12 Ruby

1234 Words
Garotos são sempre idiotas, nunca dá para deixar nenhum se aproximar. Por mais que eu tente, nunca consigo deixar nenhum se aproximar. Homens tem esse talento de conseguirem ser idiotas até mesmo quando não é possível. Raiva, sinto raiva de mim. Também sinto repulsa de mim mesma por cogitar a idéia de tentar ser amiga dele, era minha forma de continuar minha vida amigável com todos, ele está atrapalhando meus planos desde que voltou e isso está me deixando m*l. Quero continuar assim, amigável com todos que convivo todos os dias mas com Dean não dá. Tenho medo de dá errado por causa dele, e eu perder todas as pessoas que gostam de mim naquela escola como aconteceu na antiga. — O que foi, Ruby? — Gracy questiona me tirando dos meus pensamentos. — Hum? — Você está em silêncio se olhando no espelho com uma esponja de maquiagem na mão faz 5 minutos, o que houve? Você precisa se apressar, vamos entrar daqui a pouco. — Ah, me deixa. Estou pensando em umas coisas. — Volto a me maquiar. Gracy ficou em silêncio em pé atrás de mim com os braços cruzados, estava reparando em alguma coisa pude ver na minha visão periférica. — O senhor Nakashima gostou muito de você. Minha vontade é de não olhar mais na sua cara. — Gracy resmungou com brincadeira, me fez rir. Meus olhos se arregalaram imediatamente para ela, que me olhou sorrindo de canto. — Está tão distante. — Comenta. — O que!? Não! Não tem nada haver, tirou um dia para me encher o saco? — Hum, então ok. — Gracy deu de ombros e encarou a parte de trás do meu pescoço. Em um movimento rápido ela puxou a gola da minha camisa para baixo deixando meu pescoço visível, quando dei um pulo de susto ela caminhou para trás. — O que foi isso? Quem fez isso com você!? — Ela questionou com o tom de voz revoltado. — Relaxa. Tive uma discussão na escola, não foi nada demais e também revidei, está tudo bem. — A tranquilizo. — Como assim está tudo bem, Rubi? Seu pescoço está marcado, marca claramente fraquinha e insignificante, mas minha preocupação não é essa e sim o que a Ruth vai dizer quando ver. Encaro no espelho vendo meu pescoço com as marcas quase imperceptíveis dos dedos de Dean, não dói mas ficou marcado. — Acha que dá para cobrir com maquiagem? — Questionei comprimindo os lábios preocupada. — Vou pedir ajuda da Tânia, vai ficar tudo bem. — Ela me tranquilizou saindo provavelmente indo atrás da Tânia. Nessa noite, Nakashima não apareceu. Ruth não notou meu pescoço e tudo foi como todos os dias. No outro dia, fiz a mesma rotina para ir para a escola. Encaro o céu vendo o tempo se fechar novamente. Inverno é assim, uma hora o sol está rachando sua cabeça e em outra o tempo fecha e começa a chover. Um vento forte passa por nós que chega a me arrepiar, cruzo os braços em busca de um pouco de calor mas não adianta muita coisa. Olho para um lado da rua antes de atravessar e quando olho para o outro vejo ele andando na mesma direção que nós. Não entendo o porquê de hoje ele estar vindo justamente por essa rua, ele nunca vem por essa rua. Nossos olhares se encontram, e Dean como sempre firma os olhos e se recusa a desviar. Também me recuso, virou um tipo de competição por acaso. Quem desviar primeiro perde. Ele consegue caminhar muito bem sem olhar para a rua, isso é realmente admirável. Dean atravessa a rua e entra na rua da escola, está a alguns metros a nossa frente. Agora ele vai precisar parar de me olhar, não tem olhos na nuca. Estou quase vencendo, Dean. Eu vou vencer em três.Dois.U... — Não vai atravessar a rua, Ruby!? — Abby questiona me assustando e me obrigando a olhar para ela. — Merda! — Olho de volta para a rua que ele estava e não o vejo mais. — Então, vai atravessar ou não? Faz um bom tempo que estamos esperando para que você vá primeiro. — Abby mais uma vez resmunga. — Vá à merda, por que não foi primeiro? Você não sabe atravessar sozinha? — Esbravejei ficando nervosa, coisa que eu não estava antes. — Está zangada assim por que? — Lina questiona. — Sim. — Abby concordou. — Nada. — Dei de ombros dando passos firmes já conseguindo ver o colégio aparecer aos poucos. Caminhamos mais alguns metros, e mais uma vez tudo começa novamente. Só que agora as coisas parecem ser diferentes, não sinto mais aquela sensação de antes. Não me sinto entediada, eu sinto como se... Não sei, é como se eu estivesse me distraindo agora. Passamos do portão e então seguimos até a sala. As pessoas se esbarram na gente como se não tivesse espaço para elas passarem, isso me irrita de um jeito. Vejo o batente da porta da nossa sala agora, caminho um pouco mais rápido tentando chegar logo lá e acabar com essa tortura. Diminuo os passos e viro para entrar nela, dou de cara com Dean que volta não só dois ou três, mas VÁRIOS passos para trás. O encaro com ódio, ele dá um sorriso pequeno tão imperceptível que m*l dá para notar. É como se eu tivesse uma doença que pudesse ser transmitida para ele através do toque. Ele é i****a? Qual o problema dele? Quando pedi para não se aproximar, não estava me referindo a tamanho exagero também. Me acomodei na minha carteira e fiquei alí em silêncio com as minhas amigas, pelo menos eu achava que estava em silêncio com elas, mas na verdade elas estava conversando bastante e eu nem mesmo notei. — Ruby! — Killer me cumprimentou quando entrou e sentou um pouco mais distante. — Killer. — Cumprimentei de volta estranhando a gentileza sem entender o porquê dele estar sendo simpático do nada. — Você pode me emprestar sua lição de matemática depois? — Deu um soquinho no meu ombro brincalhão tentando puxar meu saco. — Posso. — Bufei e ri pelo nariz logo depois. — O que houve? Está tão simpático hoje. — Nem te conto. — Ele sorriu promíscuo e saiu andando. — Ah, Deus. — Revirei os olhos. Abby e Línea continuaram conversando normalmente, e eu continuei alí. — Ei, Ruby? — Killer me chamou da porta. Virei o corpo para olhá-lo e então gesticulei com a cabeça para que ele falasse. — Dean já chegou? Você o viu? Ah, não. É sério? Meu sorriso morreu no mesmo instante. — Vi, ele chegou. — Respondi tentando não fazer careta. — Para onde ele foi? — Por que eu saberia? Só o vi saindo. — Dei de ombros. — Ah, deve ter ido atrás da Jesse. — Killer falou consigo próprio e saiu. Jesse. Quem será? Não conheço nenhuma Jesse, e Killer ainda não me contou nada sobre ela. — Você sabe quem é Jesse, Abby? Killer contou para você? — Virei para ela. — Jesse? Não, não falou nada e nem conheço. — Abby deu de ombros. Encarei o chão fixo, me perguntando quem diabos era essa e pensando no fato de Dean ter ido atrás dela sozinho. Se são amigos porque não esperou Killer chegar para irem juntos? Não entendo.
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