Capítulo 11

2113 Words
— Olha eu até aceito o fato de você ter dado pro seu chefe, ele é o tremendo de um gostoso. O que não dá pra aceitar é você não ter me falado nada! — Insistiu Holly enquanto almoçamos juntas há algumas quadras da Archer. — Eu não dei! Nós só nos pegamos! — Corrigi, confusa se ela estava feliz ou irritada por isso. — Defina pegar pra você, porque o chá que você deu nesse cara, está fazendo ele te procurar até debaixo do tapete. Anya, ele quer você, isso ficou mais do que claro. Holly não me deixou em paz, desde que deixei o Ateliê. Quando cheguei no escritório meu celular estava repleto de chamadas perdidas e uma amiga em cólicas para saber todos os mínimos detalhes, e agora ela insiste que Cohen precisa saber da verdade. Os dez primeiros minutos no restaurante foram ouvindo seus protestos por eu não ter dito nada. Eu não disse justamente por saber que ela surtaria, e começaria a fantasiar situações e um futuro menos caótico do que a dura realidade. — Não, ele quer a mulher que estava naquele vestido, não a Anya. E ele está tão certo de que ela virá, que eu quero estar por perto quando os dias se passarem e ele não tiver nenhuma notícia. Vai ser no mínimo engraçado ver o ego dele sendo ferido dia após dia. — Comentei rindo antes de dar uma garfada generosa. Afinal, Cohen disse que estava gostando daquele jogo, o que significa que eu posso me divertir também, pois uma coisa é certa, todos os preceitos dele sobre A Dama de Prata, cairão por terra. — Enquanto isso vai bancar a secretária amiga? Por Deus, você está brincando com perigo. Quando ele ligar os pontos, e isso não vai demorar de acontecer, Cohen vai te f***r com tanta força que você nunca mais vai conseguir andar reta outra vez. — Holly! — Quase me engasguei com a boca cheia. Isso me obriga a dizer que nenhuma das suas fantasias são de classificação livre. — Ah, não vem bancar a samaritana aqui não, Anya. Você perdeu sua auréola enquanto rebolava no colo do Cohen. — Eu não sei porquê ainda me surpreendo com você. — Me rendi largando os talheres. — Porque eu não escondo nem meus brinquedos eróticos de você, quem dirá o que penso. — Eu não quero pensar nisso enquanto como. — Anda, confesse, você não pensa mesmo em dizer a verdade a ele? — Não, isso custaria meu emprego, minha carreira, meu futuro e, dada a situação, meus direitos trabalhistas também. — Isso é tão emocionante! Eu nem sei o que faria no seu lugar... — Ela parou pra pensar de boca cheia. — Bem, eu sei sim, eu já teria dado para o Cohen há muito tempo atrás. Ri sozinha imaginando que Holly e as três secretárias se dariam muito bem. Desmioladas sem grandes responsabilidades que priorizam seus desejos sexuais. — Minha vida não se resume a s**o, Holly. Estou muito perto de me formar, Tom está há dias de ouvir pela primeira vez e... — Eu sei. Você se sente responsável por isso. — Completou, sem desdenhar ou fazer pouco caso. Ela apenas já tinha ouvido essa mesma desculpa milhares de vezes. — Sou a única chance que meu irmão tem. Se passar da idade as chances dele diminuem e... Holly minha família não consegue sem mim. — Conclui caindo na realidade. — Está sendo pessimista. — Realista! Conto de fadas não existe! Minha única fada madrinha me aconselha a t*****r com dois ao mesmo tempo, e o sapatinho de cristal é só um vestido que me rendeu uma única noite. Uma noite que jamais vai acontecer outra vez. — Você não sabe o que está perdendo. — Disse apertando os lábios. A expressão travessa. — Sei sim, o ego inflado e a obsessão de Cohen. — Não, estou falando do trisal mesmo. Revirei os olhos desistindo de contra argumentar, ela sequer me olhava nesse momento, estava de olho em um cara próximo a nossa mesa. Foi nesse momento que meu celular vibrou, era uma mensagem de alguém que eu não estava esperando, e por algum motivo despertou-me algo bom. Algo que é sólido e seguro, como Joe. "Como foi com o Cohen?" Meu coração acelerou em umas batidas. Pensei que ele não me mandaria mensagem, pensei que nem quisesse falar comigo. Pela manhã sequer tivemos tempo, por isso fui pega de surpresa com sua preocupação. "Não fui demitida então... acho que até agora está tudo bem. Pelo menos, enquanto ele não souber que era eu." Respondi bloqueando minha tela e deixando o celular na mesa, não esperava que sua resposta viria tão rápido. "Ele não sabe?" "Não. E se depender de mim nem vai saber." Respondi mordendo o lábio inferior pensando nas palavras do Cohen. "Joe, eu queria me desculpar por ter te deixado esperando naquela noite." Mandei tudo de uma vez, não soltei meu lábio enquanto Joe não me respondeu. Até a respiração eu prendia. "Não se preocupe. Depois de algumas horas plantado no mesmo lugar, eu percebi que tinha ido embora. Isso nem foi tão frustrante quanto esperar por uma mensagem sua, pelas próximas vinte e quatro horas. Achei que eu tinha superado, até te ver." Suspirei aliviada, reprimindo um sorriso. "Me ver? Sério? Não pareceu, você praticamente me expulsou da cafeteria com medo de que Cohen viesse atrás de mim". Ri sozinha e ao levantar meu olhar, encontrei Holly me encarando. — Tá falando com quem? — Perguntou arqueando uma sobrancelha. — Joe. Ele é um fofo! — Respondi deixando o celular de lado novamente. Um sorriso bobo não saia dos meus lábios. — Fofo demais pro meu gosto. Vem cá, ele sabe sobre você e o Cohen? — Não, claro que não. Estamos nos conhecendo e, de verdade, o evento nem era o lugar adequado para um encontro. — Isso soa quase como um relacionamento. — Resmungou em uma careta aversiva. — Essa sua aversão por relacionamento soa quase como minha aversão por aventuras que colocam minha estabilidade em perigo. E mais do que uma transa de uma única noite, eu sinto algo próximo de estável falando com ele. Gosto disso. "Eu adoro a facilidade que você tem de me fazer rir em momentos inapropriados". Chegou enquanto eu sorria da expressão de desespero da Holly. "Espero não ter te colocado em uma situação agora". "Você me colocou. Eu geralmente não sorrio tão facilmente assim, e isso me coloca em uma posição, na qual minhas desculpas não apagam o que homens engravatados de frente pra mim acabaram de ver". Gargalhei imaginando a cena, contrariando apenas o fato dele não sorrir facilmente, pois Joe sempre estava sorrindo quando eu chegava na cafeteria. "Então não envie mensagens enquanto trabalha". "Não estou trabalhando, estou almoçando, e você?" Com homens engravatados? Talvez de frente para eles, talvez sozinho, por isso a estranheza em rir alto dependendo do ambiente. "Também". Respondi apenas. "Sozinha ou acompanhada?". "Acompanhada". Joe não respondeu mais nada depois. E meu almoço encerrou com minha amiga trocando números com o rapaz da mesa ao lado. O que significava que ela provavelmente não dormiria em casa hoje. ⚜ Voltei ao meu trabalho muito antes de Cohen, ele não me avisou que permaneceria fora então fui obrigada a desmarcar alguns compromissos de última hora, graças a sua ausência. Reuniões de pequena importância, e visitas que deram de cara com uma porta fechada. Uma delas me pegou de surpresa, completamente inesperada e indesejada como sempre, Drizella surgiu batendo seus saltos irritantes no mármore. Ela parou de frente para mim com seu nariz empinado e a postura irritantemente superior. — Cohen me mandou vir buscar algumas coisas na sua sala. — Despejou sem um mísero oi. — Ele não deixou nada avisado. — Ela revirou os olhos e vasculhou seu celular. — Ele previu que você diria isso, e me mandou mostrar a mensagem. — Disse virando o celular para mim. Ela tinha o nome do Cohen salvo e algumas instruções do que ela precisaria fazer na sua sala, pontuando no final, que ela deveria mostrar essas mensagens a mim, caso eu barrasse sua passagem. — Tudo bem. — Falei, levantando-me para abrir a porta para ela. Drizella estava estranha, mais irritada do que o habitual. Andou em passos firmes e barulhentos para dentro da sala enquanto eu segurava a porta, e foi direto para a mesa de Cohen, procurar seja lá o que for, mas parou no meio do caminho, avistando assim como eu, a caixa branca do vestido sobre a mesa de centro, na sala de estar. — O que é isso? — Perguntou mudando seu caminho em direção a caixa. — Não foi isso que ele pediu pra você. — Para de ser chata gata borralheira, só vou olhar. É um Stella Valencio. — A nota esperançosa em sua voz fez nascer em um interior bem profundo, algo parecido com ciúmes. — Drizella! — Tentei avisar, mas ali estava ela, abrindo a caixa e se deparando com o vestido. Sua expressão mudou para uma fúria colossal. Sua pele de tão pálida ficou incrivelmente vermelha. — v***a! — Resmungou. — Como é? — Você não, a v***a que estava usando esse vestido na festa! — Então me senti duplamente ofendida. — Como ela ousa mandar isso aqui? Que tipo de provocação é essa? Cohen já viu esse absurdo? Um sorriso cínico surgiu em mim. Nunca fui vingativa, mas por Deus, Drizella merecia. — Já sim, foi ele quem comprou. — Falei, como quem não queria nada — Como é que é? — Cohen comprou esse vestido. Ele está atrás da mulher que usou ele no evento da Archer. — Por que? Por que ele faria isso? — Olha, não sou de fazer fofoca, você sabe, mas parece que os dois quase transaram naquela noite, e Cohen jurou que encontraria ela para terminar o que começou. — Cochichei propositalmente. — Você só pode estar ficando maluca. — Não estou não. Ele até me pediu ajuda, mas, tudo o que sei é que ela está mais perto do que ele imagina. — Provoquei. — Isso não pode acontecer. Essa v***a não vai colocar as mãos no Cohen! — As mãos? — Indaguei com ironia, lembrando que a última coisa que Cohen me deixou usar naquela noite foram as mãos. — Acho que ela colocou muito mais que isso nele, ou ele nela, não sei direito. Só sei que ele está obcecado. — O que foi que ele te disse? — Perguntou em desespero. — Que não vai parar, até ter ela de novo dentro desse vestido… — Foi minha vez de baixar o tom de voz, até estar brandamente superior. — Para então poder ele mesmo tirar, ao sons do gemido dela. — Isso não vai acontecer. — Cruzei os braços com um sorriso vitorioso de canto. — Acho melhor você nem tocar nisso, ele m*l deixou eu ver. — Era meu instinto de posse falando. — Eu não tenho medo dele. Você deve ter, e com razão, assim como essa v***a deveria ter também. Eu pensei que ele estava vendo sangue e bebendo ódio por ela, não juras de prazer. — Infelizmente eu só respondo por mim. — Sua risada foi quase triunfal, se não estivesse tão nervosa. — Cohen não vai encontrá-la. — Nunca apoiei tanto Drizella em toda minha vida. — Não se quem eu acabei de ver, encontrar primeiro. — Como é? — Perguntei inexpressiva. Outra risada. — Cohen não é o único procurando pela v***a de prata, e quando encontrarem primeiro, Cohen vai desejar cortar o próprio m****o, ao lembrar que já esteve duro por ela. — E eu que pensei que Holly fosse escrota. — Pensei alto. — Grave essas palavras, Anya, essa v***a vai sumir do mesmo jeito que apareceu, entre fumaças! Esperei que ela saísse logo após pescar algumas pastas encima da mesa de Cohen, para então me sentar ao lado da maldita caixa branca encarando o vestido causador de todos os meus problemas. Bufei jogando minha cabeça para trás, assumindo minha impaciência e exaustão emocional. Não aguentava mais toda essa pressão. Essa corrida contra o tempo. Só queria que seis meses passasse em um dia, para eu poder me formar, voltar pra casa e finalmente começar minha vida. Sem mentiras, sem se esconder de ninguém. Quero apenas ser Anya e verbalizar o quanto eu amo meu irmão, sabendo que ele escutaria minha voz. Sabendo que eu poderia proporcionar descanso aos meus pais, e um futuro melhor para Tom. Eu queria muito, e me dói saber que esse muito... é o mínimo!
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