Juliano
Converso com a Talita e ela entende meu lado da história, porém não aceita reatar nosso casamento. Dessa vez é definitivo, acabou. A tortura será maior ainda, porque durante um tempo eu terei que dividir a mesma casa que ela e fingir ainda ser o seu marido.
Eu vou ter que superar isso, só estou fazendo m*l para as pessoas que eu amo. Ela traçou um plano ridículo de se aproximar do Sávio, por mim não aconteceria. Mas, não estou em posição de cobrar nada nesse momento. Passo o meu dia normalmente, mas com um aperto no coração em saber que, provavelmente, ela irá se encontrar com aquele homem depois do expediente. A sensação de estar com as mãos atadas é terrível.
Resolvo falar com o meu contato para descobrir tudo o que foi armado. Ligo para ele e ele me explica que ninguém sabia do conchavo do Sávio com o Treva, mas os alerto, pois sinto que eles não vão parar por aí.
Volto para casa depois do trabalho, deixei minhas coisas no carro, pois achei que iria para o meu apartamento. Mas, graças ao magnífico plano da Talita, voltarei para casa. Quando chego vejo que uma das babás já está dando o jantar para as crianças.
- Boa noite, Ofélia. A Talita não chegou? – Resolvo testá-la. Ela faz uma cara de susto quando eu pergunto da Talita, como se ela pensasse que ela não voltaria.
- Boa noite, Dr. Juliano. Err, não chegou. Ela vem? – Ela me pergunta.
- Claro, ué... Aqui é a casa dela, esqueceu?
- Ah, sim. Me desculpe, ando meio avoada esses dias por conta dos problemas em casa. – Ela começa a falar eu decido explorar mais da situação.
- O que está acontecendo na sua casa? – Pergunto.
- Meu marido está com c4ncer e passando pelo tratamento. Os remédios são caros e ele passa muito m*l. – Ela fala e isso me acende um alerta, em um momento de fragilidade destes, seria perfeito receber um dinheiro a mais. Isso que o Sávio deve ter feito.
- Entendi... Posso te ajudar com os medicamentos, me manda por e-mail todos os remédios que ele precisa e a minha secretária irá comprar. Te entrego amanhã. – Penso que primeiro vou tentar pelo amor e, se não funcionar, será pelo método antigo.
- Oh, Dr. Não sei como agradecer. Eu nem mereço tanto. – Ela diz envergonhada.
- Merece sim. Cuida bem dos meus filhos, então merece. Eles são a minha vida, e a Talita também. Você deve saber o que acontece com quem mexe com a minha família. Então, nada mais justo cuidar bem daqueles que zelam pelo nosso bem-estar. – Falo e vejo uma expressão de pânico se formar em seu rosto.
Não me sinto mais confiante em deixá-la sozinha com os meus filhos.
- Aliás, Ofélia. Contratei uma outra babá para te auxiliar. Como são duas crianças, decidi que é o melhor. Essa outra é enfermeira, caso haja alguma situação que necessite. Me preocupei, pois o filho de um colega teve um engasgo que foi terrível. Sei que você domina as manobras e poderá salvá-los caso ocorra algo, mas como são dois, achei pertinente. Amanhã mesmo ela começará. – Explico, afinal a Ofélia é a babá do turno da noite. Ela entra as 18h e sai às 6 da manhã. Eu pago muito acima da média, além de todos os benefícios, então são muitas candidatas para a vaga.
- Eu consigo cuidar bem dos dois pequenos sozinha, Dr. Juliano, mas se o senhor faz questão, amanhã a recepciono e explico a rotina da casa. – Ela diz contrariada.
- Certo, amanhã ela estará aqui.
Essa mulher não me inspira confiança, tomo um banho e fico esperando a Talita chegar. São 21h da noite e nada dela. Não consigo ligar para o seu celular, porque ainda estou bloqueado.
Até que a porta abre e ela entra.
- As crianças já foram dormir? – Ela pergunta indo em direção ao nosso quarto.
- Foram faz algum tempo, você demorou para chegar. O que aconteceu? – Pergunto a seguindo para o quarto. Estou com uma calça de moletom cinza e sem camiseta.
- Eu fui jantar com o Sávio, e por enquanto, ele não desconfia de nada. Porém, não me deu maiores informações. Ele age como se não estivesse por dentro de tudo o que está acontecendo, mas ele sabe muito bem. Preciso fazer com que ele confie em mim, mas acho que isso vai demorar um pouco. – Ela explica, pega sua roupa e entra no banheiro.
Depois de alguns minutos, ela sai do banheiro com um baby doll preto e os cabelos molhados.
- Vamos ter que dormir juntos, tirei o colchão do chão porque a Ofélia poderia desconfiar de algo. Hoje eu conversei brevemente com ela, sem dar indícios que sei de alguma coisa e ela me pareceu bem suspeita. Resolvi contratar outra babá para acompanhar o trabalho dela, porque ela não inspira confiança e tenho medo de deixá-la sozinha com as crianças. – Explico e ela ouve atentamente.
- Mas o que ela falou? Deu algum indício que está envolvida em tudo isso? – Ela fala sentando-se na cama e penteando o cabelo, ainda molhado.
- Ela comentou que o marido está com c4ncer e debilitado, isso já deu um indício que precisa de dinheiro. Foi o meu primeiro alerta, após isso, ofereci os remédios como forma de ajuda e ela aceitou. Porém, na nossa conversa, notei que ela estava com medo de algo. Ainda, quando falei da nossa babá, ela ficou contrariada. – Explico.
- Você pode estar certo, mas isso não é o suficiente. Eu concordo em mais uma babá, pela segurança dos pequenos. Mas, ela também pode estar aflita com a possibilidade de perder o emprego.
- Ah, ela também me questionou se você viria. Como se soubesse de alguma coisa, como se não fosse o previsto você voltar. – Falo e um alerta se acende na Talita.
- Isso sim. Isso sim demonstra que ela está envolvida, porque o Sávio veio com uma proposta de eu morar em um apartamento que é dele, para não “correr riscos” perto de você. Eu, obviamente neguei, mas ele insistiu bastante. Estava com as chaves em mãos e queria que eu fosse direto de onde estávamos. Ele tenta bater na tecla que você é um risco para mim, ainda mais depois que viu o machucado no rosto. Disse que eu caí na escada e ele deixou claro que não acredita nisso.
- FILHO DE UMA PUT4. – Não aguento e falo mais alto, vejo que a Talita se encolhe, se assusta.
- Não vou te fazer m*l nunca. O que aconteceu ontem foi porque eu não soube o que fazer, sei que agi errado, mas jamais te encostaria para te machucar. Foi um acidente. Eu sei que foi minha culpa, mas não foi intencional. – Falo e ela concorda.
- Eu sei, mas isso, por outro lado, é até bom. Prova para o Sávio que nosso relacionamento não está bom e que ele tem “chances” de me persuadir. – Ela fala e eu sinto meu coração sangrar com essas palavras.