Juliano
Sávio se afasta e passa as mãos sobre os cabelos, não deixo ele se aproximar de onde a Talita está. O segurança tenta entrar na sala, mas eu faço um sinal para ele se afastar, afirmando que eu consigo lidar sozinho com essa situação, no mínimo, desastrosa.
-Eu não tive nada a ver com o envenenamento da Talita, você sabe mais do que ninguém que eu gosto dela e não é de hoje, mas você como sempre tomou a frente e impediu qualquer aproximação minha. Desde aquele dia na palestra da faculdade, você percebeu o meu interesse nela e fingiu não ligar, mas após isso fez de tudo para ela se afastar de mim. – Ele fala e eu não posso acreditar em uma palavra sequer, acho muito difícil alguma atitude do Sávio ser embasada em sentimentos, logo ele que é um interesseiro invejoso de carteira assinada.
- A casa caiu para você. Eu descobri o seu envolvimento com a Ofélia, eu sei muito bem que ela estava te dando informações sobre o que acontecia dentro da minha casa. Você não tem vergonha disso não? Sua vida é baseada em mentiras. Você muda tudo ao seu favor. Primeiro tentou tirar o meu filho de mim e agora, a minha mulher? Você é patético. – Falo aos berros.
- EU NÃO MANDEI ENVENENAR A TALITA. EU PODERIA MUITO BEM ADMITIR SE TIVESSE FEITO ISSO, IRIA TRIPUDIAR SOBRE A SUA DOR E AINDA SAIRIA VITORIOSO, MAS EU NUNCA QUIS QUE NADA DE r**m ACONTECESSE COM ELA. Você sim fez isso no rosto dela, eu vi, eu sei que foi você. Eu só queria que a Talita visse o lunático que você é, te deixasse e me permitisse entrar na sua vida. – Ele fala e começa a chorar, coisa que eu jamais tinha visto antes, ainda mais visto de um ser humano sem escrúpulos como ele.
- Eu não agredi a Talita, foi um acidente. Eu faria isso com você, com a sua família, com qualquer um. Mas, com a minha mulher nunca. Eu não me convenço que o que você me diz é verdade. VOCÊ ESTÁ POR TRÁS DA BABÁ, VOCÊ ESTÁ POR TRÁS DAS M3RDAS QUE TEM COLOCADO NA CABEÇA DELA, tudo isso porque quer a MINHA mulher como sua. Mas, ela nunca será. NEM por cima do meu cadáver. – Falo perdendo a minha paciência.
- Eu não neg0. Eu quero a Talita. É óbvio, não é de hoje. Mas, não fui eu que mandei envenenar. Eu confesso que pagava para a Ofélia ficar de olho em vocês, até porque eu sei muito bem que você não hesitaria em me prejudicar um dia e eu tenho rab0 preso, você sabe disso. Então eu fiquei sabendo da situação do marido dela, ela se casou com ele quando tinha 14 anos de idade e ele sempre a obrigou a trabalhar para sustentar a casa. Além de espancá-la. Mas, ela tinha medo de sair dessa relação. Me aproveitei disso e ofereci cinco mil reais por mês, mas somente para ela ficar de olho em vocês. Nunca falei para atentar contra a vida da mulher que eu amo. – Quando ele fala essa última frase, eu não controlo e esbofeteio o seu rosto. O canto direito da sua boca começa a sangrar.
- Seu desgr4çado, não abra a boca para falar da minha mulher. Se ela está nessa situação hoje, é sua culpa. Você causou isso. A ideia de envenenar a Talita então partiu única e exclusivamente da Ofélia. Vamos fingir que eu acredito nisso. A troco do que ela mat4ria a minha mulher e ainda perderia o dinheiro que ganhava mensalmente de você? – Pergunto e vejo que ele também busca respostas.
- Eu tive um certo envolvimento com ela. Ela ainda é uma mulher jovem e bonita, ela se mostrou disponível e acabamos trans4ndo algumas vezes. Foi uma coisa carnal, não sei se ela ficou com ciúmes quando eu disse que era apaixonado pela Talita e quis matá-la achando que ia ficar comigo. – Ele fala e eu solto uma risada irônica.
- Ela deve ser muito id1ota mesmo para se envolver com um lixo igual a você. Você fez essa m3rda toda, então você arrume. Se a sua intenção era me incriminar, eu lamento que foi frustrada. Eu entendo muito bem desse jogo, como você sabe, então eu me preparei para rebater toda e qualquer acusação vinda de você. – Falo e ele não demonstra reação.
- A vida da Talita é muito mais importante para mim do que te ver no limbo, apesar de eu adorar a ideia de te ver sofrer, pode ter certeza de que eu estou sofrendo muito mais a vendo nessa situação. Eu vou atrás da Ofélia, irei levá-la para o quartinho e vou descobrir tudo. Se você quiser me acompanhar... – Ele fala.
- Eu não sou 1diota, Sávio. Você acha que eu me colocaria no papel que você quer nesse momento? Não mesmo. Eu não confio em você e jamais vou confiar. – Cuspo as palavras na cara dele.
- Eu vou provar que não tenho nada a ver isso. Não que a sua opinião me importe em algo, mas eu devo isso a Talita. Manda um segurança seu junto comigo, grampeado. Para você ter certeza de que eu não estou mentindo. Eu sou um ótimo mentiroso, você sabe disso, mas quando eu digo que estou falando a verdade, é porque eu estou. Não precisaria te provar nada, mas é o meu nome que está em jogo. – Ele fala e eu até concordo, porque quero saber até onde ele vai com isso.
- Ele está te esperando na porta do hospital. Vai te acompanhar até o quartinho. Mas, não se esqueça. Independentemente do que você me falar, ou até mesmo me provar. Você mexeu com a minha família. Você expos minha mulher e meus filhos por causa de uma ilusão sua. Mesmo que não tenha mandado matar a minha mulher, você nunca mais vai mexer no que é meu. – Ameaço e abro a porta para ele sair.
Eu não acredito que isso está acontecendo. Mesmo se ele não tiver mandado matar a Talita, ele que a colocou nessa situação de risco. Isso não ficará assim. Só torço para ela ter forças e sair dessa situação.