Talita
Chego na minha casa e já o vejo sentado no sofá tomando whisky, ele está com aquele olhar de 0dio para mim. Será que ele me observa 24h por dia? Tenho certeza de que ele já sabe que o Sávio veio falar comigo, e como sempre, vai tentar reverter a situação.
Dito e feito, ele insinua diversas coisas e quando cito o Treva, ele não se surpreende e não tenta negar, ele só fica falando que eu acredito no que os outros dizem. Meus filhos não estão em casa e já era para estarem. O guarda-roupas dele está vazio. Será que ele planeja sumir com os meus filhos? Entro em completo desespero. Pego uma mala e começo a colocar as minhas coisas, vou achar meus filhos e vou embora.
Ele continua falando que eu devo estar dormindo o Sávio e eu entro no seu jogo e falo que vou dormir com quem eu quiser. Ele pega a minha mala e joga longe, voam estilhaços de vidro para todos os lados. Pela primeira vez, estou temendo pela minha vida.
- Seu doente, você não pode me impedir de ir embora. EU NÃO SOU SUA. NÃO MAIS. – Falo aos berros e vou para cima dele, batendo no seu ombro e ele m*l sente.
- Isso é o que nós vamos ver. – Ele fala e eu corro para a sala, ainda descalça, pego a chave do meu carro e quando vou sair da casa, ele se coloca na minha frente com um olhar de raiva e me impede.
Eu esperneio e tento me livrar dele, mas sem sucesso. Ele é muito grande e muito forte. Ele joga a chave do meu carro pela janela.
- O que você está fazendo? Você não pode me obrigar a ficar aqui. Cadê os meus filhos? – Eu falo com a voz trêmula e a respiração descompensada.
Ele chega no quarto de hóspedes e me joga na cama com brutalidade. Eu bato na cabeça na parede e ele não se importa.
- Você vai ficar aqui, o tempo que eu quiser. Você acha que pode me fazer de otári0 e sair dessa maneira? Você não vai levar meus filhos, você não vai levar nada, até porque você não vai a lugar algum. Até eu resolver tudo, você ficará debaixo dos meus olhos. Me dá o seu celular. – Ele fala com uma calma avassaladora e eu entro em pânico.
- Não, você não vai me manter aqui. – m*l termino de falar e ele avança sobre mim e tira o meu celular do meu bolso com brutalidade. Tento reagir, mas ele me empurra e eu caio da cama, batendo o rosto na mesa de cabeceira. Sinto uma dor imensa e parece que ele não viu que isso aconteceu, pois o foco dele está no celular. Ele sai e tranca a porta.
Sinto o sangue escorrer pelo meu rosto e pingar na minha camisa. Tento abrir a porta sem sucesso, ouço barulho de coisas sendo quebradas e um barulho que parecem socos na parede. Eu sinto medo, muito medo.
Ele não chegou a me agredir diretamente, mas não se atentou a nada que aconteceu comigo. Ele m*l se importou quando eu rolei da cama para o chão, ele não viu que me machucou. Eu jamais pensei que isso poderia ocorrer. Fico ali sentada no chão do quarto chorando, pensando nos meus filhos.
Eu não sei o que será de mim daqui para frente. Vou no banheiro do quarto e vejo que meu rosto está completamente inchado e, por um milagre eu não fiquei cega, porque a quina pegou bem na minha sobrancelha. O sangue não para de escorrer e eu vejo as marcas no meu corpo de quando ele me segurou com força. Nunca pensei que passaria por uma situação dessas, eu nunca me coloquei em um papel de vítima e hoje estou aqui, sendo a vítima de um relacionamento tóx1co que eu poderia ter saído desde o começo. E o pior de tudo, não sei sobre os meus filhos.
Vários pensamentos atordoam a minha cabeça, penso que tudo isso é culpa minha e eu não deveria viver. Eu não sinto mais vontade de viver. Do que adianta tudo isso? Todo esse dinheiro, toda essa beleza, se não temos paz?
Choro copiosamente e vejo que está de noite. Parece que o Juliano não está em casa. Tento abrir a porta com um grampo, mas não consigo. São fechaduras modernas e não abrem por nada, tento arrombar a porta, mas também é impossível e eu acabo me machucando ainda mais. Meu braço está cheio de hematomas e eu sinto uma dor intensa no ombro esquerdo. Não sei o que pode ter acontecido.
Até que ouço barulho na porta e vejo que está sendo aberta. Me encolho no canto do quarto e abaixo meu rosto, encostando nos meus joelhos. Sinto muito medo.
- Talita, você precisa comer. – Ouço a voz do Juliano e não respondo. Vejo que ele coloca um prato em cima da mesinha ao lado da cama e uma mala em cima da cama. Mas o quarto está escuro e ele não consegue me ver claramente. Mas, quando ele vai sair do quarto, vejo que olha para o chão e fica paralisado.
- QUE SANGUE É ESSE NO CHÃO? – Ele fala com voz de desespero e acende a luz, vindo na minha direção.
Eu não levanto a cabeça e ele me força a levantar. Vejo seus olhos mudarem ao olhar para o meu rosto, sua expressão de impiedade, vira expressão de desespero.
- TALITA, O QUE FOI ISSO? O QUE ACONTECEU? VOCÊ SE BATEU? – Ele me pergunta aos berros olhando os ferimentos.
- SEU CR3TINO, VOCÊ FEZ ISSO!!! Você me jogou na quina da mesa e achou que aconteceria o que? Fica longe de mim. Não encosta em mim. – Falo e ele pega meu braço para me fazer levantar do chão, estou com uma camisa branca (agora já inteira manchada de sangue) de mangas compridas, porém ele pega bem no braço machucado e meu ombro faz um barulho horrível e eu só consigo gritar. Ele não pega com força, mas o movimento me faz ouvir um estalo e eu me sinto perdendo os sentidos, de tanta dor... Só consigo ouvir sua voz no fundo.
- Talita, amor, por favor... Meu Deus, eu não vi isso. Eu não vi que você estava machucada. Talit...