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1026 Words
Juliano Encho a banheira com água quente e espero dar uma amornada, será o jeito mais fácil de dar banho nela, porque seu corpo ainda está mole. Tiro suas roupas com dificuldade, porque ela tenta impedir, mesmo eu dizendo que só quero ajudar. Resolvo deixá-la de calcinha e sutiã, para ela se sentir mais segura. A coloco na banheira vejo que ela sente dor quando seus machucados encostam na água. Higienizo tudo e um banho rápido nela, depois a seco e enrolo na toalha. Tiro suas peças íntimas que estão molhadas e coloco outras secas, ela já não reclama mais. Coloco um pijama e imploro para ela tomar os remédios, junto desses coloquei um calmante, apesar de natural, ele vai ajudá-la a relaxar essa noite. A coloco na cama e insisto para comer algo, mas ela nem me responde. Coloco um colchão no chão e deito ali, para dar mais privacidade para ela. Não consigo dormir a noite inteira, levanto-me frequentemente para ver se ela está bem. Quando vejo que são 4h da manhã, eu resolvo tomar um banho e fazer um café. Quando estou na cozinha, vejo que ela está tomando banho e corro para o banheiro, tenho medo dela desmaiar, mas ela tranca a porta. - Talita, abre a porta. Você não pode tomar banho sozinha ainda, sua pressão está muito baixa. – Bato na porta e ela não me responde, mas vejo que está bem pelo barulho da água no chuveiro. Termino de fazer o café e a espero no quarto, para conversarmos. Ela sai do banheiro já vestida, com os cabelos penteados e o curativo trocado. - Talita, como você está se sentindo? Me desculpa por ontem, eu não tinha intenção de que tudo isso acontecesse. - Ah não? Estranho. Nunca vi uma pessoa plantar tomates e esperar colher maçãs. As nossas atitudes têm consequências, você tem se esquivado dessas consequências por todos esses anos, até que isso chegou em um ponto insuportável. Eu quero saber dos meus filhos. Onde eles estão? – Ela me pergunta após falar coisas que eu não gostaria de ouvir. - Eles estão com babá, no meu antigo apartamento. Podemos ir buscá-los. – Falo tentando esconder o quanto estou mexido com tudo isso. - Não. Eu vou buscar os meus filhos. Quando sair o divórcio, será regulamentada a visita. – Ela fala e eu começo a tremer, não pensei que ela levaria a diante essa história de divórcio. Eu não consigo mais viver sem ela, mas viver sem os meus filhos também, me traz uma sensação terrível. - Vamos conversar? Podemos resolver isso amigavelmente. - Não acho que seja o momento oportuno. Não quero mais qualquer tipo de contato com você. Vou pedir para alguém vir pegar as minhas coisas ainda hoje, vou buscar meus filhos agora. - Você vai para onde? Pode ficar aqui e eu vou para outro lugar. – Digo com medo de não conseguir localizá-la mais. - De jeito algum. Não quero nada proveniente de você. Absolutamente nada. Pode ficar com o carro também, foi você que me deu. Irei providenciar outro para atender as minhas necessidades e as necessidades dos meus filhos. – Ela fala terminando de arrumar uma bolsa e uma mala com algumas coisas e produtos pessoais. -Não tem necessidade disso, Talita. Você tem direito a metade de tudo, é a minha esposa. – Falo tentando consertar o que não tem conserto. - Ex-esposa. A partir de hoje será assim. Te encaminho, ainda hoje, o acordo de divórcio. Altere as cláusulas que achar pertinente e me devolva assinado para que eu assine também. - Amor, por favor... Não faz isso. Eu vou mudar. – Digo segurando as lágrimas. - Não vai. Isso eu não acredito mais. – Ela fala, pega suas coisas e sai da nossa casa. Sinto o mundo faltar sobre os meus pés. Passo o dia olhando para as paredes daquele que era o nosso lar. Lembro de cada momento de alegria que tivemos, sinto falta até mesmo dos momentos que nos desentendíamos. Eu não posso me entregar a dor, não nesse momento que a minha família corre riscos. Não posso mais interferir na vida da Talita, mas também não os deixarei a mercê daquele golpista do Sávio. Faço ligações para que descubram o que aconteceu. O Treva estava envolvido nisso, sempre soube que não podia confiar nele. O homem é movido por dinheiro quem oferecer mais, ele vai ajudar. Ligo para o meu contato e peço para investigar. Me troco e vou até o meu antigo apartamento, não vou ficar nessa casa sozinho. Com sorte, ainda encontro meus filhos lá. Chegando no local, vejo que a Talita já os buscou. Meu coração fica dilacerado. Uma hora ou outra teremos que conversar. Ouço meu celular apitar e vejo que chegou uma mensagem. - Meu amigo, sinto muito pelo que aconteceu. Se precisar de algo, estou disponível. Fique tranquilo, cuidarei bem da sua família. Meu coração se enche de ódi0. Ele ainda veio tripudiar da minha dor. Tiro um print da tela e encaminho imediatamente para a Talita, porém a mensagem nem chega. Ela já me bloqueou. Decido ir até o escritório dela, precisamos conversar sobre isso tudo. Chegando no local, a recepcionista libera minha entrada e eu subo. Encontro a Talita mexendo no notebook, com o rosto ainda inchado. - O que você está fazendo aqui? – Ela já pergunta alterada. - Eu não vim implorar para continuarmos juntos. Eu só quero ser sincero e explicar que isso tudo não passou de uma armação. – Falo e ela aponta para a cadeira, eu sento. - Talita, realmente conversei com o Treva. Mas, não fui eu que o procurei. Ele apareceu no meu escritório falando que o Sávio ofereceu dinheiro para ele entrar com uma nova ação de guarda sobre o Bruno. Fiquei com muita raiva. Ele me pediu dinheiro e eu falei que daria um milhão de reais para ele sumir do mapa, mas antes gravaria o Sávio. Queria gravar sobre a lav4gem de dinheiro, para ele ser pres0 e deixar a nossa família em paz. – Ela me olha assimilando as informações que eu acabei de dar.
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