CAPÍTULO 18: O Veredito do Arquiteto

1760 Words
POV – LORENZO ROSSI O ar na sala de reuniões da base de Chicago estava estagnado, carregado com o cheiro de café forte e o zumbido dos servidores. Eu estava de pé diante da parede de vidro, observando a neve começar a cair sobre a cidade. Meus pensamentos estavam organizados em linhas retas, como sempre: os Vanchini estavam acuados, nossas rotas comerciais estavam seguras e o Conselho operava com precisão cirúrgica. Ou assim eu pensava. — Onde estão o Vinícius e a Maya? — perguntei, sem me virar. — A reunião tática deveria ter começado há dez minutos. O silêncio que se seguiu não foi o silêncio de "eles estão chegando". Foi um silêncio pesado, carregado de uma verdade que eu era o único que ainda não tinha processado. Olhei para o reflexo no vidro e vi Vittoria sentada na ponta da mesa, um sorriso enigmático brincando em seus lábios. — Eles estão vindo, Lorenzo — Vittoria disse, a voz suave demais. — Só estão... terminando de alinhar os protocolos de recuperação. As portas duplas se abriram. Vinícius entrou primeiro, já sem a tipóia, movendo-se com a agilidade recuperada de um predador. Logo atrás dele, Maya. Mas não era a distância profissional de antes. Havia algo na forma como eles caminhavam, na eletricidade que vibrava entre os dois, que fez meu estômago dar um solavanco. Vinícius puxou a cadeira para Maya. Seus dedos roçaram o ombro dela por um segundo a mais do que o necessário. O olhar que eles trocaram — um misto de posse e ternura — foi o estopim. Eu senti o sangue ferver. Minha visão escureceu por um milésimo de segundo. A "Máquina" que eu construí estava sendo infiltrada por algo que eu não podia controlar: emoção. — O que é isso? — disparei, minha voz saindo como um trovão baixo que fez as luzes da sala parecerem oscilar. — Vinícius, Maya. Expliquem-se. Agora. POV – VINÍCIUS ORTEGA VITALE Eu sabia que esse momento chegaria. Sabia que Lorenzo Rossi não aceitaria o caos do amor dentro da sua ordem perfeita. Mas depois de quase morrer e sentir o toque de Maya, eu não tinha mais medo de CEOs ou de regras de conselho. — Não há nada a explicar, Lorenzo — respondi, cruzando os braços e encarando-o de igual para igual. — Maya e eu estamos juntos. Ela salvou minha vida, e eu entreguei a minha a ela. Não é um "protocolo". É a realidade. O silêncio na sala foi absoluto. Eu podia ouvir a respiração pesada de Lorenzo. POV – OS DOZE HERDEIROS (As Reações) AURORA DUARTE ROSSI: Eu sorri por trás da minha taça de água. Finalmente! — Lorenzo, por favor. O mundo estava vendo isso desde Curitiba. Deixe de ser tão rígido. Eles formam um casal imbatível. É bom para a imagem da união das famílias. ARTHUR DUARTE ROSSI: Eu ajustei meus óculos, olhando para os gráficos de probabilidade na minha mente. — Do ponto de vista de risco, é uma variável instável. Mas, emocionalmente? O Vinícius luta dez vezes melhor agora que tem algo real para proteger. Eu aprovo. ISABELLA DUARTE: — Legalmente, não há cláusula que proíba relacionamentos internos — comentei, olhando para Lorenzo com um desafio silencioso. — E se houver, eu a r***o agora mesmo. Eles se amam. Ponto final. LUCAS DUARTE: — Eu vi o Vinícius quase morrer — disse, a voz séria. — Se a Maya é o que mantém o foco dele no lugar, então eu estou com eles. Prefiro um soldado apaixonado do que um soldado morto. DAVI DUARTE: — A segurança da base melhorou desde que eles se aproximaram — dei de ombros. — Maya está mais atenta, e o Vinícius dobrou a vigilância. A sinergia é lógica. VITOR ROSSI D'ÁVILA: — No campo, o que importa é a lealdade — olhei para Helena. — Se eles confiam a vida um ao outro, eu confio a minha a eles. HELENA ROSSI D'ÁVILA: — O amor não é uma fraqueza, Lorenzo — completei, segurando a mão de Vitor por baixo da mesa. — É o que nos diferencia dos mercenários que tentaram nos matar. BENJAMIN DUARTE ROSSI: — O violino não mente — sussurrei. — A música entre os dois está em harmonia agora. Antes era só ruído e tensão. Lorenzo, deixe o coração deles bater no mesmo ritmo. VITTORIA ORTEGA VITALE: — Meu irmão escolheu a mulher mais forte deste Conselho — disse, levantando-me e caminhando até Maya, colocando a mão em seu ombro. — E eu, como uma Vitale, aprovo essa união. Se alguém tiver algum problema com isso... terá que resolver comigo primeiro. POV – LORENZO ROSSI Eu ouvia cada voz, mas o que eu sentia era uma fúria possessiva que eu m*l conseguia conter. Eu protegia este Conselho com unhas e dentes. Eu projetei cada conexão para ser indestrutível. Mas o amor? O amor era uma falha no sistema. O amor tornava as pessoas vulneráveis. Se os Vanchini pegassem a Maya, o Vinícius entregaria o mundo para salvá-la. E isso me aterrorizava. Caminhei até Vinícius, parando a centímetros dele. A tensão era tanta que o ar parecia pronto para entrar em combustão. — Você é um Vitale, Vinícius. Você foi enviado para ser a minha arma, não para se distrair com a minha prima — rosnei. — E você, Maya... você é a nossa médica. Sua imparcialidade é o que nos mantém vivos. Como você vai operar o Vinícius de novo se as suas mãos estiverem tremendo de medo de perdê-lo? — Minhas mãos nunca tremeram, Lorenzo! — Maya rebateu, dando um passo à frente, os olhos brilhando com uma força que me surpreendeu. — Eu o trouxe de volta da morte porque eu o amo. A minha técnica foi movida pela minha vontade de não deixá-lo partir. Se você não consegue entender isso, então talvez você seja o único aqui que está quebrado! Eu bati a mão na mesa de carvalho, o som ecoando como um tiro. — ISSO NÃO É UM CLUBE SOCIAL! — gritei. — É uma guerra! O sentimento cega! O sentimento faz você hesitar na hora de puxar o gatilho! — Ou faz você puxar o gatilho mais rápido para garantir que quem você ama volte para casa! — Vinícius rebateu, sem recuar um milímetro. POV – MAYA DUARTE LOMBARD Eu nunca tinha enfrentado Lorenzo daquela forma. Ele era o Arquiteto, o líder, o homem que todos respeitávamos. Mas ele estava sendo injusto. Ele estava projetando seu próprio medo de perder o controle em nós. Olhei para Vittoria. Ela observava Lorenzo com uma expressão que eu não conseguia decifrar. Era como se ela estivesse vendo através da fúria dele. — Lorenzo — chamei, minha voz agora mais calma, mas carregada de autoridade. — Você diz que protege a família. Pois bem, nós somos a sua família. Vinícius agora é parte de mim. Se você o atacar, você me ataca. Se você tentar nos separar, você destrói a unidade que tanto lutou para construir. O Conselho de 12 só funciona se houver verdade. E a verdade é que estamos juntos. Aceite ou nos perca. POV – LORENZO ROSSI "Aceite ou nos perca." As palavras dela ecoaram na minha mente. Olhei para cada um dos doze herdeiros ao redor da mesa. Vi o apoio nos olhos de todos. Vi que eu estava perdendo a batalha pela primeira vez. E, pior de tudo, senti o olhar de Vittoria sobre mim. Ela sabia o que eu estava sentindo. Ela sabia que minha raiva não era apenas profissional. Era o ciúme de um líder que está perdendo o controle absoluto, e o ciúme de um homem que ainda não tem coragem de fazer o que o Vinícius fez. Respirei fundo, tentando forçar minha frequência cardíaca a baixar. Eu era o Arquiteto. Eu precisava integrar essa nova variável, por mais que ela me irritasse. — Muito bem — disse, as palavras saindo amargas como fel. — Vocês querem estar juntos? Estejam. Mas se esse sentimento comprometer uma única missão... se um de vocês hesitar porque o outro está em perigo... eu pessoalmente assumirei o comando da retaliação. Virei-me para Vinícius. — Você ainda é o meu braço armado. Mas agora, você tem um ponto fraco. E os Vanchini vão descobrir isso. Saiba que eu dobrarei o seu treinamento. Se você quer proteger a Maya, terá que ser duas vezes mais letal do que já é. — Eu serei — Vinícius respondeu, uma promessa solene. — A reunião acabou — anunciei, saindo da sala sem olhar para trás. POV – VITTORIA ORTEGA VITALE Observei Lorenzo sair furioso. Ele estava em choque, não com Vinícius e Maya, mas com o fato de que o amor é uma força que nem ele pode projetar. Caminhei até Maya e Vinícius. — Ele vai aceitar. Só precisa de tempo para processar que não manda no coração de ninguém. — Obrigada, Vittoria — Maya disse, abraçando o braço de Vinícius. Saí da sala e segui Lorenzo até o terraço. Ele estava socando o parapeito de concreto, a respiração errática. Parei ao lado dele, deixando o vento frio de Chicago nos envolver. — Você terminou o seu show de autoridade? — perguntei. — Eles estão correndo riscos desnecessários, Vittoria — ele disse, a voz rouca de frustração. — Não, Lorenzo. Eles estão sendo reais. Você está furioso porque o Vinícius teve a coragem de assumir o que sente na frente de todos, enquanto você continua se escondendo atrás de contratos e plantas baixas. Lorenzo virou-se para mim, seus olhos azuis faiscando sob a luz da lua. — Você acha que é fácil para mim? Eu carrego o peso de dez famílias nas costas! Se eu falhar, todos caem! — Você não vai falhar, Arquiteto — aproximei-me, tocando o peito dele, sentindo o coração batendo desenfreado sob o terno. — Mas você vai quebrar se não aprender a deixar o caos entrar um pouco. O Vinícius e a Maya acabaram de tornar este Conselho inquebrável. Porque agora, eles não lutam apenas pelo império. Eles lutam um pelo outro. E não há nada mais perigoso no mundo do que uma máquina que aprendeu a amar. Lorenzo não respondeu, mas não afastou minha mão. Ele olhou para a cidade, e pela primeira vez, vi uma lágrima solitária de frustração e alívio ser rapidamente limpa por ele. O Conselho de 12 tinha mudado para sempre. O segredo acabou, a união foi testada e, no coração de Chicago, uma nova dinastia acabava de provar que o sangue e o amor eram a mesma substância.
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