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1047 Words
Talita Assim que o Juliano sai do escritório eu mando uma mensagem para o Sávio, falando que me resolvi com o Juliano, mas ainda estou desconfiada e um pouco assustada. Como eu imaginava, ele pediu para me encontrar, queria vir nesse momento no escritório, mas eu falo que não posso, pois tenho audiências hoje, o que não é mentira. Então ele sugere jantarmos juntos na sua casa e eu indico um restaurante, ele acaba aceitando. Nem m0rta eu iria para a casa desse homem, ainda mais depois de saber de tudo o que ele é capaz. Isso seria dar armas para o inimigo. O dia passa normalmente e eu me arrumo para esse jantar, chego no restaurante e o vejo sentado, me esperando. Assim que me vê ele sorri e se levanta. - Boa noite, você está deslumbrante como sempre. – Ele diz e me dá um abraço, seu perfume é muito bom, mas a pessoa que o usa me dá náuseas. - Boa noite, obrigada. Pedimos um vinho para acompanhar as entradas, que foram bruschettas. Eu nem me lembrava da última vez que fiz uma refeição, com todo esse turbilhão de acontecimentos, eu tenho esquecido até mesmo de me alimentar. - Ele que fez isso no seu rosto? – Ele me pergunta com os punhos fechados, demonstrando r4iva. - Não, não foi. Na hora da raiva, eu fiz minhas malas e não consegui me equilibrar na escada. Acabei caindo e me machucando. – Explico dando um gole do meu vinho. - Eu sei que foi ele, Talita. É nítido que foi ele. Mas, não vou te pressionar mais ainda nesse momento. Mesmo minha vontade sendo outra. Eu trouxe as chaves de um apartamento que eu tenho, ele é bem perto do seu novo escritório. Você pode ir para lá agora mesmo, pode morar o tempo que precisar sem se preocupar com qualquer custo. Eu não quero que você corra mais riscos ao lado desse homem. Isso pode ser só o começo de uma sequência de agressões. - Não foi, fica tranquilo. Eu agradeço, mas irei voltar para casa. Não vou sair nesse momento, só pioraria as coisas. Eu te procurei porque ainda tenho algumas desconfianças. Nós conversamos e ficou tudo bem, mas não contei a ele sobre tudo o que você me falou. Porque tenho certeza de que ele tentaria me enganar, ele é bom nisso... – Falo olhando nos seus olhos e ele não esquiva o olhar. - É, nisso temos que concordar. Mas, o que você quer saber, princesa? – Ele fala e eu sinto um nojo imenso ao ouvir ele me chamando de princesa. Ele é um homem muito bonito, é alto, forte, atraente, mas depois de tudo o que eu soube, se tornou o mais ultrajante possível. - Eu quero saber se tem mais alguma coisa dele que ele omitiu nesses anos todos, eu fico preocupada, porque ainda estou casada com ele e morando na mesma casa. – Minto descaradamente. -Vou respeitar o seu momento, mas estou disponível quando e onde você precisar. Só me ligue e vai para o apartamento. Sem lugar para morar você não fica. - Por enquanto, não. Mas, se eu souber de algo entro em contato. Aliás, depois de tudo isso, por que ainda continua casada com ele e morando na mesma casa? – Ele me coloca em maus lençóis. - Pelos meus filhos. Nesse momento, decidi lutar pela minha família em prol dos meus filhos. Não quero vê-los sofrendo por causa do pai. Mas, se a situação continuar assim, será inevitável o término. – Falo e ele coloca a mão sobre a minha. - Você o ama? – Ele pergunta objetivamente. - Não, não mais. Mas, preciso de calma para sair dessa situação sem machucar outras pessoas. – Falo com aperto no coração, porque é óbvio que ainda amo o Juliano, mesmo sabendo que não temos mais chances de ficar juntos. Eu já vivi isso outras vezes e sei que ele não vai mudar. - Bom, vou respeitar seu momento, como eu já disse anteriormente. Eu sempre tive muito interesse em você, isso não é novidade. Mas, como sempre, Juliano chegou primeiro e pegou o que é me... – Ele não termina a frase. - Ele chegou primeiro e você o escolheu. Digamos assim. Eu nunca te esqueci, mas depois dele, você cortou qualquer aproximação. Ainda mais depois do processo do pequeno Bruno. Eu agi por impulso e raiva, sem pensar que você também sofreria por isso. Coloquei meus sentimentos acima da razão, mas fico feliz que você me perdoou e hoje podemos ser, pelo menos, amigos. Mesmo isso ainda sendo difícil para mim, porque estar do seu lado, com essa distância com a vida nos impôs, é torturante. – Ele fala e eu tenho vontade de cavar um buraco e me enfiar no subsolo. Meu Deus, o que esse homem está falando? Ele realmente queria algo comigo e tem frustração pelo Juliano ter conseguido e ele não? Ele é um invejoso de carteira assinada, isso faz total sentido. - Ér, já passou. O que importa é que hoje está tudo resolvido. Agradeço o jantar, foi muito agradável. – Falo em tom de despedida, após ele pagar a conta, não me deixando pagar. - Eu te levo até a sua casa, Talita. - Eu estou de carro, mas agradeço a gentileza. – Digo me levantando e ele me acompanha até o meu carro. Na hora de despedirmos, estendo a mão, mas ele me puxa para um abraço. Put4 m3rda, que necessidade de contato físico é essa? Entro no carro a caminho de casa, tomo um banho e me atualizo de tudo com o Juliano. Ele está com uma calça de moletom cinza e sem camisa. Muito esperto, ele conseguiu tirar informações da babá e agora só precisamos provar que ela está envolvida em tudo isso. Depois de conversarmos, pergunto se ele vai dormir aqui e não vejo o colchão que anteriormente estava ao lado da cama. - Precisei tirar o colchão, porque a Ofélia desconfiaria. Vou dormir com você como fizemos nesses últimos anos, mas não se preocupe, não irei invadir o seu espaço. – Ele fala e eu já fico pensando que eu não quero isso, porque quem quer invadir o espaço dele sou eu.
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