capítulo 03- Biro

1315 Words
Biro narrando Eu virei dono do morro da Babilônia cedo demais. Com 17 pra 18 anos nas costas e um peso que pouco homem feito aguenta . Aqui nunca foi escolha, foi necessidade. Ou eu assumia, ou o lugar que o meu pai lutou tanto pra ergue caía na mão de quem não tinha compromisso com ninguém. Era só nós três. Eu, meu pai e o Alexandre, ou mais conhecido como Alex Sousa . Pra mim só Alex mermo meu irmão, minha única família quem eu daria a vida sem pensar duas vezes . Mãe? Sumiu no mundo quando o Alex ainda era pequeno. Largou meu pai com dois moleques e nunca mais deu notícia. Meu pai nunca reclamou. Engoliu seco, criou a gente do jeito dele, do jeito que dava. Duro, mas justo. Quando aconteceu invasão e meu pai caiu, foi ai que minha vida virou do avesso. Não teve choro. Não teve luto. Teve sangue eu me transformei em outra pessoa … e eu tive que virar o dono da p***a toda , da conta mermo sem saber uma pá de coisa . Eu cresci na raça porque além do morro, tinha meu irmão. Treze anos só. Um menino e meu pai sempre foi claro comigo." O Alex não tem jeito pra isso aqui, Biro" . Desde moleque ele só falava em bola, em campo. Queria ser jogador. E meu pai acreditava. Antes mesmo de morrer, ele já investia tudo que podia no moleque. Escolinha boa, treino sério, professor particular. Disciplina. O talento era nítido. Não era ilusão de pai, não. Quem entendia de futebol via. Quando meu pai morreu, muita gente achou que eu ia puxar o Alex pro corre. Que eu ia ensinar o caminho errado. Mas eu ouvia a voz do meu pai todo dia na minha cabeça. Eu sabia o futuro do meu irmão não era aqui dentro. Então eu continuei o legado do meu pai do meu jeito. Segurei o morro com mão firme, botei ordem ganhei respeito. E ao mesmo tempo, tirei o Alex daqui. Botei ele pro mundo. Porque talento daquele não nasce pra ficar preso entre vielas e bala perdido. Foi difícil. Teve noite que eu fiquei sozinho, olhando o morro lá de cima, pensando se tava fazendo certo. Enquanto eu ficava, ele ia. Enquanto eu sangrava aqui por dentro com a ausência do nosso pai , e ele corria atrás do sonho dele. E eu nunca senti inveja. Só responsabilidade. Hoje eu vejo meu irmão na tv, em pagina de fofoca dele envolvido com modelo famosa e sinto orgulho de verdade. Por ele te puxado pelo menos uma coisa minha mulherengo cada vez uma gostosa diferente . Sendo Jogador Internacional, reconhecido no mundo inteiro , contrato com Chelsea mas as últimas noticias e que Psg esta sondando ele .E o melhor prestes a ser convocado pra copa do mundo ir em busca do Hexa tão sonhado . O moleque que saiu daqui virou nome falado em outro idioma. Eu boto fé nele porque eu sei quem ele é. Sei de onde veio. Sei do quanto lutou. O potencial sempre esteve lá, só precisava de chance e eu fiz questão de continuar dando do jeito que eu sei , que meu pai teria orgulho se visse onde ele chegou. O meu mano tá gigante e eu só tenho orgulho papo reto. E eu continuo sendo o Biro o dono do morro da Babilônia. O que faz n**o tremer , não sei ser bonzinho com ninguém, não sei aliviar . O crime aqui em cima não tem espaço pra fraqueza. A Babilônia me ensinou isso cedo demais. Cada viela tem memória, cada escada tem história, e quase todas manchadas de sangue. O meu nome não virou respeito por acaso, virou por sobrevivência. Eu não sou vilão de filme, não sou herói de ninguém. Sou o que deu pra ser pra manter isso aqui em pé. Quem me chama de c***l nunca precisou decidir quem vive e quem morre antes do sol nascer. Eu aprendi rápido que bondade demais custa caro. Aqui, aliviar é abrir brecha. E brecha te leva direto pro caixão, ou pra atrás das grades . Então eu virei pedra, calei sentimento, matei qualquer resquício de moleque que ainda existia em mim no dia que enterrei meu pai sem poder chorar. Choro enfraquece. Fraqueza chama urubu. Tem desacreditado que testa todos os dia. E meu foco é aqui nessa fortaleza que eu procuro manter , mais blindada possivel pago caro pra ter meus soldados bem treinados e manter a Polícia longe daqui . Quando eu durmo é com um olho aberto e outro fechado pronto pra guerra a qualquer momento. Não confio em ninguém nem na minha própria sombra . Quem fecha comigo tem proteção. Quem atravessa… tem as consequências. Às vezes eu paro, de madrugada, quando o morro silencia um pouco. Fico olhando as luzes da cidade lá embaixo, aquele mundo que nunca foi feito pra gente. Penso no Alex, longe disso tudo. Penso se ele lembra do cheiro de pólvora, do barulho de tiro cortando a noite, da correria nos becos. E aí eu sei que fiz certo. Porque ele lembra só como história, não como rotina. Eu fiquei pra ser o escudo. Ele foi pra ser o sonho. E não me arrependo. Nunca. Se um dia eu cair, vai ser em pé. Vai ser defendendo o que é meu, o que foi do meu pai, o que me coube carregar. A Babilônia não tem dono por nome bonito, tem dono por sangue, por postura e por medo bem colocado. Eu sou o Biro. O vulgo que não negocia respeito. O cara que não sabe ser bonzinho. O dono do morro da Babilônia. E enquanto eu respirar, isso aqui não cai. - Eu não acredito que você tá me mandando embora por causa daquela gorda ridícula. A Lua falou colocando a roupa as pressas. - A gente podia tomar um banho de hidro, e continuar no seu quarto. - p***a nenhuma vagabunda .No meu quarto ninguém entra tu tá cansada de saber. Agora vaza daqui porque tu ainda tem sorte que te deixo entra aqui na minha sala . Vaza! abri a porta e ela saiu quase correndo. passei o olhar pela casa , o cheiro r**m exalando da gorda sebosa , veio servi de empregada pra mim por dívida da noiada da mãe dela e ao invés de limpar tá e sujando mais minha casa .Filha da p**a eu vi ela me olhar com nojo , e isso me deixou bolado se eu ver ela na minha frente agora sou capaz de pipocar a cara dela . Subi pro meu quarto direto pro banho , me esfreguei mas forte que consegui , o cheiro r**m parecia impregnado em mim . Mas até que olhando ela assim de perto o rosto e bonito , olhos azuis cabelao loiro cacheado , bonita. Passei a mão no rosto afastando os pensamentos tô fumando estragada só pode p***a .Ter falado aquela merda pra lua , eu não teria coragem de taca p*u ali nem por todo dinheiro do mundo . Tava contando um malote que peguei no baile e aí meu rádio chiou . - Ae patrão o Alex tá aqui na barreira querendo falar contigo. - Alex ? que Alex? falei já puto tinha perdido o foco nas nota . - Teu irmão chefe. - Oque ? libera p***a e meu irmão c*****o tá maluco ? - Ele disse que não da patrão, ele disse que só passou quer te ver aqui na barreira ce tinha como tu descer que ele tá com uma garota sabe como é né. - Sem cao. Conta cinco . O coração chega deu uma acelerada eu vesti a primeira bermuda que eu achei e sai de casa que nem foguete , montei na moto e acelerei pra barreira.
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