Capítulo 02.

2117 Words
Lá estávamos nós, no banheiro nos trocando. Letícia: — Quase que eu não participo da aula de hoje. Sara: — Por que? Bruna: — Ela quase esqueceu o shorts no varal - rimos. Letícia: — Não foi minha culpa, ele estava secando e eu me esqueci disso. Alexa: — Vamos, antes que a gente leve bronca. Saimos do banheiro e eu dei de cara com o Caíque que estava em frente ao banheiro feminino. Caíque: — Pensei que estavam retocando a maquiagem, pela demora. Alexa: — Foi m*l aí, ajudante do professor - ergui a sobrancelha. Caíque: — Eu tenho nome sabia? - disse ao pé do meu ouvido. Alexa: — Eu não me importo, sabia? - sorri irônica e fui em direção a quadra. Letícia: — O que foi aquilo? Alexa: — Aquilo o que? Bruna: — O clima entre vocês dois, um clima tenso é lógico, mas um clima. Alexa: — Não teve clima nenhum, com ou sem tensão. Sara: — Ele sabe que você é vizinha dele? Alexa: — Não. Letícia: — O irmão dele sabe? Alexa: — Também não, eu me mudei tem 2 semanas, eles nunca me virão. Sara: — Deveria contar pra ele. Alexa: — Pra que? Vou chegar nele e dizer " oi sou sua vizinha, quer ser meu amiguinho?" Bruna: — Não seria uma má ideia. Alexa: — É uma péssima ideia. Nosso professor estava no meio da quadra, Saulo é o nome dele, ele já namorou a minha mãe, a alguns anos atrás, mas não deram certo, depois disso ele namorou outra mulher e se casou com ela e agora tem duas filhas gemas a cara dele. Mas ele ainda é muito gentil comigo. Ele foi ao enterro da minha mãe, me deu um abraço e como todos os outros, disse palavras na tentativa de me confortar. Professor Saulo: — Como vocês já devem ter visto, ou ouvido falar, agora eu tenho um ajudante, o nome dele é caíque, e ele vai ajudar vocês nas aulas de vôlei e de futebol. O professor montou as equipes, nos mostrou algumas jogas e depois nos deixou jogar. Era minha vez de sacar, fiz do jeito que aprendi e ela foi parar no meio da quadra do outro time. Caíque: — Boa jogada, foi leve, com um bom salto. Olhei pra ele e dei um sorriso forçado e irônico. Caíque: — O que eu te fiz, parece que você não gosta muito de mim. Alexa: — E sou obrigada a gostar de você? Caíque: — Suas amigas parecem gostar batente de mim, não param de olhar. Alexa: — Elas se deixam enganar pelo seu rostinho bonito. Caíque: — Então acha meu rosto bonito. Alexa: — Te acharia intensamente se não passasse de um rosto bonito. Caíque: — Não sabe nada sobre mim - disse erguendo a sobrancelha. Alexa: — E não estou nenhum pouco interessada em saber. Deixei ele falando sozinho e fui em direção a bola. Senti o impacto do meu corpo no chão, e senti meu pulso doer muito. Abri os olhos e vi que estava todo mundo em minha volta. Caíque: — Abre espaço, abre espaço - se abaixou até onde eu estava - Você está bem? Alexa: — Acho que desloquei meu pulso. Caíque: — Tudo bem vou te ajudar. Ele me puxou do chão, me levou até a enfermaria da escola, a enfermeira enfaixou a minha mão, disse que eu deveria tomar um relaxante muscular que iria ajudar na dor. Sai da enfermaria, Caíque estava sentado do lado de fora. Caíque: — Tá melhor? Levantei o pulso na altura dos seus o olhos e fiz uma cara de irônica. Caíque: — De nada. Alexa: — Não pedi sua ajuda. Caíque: — Não custa me agradecer. Alexa: — Da pra você parar de se achar a última bolacha do pacote? Caíque: — Da pra você parar de me tratar assim? Alexa: — Para de cruzar o meu caminho que eu vou precisar te tratar de nenhuma forma. Caíque: — Vai ser um prazer. Voltei pra sala, arrumei minha bolsa e esperei o sinal bater. Letícia: — Você pagou, por 5 segundos. Alexa: — Eu sei. Bruna: — Isso é normal? Sara: — Ela sofreu uma batida com um outro corpo e depois despencou no chão. O sinal bateu. Saímos da sala e depois passamos pelo portão da escola, Caíque estava encostado no seu cerro de luxo esperando o seu irmão, Carolina também estava do outro lado da rua me esperando. Letícia: — Você vai ao médico? Alexa: — Pra que? Bruna: — Pra ver o seu pulso. Alexa: — Não, só se ele não parar de doer, depois a gente se fala, tenho que ir, tenho terapia hoje. Sara: — Tchau. Alexa: — Tchau. Atravessei a rua, fui em direção ao carro, coloquei minha bolsa no banco de trás e me sentei no banco do carona. Carolina: — O que houve com a sua mão? Alexa: — Torci na aula de educação física. Carolina: — Quer ir ao médico? Alexa: — Não precisa. Carolina: — Tudo bem então. Ela me levou pra terapia, assim que eu entrei assinei a lista da recepção, a médica que cuida de mim, se chama Luciana, faço terapia desde a morte da minha mãe, essa já é a nossa terceira sessão. Luciana: — Olha só quem chegou, entra querida. Entrei e fechei a porta... Depois da sessão fui em direção ao carro, Carolina estava do lado de fora brincando com o pequeno Benjamim, ela deve ter ido buscar ele enquanto eu estava lá dentro. Fomos embora, o o pequeno foi na cadeirinha no banco de trás, assim que chegamos me troquei, e desci pra comer alguma coisa. Carolina estava na sala brincando com o Benjamim, enquanto treinava inglês. Alexa: — Mil y una funciones de mujer. Carolina: — Isso não é inglês, é espanhol. Alexa: — É eu sei - ri. Comi e voltei pro quarto, fui ler uns livros, livros que eram da minha mãe, romances, poemas, poesias, coisas que ela amava, e agora eu também amo. A noite chegou e eu tomei um banho quente, coloquei meu pijama, vou até a janela pra fechar. Não era como se eu quisesse olhar, mas de repente, lá estava ele passando só de toalha, ele olhou pra frente e eu me escondi no canto da parede atrás da cortina, fechei com tudo e desci pra jantar. Depois do jantar escovei os dentes e fui dormir. Acordo sentindo um carinho na bochecha. Abro olhos e vejo o meu pai, ele sorri. Pai: — Desculpa querida, volte a dormir. Alexa: — Está tudo bem? Pai: — Está sim querida, só volte a dormir, queria te ver antes de sair. Alexa: — Bom trabalho, papai. Pai: — Te amo - ele me deu um beijo na testa e saiu. Ouvi o barulho da porta fechando, me virei de lado e voltei a dormir. Acordo com o som do despertador. Levanto da cama num pulo, minha mãe dava aula numa escola pra crianças pequenas, então eu tinha que estar pronta sempre no horário pra não atrasar ela, e se eu resolver dormir mais 5 minutinhos ela entrava no quarto e dava um grito que parecia sacudir as quatro paredes. Sinto tanta falta dela, que as vezes até me falta ar. Vou pro banho, depois escovo os dentes e visto a minha roupa, arrumo a minha bolsa conforme as aulas de hoje, geografia, matemática e português, duas de cada. Desci com a minha mochila, meu celular e fones de ouvido na mão. O café já estava a mesa, Carolina estava esfriando o leite do Benjamim, por mais que ele tenha baba, ela ainda gosta de fazer todas as coisas dele, mas nem sempre é possível, já que ela voltou a estudar. Me sento e tomo meu café, depois subo pra escovar os dentes, passo em frente a janela e vejo o Caíque, encostado nela olhando pro nada. Escovo os dentes e desço. Carolina: — Está pronta? Alexa: — Sim. Carolina: — Então vamos. Entrei no carro, coloquei a bolsa no banco de trás, hoje de manhã tirei a faixa da minha mão, que já não está mais doendo tanto e não está inchada. Carolina: — Sua mão está melhor? Alexa: — Está sim. Carolina: — Que bom. Tem problema você me acompanhar até o shopping hoje? Depois da escola? Alexa: — Não tem problema nenhum. Carolina: — Ah, que bom, eu vi que tinha umas toalhas em promoção então resolvi que quero passar lá pra dar uma olhada. Alexa: — Tudo bem. Carolina: — Então tá bom, nos vemos depois da aula. Alexa: — Combinado. - desci do carro. Fui até o banco de trás e peguei minha mochila, fui dar tchau para a Carolina que estava com o vidro abaixado. Carolina: — Aquele ali não são os nossos vizinhos? Alexa: — São sim, Caíque e Thiago. Carolina: — Pensei que o mais velho fosse formado já. Alexa: — E ele é, mas acho que ele fez m***a da faculdade e agora está aqui pra se redimir de alguma forma. Carolina: — Entendi. Até mais tarde querida. Alexa: — Até. Atravesso a rua e vou em direção às meninas. Bruna: — Você estudou pra prova de geografia né? Merda, a prova de geografia. Sara: — Tá de brincadeira, é hoje? Letícia: — Eu também não estudei. Alexa: — Bruna, vai ter que nos salvar nessa. Bruna: — Eu juro que eu vou tentar. Letícia: — É por isso que eu te amo. Bruna: — Pensei que era porque somos primas. Letícia: — Ah, por esse motivo também - rimos. Fomos pra sala de aula, e pra nossa infelicidade, as duas primeiras aulas eram de geografia, a professora pediu pra trocar com o professor de matemática só pra ter certeza que não íamos arrumar um jeito de colar, o que pelo visto me complica muito. Depois da prova a professora nos deixou sentar juntos. Bruna: — Como vocês acham que foram? Alexa: — Meu primeiro 0 do ano vem aí, com certeza. Sara: — Acho que acertei a metade, que seria 5 que ainda é uma nota vermelha. Letícia: — Nem me arrisco a dizer quantas eu acho que acertei. Bruna: — Também não sei como fui, não estudei nada do que caiu, isso foi uma pegadinha e tanto. O sinal bateu, a aula dela acabou. Quando bate o sinal, nós ficamos dentro da sala, enquanto os professores trocam de sala. No início meu pai queria me por numa escola particular, mas ele viu o quanto as meninas são importantes para mim, quando minha mãe se foi, passei três dias na casa da Letícia, eu não conseguia dormir, comer, parecia que eu só existia, m*l falava, Letícia com todo o seu amor e a sua atenção, fez com que eu voltasse a ser normal, ou pelo menos tentar, já que nunca mais vai ser a mesma coisa, sem minha mãe aqui. Depois de ter uma aula de matemática o sinal bateu, então fomos para o refeitório, Caíque estava sentado no canto da quadra, quieto mexendo no celular, Thiago estava dentro do refeitório, aonde eu também estava. Depois do almoço, fizemos o mesmo de sempre, demos uma volta na quadra, andando e falando m*l da vida alheia, é o que sempre fazemos. Bruna: — As vezes eu penso que ele é triste por dentro. Alexa: — Caíque? Sara: — Ele tem tudo o que quer, como ele pode ser triste? Alexa: — As vezes o problema está dentro, a falta de algo, ou de alguém. As meninas me olharam, elas entenderam o que eu quis dizer, hoje não tá sendo um dia fácil, dias assim são muito bons quando acabam, mas hoje eu tenho que sair com a Carolina, já que eu prometi a ela. O sinal bateu e voltamos pra sala, última aula de matemática e então, depois será de português que hoje está no lugar da de geografia que foi mais cedo. Fomos cada um pro seu lugar. Eu só queria que o sinal batesse logo, eu já estava ficando com fome. Bruna: — Gente olha aquilo. - ela apontou pra janela. Era o Caíque, sem camisa, coisa que eu já tinha visto antes, todo o corpo dele bem definido, isso que eu chamo de disciplina na academia, pelo menos em algum lugar né. Thiago: — Vocês e toda as meninas dessa escola babam no meu irmão, ele nem é tudo isso. Alexa: — Tá aí uma coisa que concordamos - ri. O sinal bateu, a última aula acabou, agora é hora de ir embora, ou melhor, agora é hora das compras. Fomos direto pro shopping gastar dinheiro.
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