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1071 Words
Juliano Quando decidimos voltar para o barco, vejo que tem algo de errado, pois o piloto que é um amigo meu, não está por lá. Bem como o churrasqueiro também não está. A Talita sai disparado para o quarto e eu pego a minha arma na mochila. O cenário é terrível e eu tento intermediar a situação, tento apaziguar os bandidos, que se demonstram convictos de que vão levar meus filhos. Porém, o piloto é um policial aposentado e está com um deles na mira. Me encontro uma situação terrível, terei que confiar a minha vida nas habilidades dele, porque vou at1rar no homem que faz a minha filha de refém. - Eu estou te falando sério. Abaixa essa 4rma e vamos conversar. Você tem muito mais a ganhar do que a perder. – Falo e vejo que ele se distrai com um barulho que a babá fez ao se mexer e faço um sinal com a cabeça para o piloto atirar. Atiro na sua cabeça e ele solta a minha filha, o piloto também acertou um tiro na cabeça do outro homem. Os dois estão mort0s. - Filha, está tudo bem. – Talita diz ao pegar a pequena no colo e abraçá-la. Faço o mesmo com o Bruno, que não chora, mas está em estado de choque. - Filho, já passou. Está tudo bem. – Enquanto converso com eles, o piloto pega as armas e os documentos dos assalt4ntes. Não os conhecemos de lugar algum e eu duvido que isso tenha sido uma coincidência. - Juliano, seu braço. – Vejo a Talita falando comigo com os olhos arregalados e olho para o meu braço. Um deles me acertou, mas foi de raspão. Provavelmente não precisará de pontos, foi superficial. - Foi de raspão, amor. Não se preocupe. – Falo enquanto ela higieniza a ferida. Depois ela cuida dos machucados da babá e do piloto, também foram superficiais. Faço algumas ligações enquanto nos preparamos para voltar para o porto, isso não vai ficar assim. - Isso foi mandado, pajé. Tenho certeza. – Falo com o piloto. - Pode ter certeza que sim. Eles não queriam levar nada além das crianças, eu acredito que não pode ser uma coincidência, um caso de sequestro comum. Eles sabiam onde você estaria com a sua família e esperaram vocês saírem do barco para se aproximar. O barco deles ainda está ali, podemos averiguar. Estavam sozinhos, porque senão, a pessoa já teria saído de lá. - Vou lá agora mesmo. – Digo e ele me acompanha. Pulamos para o outro barco e vemos que nele tem um notebook e dois celulares. O notebook tem senha, então vou leva-lo para um especialista desbloquear. Porém, vejo na tela do celular uma mensagem que me intriga. O nome está como “chefe” e diz: - Peguem as duas crianças e a esposa dele. Não os machuque. Quanto ao pai, se resistir, podem matar. A ordem era levar a Talita também e, se eu resistisse, me matar. Quem faria isso? Pode ter sido o Sávio, mas também poderia ter sido o Treva. Se fosse o Sávio eu poderia pensar em uma linha emocional. Ele sempre deixou bem claro que ama minha mulher e talvez queira ocupar o meu lugar com a minha família. Mas, se for o Treva, também faria sentido, pois na minha morte, quem teria acesso a todos os meus bens seria a Talita. Por isso ele a queria viva? Chegamos no porto de Santos e seguimos para a delegacia enquanto a perícia estuda o local do crime. O delegado titular não parece estar entendendo muito bem o que está acontecendo. - Dr. Eu creio que houve excesso de legítima defesa. – Ele fala e eu perco a minha paciência no mesmo momento, mas nem tenho tempo de falar porque a Talita toma a frente. - Excesso de legítima defesa, Dr? Tinha uma arma apontada para a cabeça da minha filha e um arma para a cabeça do meu marido. O senhor quer dizer o que com excesso de legítima defesa? Se não fosse o piloto, que inclusive é um colega seu aposentado, intervir, nós nem estaríamos aqui para relatar o que aconteceu. Beira o descaso essa afirmação vinda de uma autoridade policial. Isso desacredita da nossa palavra e até mesmo do seu colega de profissão, que tem uma conduta ilibada perante a sociedade. – Ela fala alterando seu tom de voz. O delegado não esperava essa resposta dela, mas parece que entendeu o que ela está tentando dizer. - Dra. Talita, eu não quis dizer que acho isso. Mas, é provável que tentem alegar dessa maneira. De qualquer forma, coloquei apenas legítima defesa e os corpos estão sendo encaminhados para o Instituto Médico Legal. – Ele fala e vejo que a minha mulher o colocou no devido lugar. Quem diria que aquela menina inocente e inexperiente da faculdade se tornaria uma advogada tão boa? Eu sempre acreditei. - Ótimo, Dr. Precisamos voltar para São Paulo. Meus filhos passaram por um evento traumático e eu irei pedir que coloque a comarca de São Paulo para continuação do processo. Iremos acompanhar de perto a investigação, pois ainda nos sentimos em uma situação de risco, tendo em vista tudo o que ocorreu. – Falo e ele concorda comigo. Entramos no carro e partimos para a nossa casa, no caminho as crianças acabam dormindo e eu vejo que a Talita está muito abalada. - Amor, nós fomos lá no outro barco que eles estavam. Vi na tela do celular de um deles que a ordem era para levar você e os pequenos e se eu resistisse, era para me mat4r. Quem enviou a mensagem está discriminado como “chefe” e o resto só saberemos conforme a investigação avançar, porque os aparelhos tem senha para acesso. – Digo colocando a mão na sua coxa. - Meu Deus, meu amor. Eu não acredito que estamos passando por isso. Parece um pesadelo que nunca acaba. Será que foi o Treva? Ele desapareceu faz um tempo... - Eu não sei. Mas, pode ter sido. Também desconfio do Sávio. Ele se afastou depois que percebeu que não daríamos a******a para o convívio com a gente. – Falo e ela escuta atentamente. - Se ele mandou fazer isso, é muito mais problemático do que eu imaginava. – Ela fala fazendo carinho na minha mão e eu sinto um turbilhão de coisas passando pela minha cabeça.
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