fazer alguns exames. Na volta eu quero entender tudo o que aconteceu enquanto eu estava em coma.
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