Espera. Demora. Tempo em câmera lenta.
Três longos dias, ou três longos anos, qual a diferença? Para mim parece que o tempo nem passa.
Desde que voltei para a escola, ela nunca faltou um único dia, e agora simplesmente fazem três dias que não ouço sequer o nome dela. O que diabos aconteceu?
Me sinto um i****a por querer sair perguntando por ela, e tenho raiva por não poder. O que pensariam?
Passei literalmente maioria do tempo olhando para essa porta na esperança de que ela entre por ela, eu realmente estou esperando por ela? Não queria admitir, mas a súplica por querer vê-la é tanta que já admiti para mim, mas jamais admitiria em voz alta.
— Você não vem? — Killer questiona aparecendo na porta depois de ter saído primeiro e eu não ter aparecido em seguida onde ele estava.
— Não. — Respondi um pouco seco e meu tom de voz saiu baixo.
Killer balançou os ombros e então saiu dalí. Eu fiquei alí. Continuando com o que estava fazendo, olhando para a porta feito um i****a, um cachorro que caiu da mudança.
— O que aconteceu, Dean? Está tão sofrido esses dias. — Uma das meninas brincou com ironia na voz.
— Estou com sono. — Forcei um riso.
— Virou a noite jogando, não é?
— Não, só tive insônia mesmo.
Ela riu e saiu da sala.
Olho em volta e estou fazendo companhia a algumas meninas tímidas que não gostam de sair pelo colégio, mas não é a que eu queria estar fazendo companhia.
Então ouço uma risada. Parece a risada dela, tipo... Parece muito com a risada dela, e está conversando alto como ela costuma conversar. É a Ruby, sei que é.
Ergui a cabeça para cima encarando a porta como se fosse morrer se não a encarasse, estou esperando ansiosamente para que quem está falando alto desse jeito apareça ali. Até que aparece, e meu rosto trava.
Também estava esperando para me ver, Ruby? Por que seu olhar veio diretamente para o meu como se já estivesse me procurando?
Isso, não desvie. Me olhe desse jeito, não desvie em nenhum momento, firme os olhos nos meus.
Não consigo evitar um sorriso de canto, e quando ela me olha sinto seu corpo estremecer, não preciso estar próximo dela para perceber.
A vejo caminhar até o seu lugar em câmera lenta, devagarinho como se realmente o mundo estivesse em câmera lenta.
Ela não vai fugir de mim, sei que não vai. Ruby não pode fugir de mim, e eu não deixaria, porque é divertido tê-la por perto e eu gosto de vê-la tentar me afastar.
— Quem? O Killer? — Abby questiona olhando para Ruby, mas ela está me encarando e não a ouve. Olho para Abby e em seguida para Ruby e ela desperta encarando a amiga em seguida.
— Hum?
— Era sobre o Killer que você falou? — Abby questiona.
Killer Killer Killer Killer Killer Killer, sempre Killer. É meu amigo também, mas já estou perdendo a paciência. Por que sempre ele? Por que ela não pode ter um outro amigo homem?
— Era. — Ruby responde abaixando a cabeça e sentando na carteira ficando de costas para mim agora.
Ela está de volta, ela voltou. De repente, tudo parece melhorar. Passei os último dias sentindo como se tudo estivesse indo de m*l a pior, como se tudo estivesse contra mim e estivesse muito r**m, mas agora tudo parece ter melhorado.
— Boa tarde, turma! — Vera entra já nos cumprimentando, mas se assusta quando vê tão pouca gente na sala. — Onde estão os outros?
— Devem estar passeando por aí. — Respondi.
— Não me viram passar, será possível? — Pousou a mão na cintura indignada. — Alguém pode ir buscar o datashow lá na biblioteca? Não consegui trazer sozinha, vim cheia de coisas hoje.
Levantei devagar caminhando na direção dela que ficou me esperando enquanto eu me aproximava, é claro que ela me chamaria. Sou o único homem que está na sala e o mais extrovertido. Os professores tem essas manias para ajudar eles, chamam o aluno mais "para frente".
— Eu vou precisar que mais um vá, para trazer os livros. — Vera pediu. Nenhuma das meninas se pronunciou, Ruby apenas me olhou e virou novamente para trás. — Vá lá, Abby.
— Vai, Ruby. — Abby deu um tapinha no braço de Ruby.
Eu sorri de canto olhando para ela com meu olhar de deboche, esperando que venha comigo por obrigação e se sinta obrigada a parar de me evitar.
— Ela mandou você. — Ruby sussurrou mas ainda era possível ouvir.
— Mas eu não quero passar pelo corredor, está cheio de pessoas lá. — Abby sussurrou de volta.
Então Ruby levantou e caminhou em direção à porta. Sorri minimamente a encarando enquanto ela passava por mim, ela me olhou com seu olhar neutro que não me deixa saber o que pensa.
— Quais são os livros? — Ruby perguntou escorada na porta.
— São uns que vocês não receberam, pergunte lá que ela vai saber. — Vera respondeu. — Vão lá e chamem os outros para a sala! — Ela gritou quando já estávamos quase virando o corredor.
Colégio grande, nunca fiquei tão feliz com isso. Mas Ruby está praticamente correndo de mim, está andando em passos fundos e ligeiros.
— Está com medo de mim, Ruby? — Repeti a frase de antes fazendo com que ela pare e fique alí diante de mim a alguns passos de distância.
— O que você quer de mim, seu i****a? — Ela questionou parando à minha frente e virando o tronco em minha direção.
— O que eu quero de você? — Questionei deixando meus olhos passearem por ela dos pés a cabeça.
Ela levanta a mão já pronta para tentar me dar um tapa, mas não permito segurando sua mão antes que ela pudesse me acertar.
— "Não me toque", também vale para seus tapas. — Ironizei.
— Também vale para segurar meu braço. — Ela retruca voltando a caminhar.
Seguro seu braço a puxando contra mim com firmeza, para que ela não consiga fugir de mim.
Quando ia abrir a boca para falar algo, escuto passos e conversas vindo do corredor. Ruby me empurra com brutalidade fazendo com que eu quase bata na parede do outro lado.
Encaro a direção de onde as vozes surgiram e então logo aparecem algumas pessoas que estudam na nossa turma.
— A Vera já entrou na sala? — Uma das meninas questiona para Ruby.
— Sim, já faz um tempo. — Ruby responde com o tom um pouco nervoso.
— p**a merda! — A menina praguejou e então saíram correndo.
Ruby e eu ficamos sozinhos novamente nos encarando, mas não durou muito já que ela voltou a andar na direção da biblioteca e nunca agradeci tanto mentalmente por aqueles corredores serem tão grandes, e caminhar ao lado dela era ilusório. Imaginava como seria a sensação de caminhar com ela enquanto conversamos sem discussões, igual vejo ela com o Killer, mas quando é comigo, parece impossível.
Caminho atrás dela tentando miseravelmente acompanhá-la mas aparentemente ela não está interessada em ficar próxima de mim, já que nem mesmo me deixa chegar perto.
— Por que você sempre sai correndo quando estou atrás de você? — Questiono indignado.
— Não estou correndo. — Ela dá de ombros.
— Ah, não? Você anda nessa velocidade naturalmente?
Não posso ver seu rosto, mas sei que revirou os olhos.
Ruby caminha para dentro da biblioteca e lá vemos a tia que trabalha lá, mexendo em alguns papéis.
— Boa tarde, Tia! — Cumprimentei com um sorriso sacana.
— Boa tarde, Dean. Do que precisam?
— A Vera pediu que a gente pegasse um datashow e alguns livros que a gente não tem, ela disse que você saberia quais são. — Ruby explica simpática.
É um pouco contraditório, ver ela o tempo inteiro em silêncio, sendo ignorante comigo ou com as amigas dela, mas quando é para conversar com outras pessoas vê-la sendo tão simpática.
— Ah, claro. São uns livros da capa verde, estão alí na segunda prateleira. — A Tia que não faço a menor idéia do nome dela aponta na direção das prateleiras, mais lá nos fundos da biblioteca. Onde daqui não dá para ver direitinho.
Ruby caminha na direção em que ela apontou, fico olhando as costas de Ruby sumindo e vejo a Tia me encarar sorrindo. Fiquei confuso, é algum daqueles vídeos adultos? Por que eu pensei isso? Devo estar andando demais com os caras.
— Vá lá ajudar ela. — A Tia ordenou ainda sorrindo.
— Está bem. — Obedeço confuso mas dou de ombros.
— Amor adolescente! — Ouvi um suspiro cheio de humor vindo da mulher que trabalha na biblioteca me fazendo franzir o cenho.
Caminho alguns metros até encontrar Ruby de costas para mim, está inclinada para frente, fazendo com que seu quadril fique empinado para trás.
Desço o olhar me hipnotizando com essa visão desrespeitosa que é olhá-la assim. Me escoro no batente da porta suspirando fraco a observando, querendo sentir minhas mãos deslizarem por ela.
Ruby está mexendo em algo, não sei o que é. Não me interessa, só consigo olhar para a b***a dela e imaginar coisas que facilmente poderiam acontecer se ela não fosse a menina quietinha, a intronvertida que nunca foi tocada por um homem e que sente medo de ser tocada por um. Ou talvez se eu insistir um pouco...
— Precisando de ajuda? — Quebro o silêncio anunciando a minha chegada.
— Ah! Seu i****a, que susto... Você me mata! — Ruby gritou colocando a mão no peito e apoiando as costas nas prateleiras de livros.
— Está escondendo algo?
— Co-como é? — Ruby gagueja me encarando com os olhos arregalados e o rosto pálido, me fazendo estranhar seu comportamento.
— Para você se assustar assim, deve ser peso na consciência. — Ironizo usando o ditado popular.
— Ah! — Ruby revirou os olhos. — É isso, ufa. — Murmurou.
— Por que o seu rosto está tão pálido de repente?
— Talvez porque você tenha me assustado? — Esbraveja voltando a mexer em algo.
Olho por cima das prateleiras a Tia lá na entrada da biblioteca, vejo que ela não consegue nos ver e então puxo Ruby pela cintura a escondendo entre dois armários junto comigo.
Ela ia emitir um grito pelo susto mas cobri sua boca.
Naquele aperto entre os armários ficávamos próximos além da conta, e não me incomodava nem um pouco. Próximos ao ponto do nosso peito se encostarem e eu podia sentir o seu coração batendo, como também a respiração dela pesada me dando uma vontade absurda de beijá-la.
Encaro os traços do seu rosto, todos delicados e bem marcados. Pele limpa, toques suaves e macios, lábios que brilham.
— Qual batom você usa? — Questiono quase em um murmuro.
— Não uso batom, i*****l.
— Não? — Encaro seus olhos verdes, apoio os antebraços no armário atrás dela a deixando presa entre meus braços, e a sinto recuar, mas não paro de me aproximar e nem ela de me encarar, gosto disso.
— Se chama gloss. — Sussurra com a voz calma enquanto olha para a minha boca.
A encurralo contra o armário no meio do silêncio daquela parte da biblioteca, e o mundo inteiro em nossa volta some em um passe de mágica.
— Tem sabor?
— Por que? Quer comprar um para você? — Ironiza em um sussurro.
— Não. — Balanço a cabeça negando com um sorriso pequeno. Toco a lateral da sua bochecha, deslizando o indicador até o seu queixo fazendo com que ela olhe para cima onde meus olhos estão. — Só quero saber que gosto seu gloss tem.
— E já não sabe? — Ironiza rindo sem humor roçando a ponta do seu nariz no meu, meus olhos fecham de imediato e ofego sentindo meu corpo amolecer.
— Acho que esqueci. — Sussurrei sentindo nossas bocas roçarem uma na outra e essa enrola começa a doer em mim.
— Você já sabe, não descobriu à força outro dia? — Ruby pergunta me fazendo encarar seus olhos.
— "À força"? Não me pareceu à força, você não negou.
— Eu pedi para não me tocar, e você tocou.
— E estou tocando novamente. — Falei como se fosse um desafio deslizando a mão pela lombar dela, com a ponta dos dedos um pouco para dentro da sua calça jeans.
— Está tentando levar outro tapa?
— Estou tentando conseguir outro beijo. — Roço seus lábios nos meus mas ela vira o rosto me fazendo afastar um pouco e encará-la.
— É isso o que quer de mim?
— É. — Murmuro tão baixo que ela só consegue ouvir por causa da proximidade.
Beijo sua bochecha descendo para seu pescoço entorpecido com aquele cheiro natural dela, mordendo e puxando a pele do seu pescoço entre os dentes.
Me sinto quase explodir com o suspiro pesado que ela emitiu.
Seu rosto virou para mim e me então me beijou. Ruby puxou meu rosto para si me beijando com tanta volúpia, suspirando alto me dizendo sem dizer, ela também me desejava.
Meu juízo sai de mim quando ela desliza suas mãos para dentro da minha camisa, fincando as unhas em minhas costas nuas.
A pressiono contra o armário com tanta força que o sinto amassar, ela ofega cada vez mais alto e vou indo à loucura.
Deslizo a mão até o seu bolso da calça, enfio a mão e aperto, e dessa vez ela não impede. Desejando que estivéssemos vestindo nada. Corpo contra corpo, pele com pele.
— Dean… — Ofega em um tom de repreensão.
Ruby vira o rosto para o lado tentando me afastar mas ignoro totalmente sua tentativa de rompimento, beijo seu queixo, mordo e puxo a carne que posso entre os dentes. Desejando devorar ela, provar cada pedaço.
Seguro seus quadris os pressionando contra o meu com uma força mais exagerada, gemendo fraco com o contato mais íntimo.
Com os olhos fechados apoio a cabeça no colo dos seus s***s os beijando por cima do tecido, desejando encostar neles sem o tecido.
As mãos de Ruby alisam meu cabelo enquanto posso ouvir seu coração bater, encaro seu peito marcando na camisa e o mordo por cima do tecido sentindo Ruby estremecer em um ofego baixo.
— Encontraram? — Ouvimos o chamado da Tia e seus passos se aproximando.
— Si-Sim! — Rubi falou gaguejando por estar tentando falar enquanto eu tentava beijá-la. — Dean… não! A gente tem que ir.
Ela tentava empurrar meu peito para longe, mas nem ela mesma conseguia se afastar.
Mas quando ouvimos os passos da mulher se aproximar, Ruby me empurrou e voltou a mexer nas prateleiras.
Então surge com uma pilha de livros nas mãos e quase com a língua para fora por ser pesado demais.
— Vem cá, eu te ajudo. — Falei com a voz trêmula tentando disfarçar.
— Tudo bem aí? — A tia apareceu.
— Sim! — Ruby respondeu rápido demais me olhando de relance. — Tudo sobre controle.