— Mas só para deixar claro, — Max começou, desprendendo seu cabelo do coque desajeitado em que estava. — Você não precisa ficar com a gente se não quiser.
— ãhm... Ainda bem? Não achei que iriam me forçar a nada mesmo. — Adeline arqueou uma das sobrancelhas, fazendo ele rir e assentir com a cabeça. Max ergueu uma das suas mãos e agarrou o cabelo ruivo de Adeline com cuidado, segurando-o com o punho e levantando até o topo da sua cabeça. O toque fez um arrepio cruzar o corpo da garota, como se fosse eletricidade estática. Ela trincou os dentes e apertou levemente os dedos de Beau, que ainda estavam entrelaçados nos seus.
— Você provavelmente não percebeu, mas tem uma marca idêntica aqui na sua nuca. — Max sussurrou, quase roçando os lábios na sua orelha.
— Sério? — Adeline tocou a parte de trás do pescoço com os dedos, e embora não conseguisse ver nada, conseguia sentir a pele formigando com a proximidade dos dois homens, exatamente como havia acontecido na oficina.
— aham. Só que um pouquinho menor.
— E... O que vocês querem de mim? Essa marca apareceu em mim e tal, mas a gente sequer se conhece!! — Adeline mudou cuidadosamente de assunto, sentindo suas bochechas arderem um pouquinho só de pensar nisso. Como diabos eles queriam que isso acontecesse? Com Adeline e os dois... Ao mesmo tempo? O simples pensamento foi o suficiente para fazer seu coração dar um salto, então ela se repreendeu e disse à si mesmo para não pensar nisso.
— Verdade. Então por isso queríamos que você ficasse aqui com a gente por uns dias, e caso resolva ir embora, vamos aceitar de bom grado e a ajudaremos a ir para onde quiser. — Beau disse, fazendo Adeline morder o lábio e pensar um pouquinho sobre isso. Eles estavam pedindo uma oportunidade de conquista-la? Era isso? Definitivamente parecia alguma coisa que aconteceria em um livro ou algo assim. Adeline queria rir da incredulidade disso tudo, porque ter dois lobisomens gostosões tentando chamar a sua atenção com com certeza não era algo que ela estivesse esperando acontecer.
Depois de pensar por alguns instantes, Adeline percebeu que ficar alí era melhor do que andando às cegas pelo país, fugindo de algo que sequer sabia o que era — ou se sequer havia algo de que fugir —, além de que foi um erro ter feito o que Onyx havia mandado e deixá-lo para trás.
— Cadê a caminhonete do meu irmão? — Ela se lembrou subitamente de que havia sido carregada nos braços, NUA, e que o carro tinha ficado na clareira ao lado do riacho.
— Max à trouxe para cá. Ela está estacionada do outro lado da colina. — Beau explicou, inclinando a cabeça para o lado e apontando para os chalés. Adeline pressupôs que o carro estivesse estacionado do outro lado deles, então, e por isso não havia o visto em lugar nenhum. — você... Quer falar um pouco para a gente sobre você? para onde estava indo, onde mora? Como está tão familiarizada com o sobrenatural? — Ele continuou de forma casual, e embora fossem muitas perguntas, não soou como se a estivesse interrogando, mas sim perguntas por curiosidade que poderiam não ser respondidas caso Adeline não quisesse.
— Tenho vinte anos e moro numa cidadezinha no deserto de Chihuahua, à uns trezentos quilômetros daqui... — Adeline começou, mas percebeu que eles não entenderiam caso começasse à explicar o porque de estar fugindo, então ela começou do começo, explicando sobre sua mãe, sobre ser uma meia-vampira, sobre o irmão, sobre como ele caçava vampiros, sobre seu pai, sobre os últimos acontecimentos que acarretaram a sua saída de casa e por ter ido parar alí. Beau e Max ouviram tudo atentamente, se segurando para não fazerem mais perguntas e não à interromper. Demorou quase uns quinze minutos para explicar todos os pontos, mas quando enfim terminou, ou silêncio um tanto confortável se instalou no lugar.
— Quer dizer que você é meio-vampira?! — Max exclamou, completamente impressionado, agarrando de forma gentil o rosto de Adeline com as duas mãos e a fazendo encara-lo, antes de simplesmente tocar seus lábios pequenos com o polegar, abrindo-os para mostrar as presas, que estavam completamente humanas.
— Ei!! Você tem o costume de enfiar o dedo na boca dos outros?! — Adeline tentou dar um tapa no homem, que desviou um milissegundo antes e quase caiu do banco, soltando uma gargalhada alta e agarrando o pulso da garota para impedi-la de tentar lhe dar outro tapa.
— Desculpa, princesa. — Ele ronronou, erguendo a mão dela para dar uns beijinhos nos seus dedos pálidos e repletos de sardas, deixando Adeline completamente atônita com o quanto eles demonstravam afeto sem mais nem menos. Deveria ser coisa de lobo. Era como se fosse dois cachorrões fofos, enquanto vampiros eram gatos malcriados, metaforicamente falando.
— Ei. Estou me sentindo excluído aqui. — Beau fez um biquinho engraçado que não combinava em nada com sua expressão calma e um pouco retraída. Ele era tão lindo que olhar para ele fazia um calor subir pelas pernas de Adeline, que também sentia o mesmo quando olhava para o irmão dele. As coisas estavam acontecendo rápido demais. Definitivamente rápido demais. ela os conhecia à mais ou menos umas vinte e quatro horas, mas mesmo assim já sentia uma súbita simpatia e carinho pela dupla, embora não soubesse dizer exatamente o porque. Eles eram lindos? Sim, mas não eram os únicos caras lindos que ela já havia encontrado.
— Quer enfiar o dedo na minha boca também, é? — Adeline arqueou a sobrancelha.
— Sim. — Ele respondeu, dando de ombros, sem esperar um segundo sequer, fazendo a garota arregalar os olhos, porque apesar de um pouco calmo, os olhos pretos de Beau indicavam que não era bem os dedos que ele queria colocar na sua boca.
— Hahaha. Que engraçadinho ele é. — revirando os olhos, Adeline deu um soco no braço dele, o que sequer o fez fazer uma careta de dor. Ela encarou por longos segundos o rosto de Beau, sentindo os dedos de Max tocar algumas mechas do seu cabelo. Além daquela daquela cicatriz que havia no seu nariz, Beau tinha outra bem pequena no queixo, uma na sobrancelha que deixava uma falha quase invisível entre os fios e uma na bochecha esquerda. Ela já o havia visto sem camisa e lembrava perfeitamente que as maiores ficavam no seu peitoral e nos braços. Adeline se perguntou se seria mancada perguntar sobre elas, mas ao notar o seu olhar de curiosidade, ele explicou com calma:
— Lutas são frequentes entre os lobisomens, e cicatrizes são um sinal de força e resistência.
— Pois é. Eu também sou bom de luta, mas meu irmãozinho aí é o melhor de todos. — Max disse, apoiando o queixo no ombro de Adeline e encarando o irmão. Ele era bem atrevidinho para o seu gosto, então a garota lhe deu uma cotovelada entre as costelas, arrancando um grunhido baixinho de Max, mas ele permaneceu inclinado sobre ela com um pequeno sorriso no rosto, farejando o ar como fazia de vez em quando.
— Por que vocês ficam fazendo isso? Não consigo sentir nenhum cheiro. — Ela disse, vendo Beau começar a fazer isso também.
— Seu cheiro é bom. É doce e... Não sei explicar direito. — Max disse, fazendo Adeline ficar um pouquinho surpresa, pois nem perfume ela havia passado, até porque estava no meio do banho quando os dois apareceram. Ela resolveu ignorar cuidadosamente esse pensamento, pois pensar nesse fático acontecimento causava arrepios pela sua pele de tanta vergonha.
— Me fale um pouco sobre vocês. Resumi minha vida inteira agora pouco. É a vez de vocês. — Disse, cruzando as pernas e procurando uma posição mais confortável no banco, além de dar um tapinha na mão de Max assim que ele tentou jogar o braço por cima dos seus ombros.
— Você resumiu seus problemas, princesa, não a sua vida inteira.
— Minha vida é quase toda construída de problemas, com exceção do meu irmão e dos meus avós. E não vem ao caso agora. Quero saber sobre vocês. — Disse, tentando não soar sarcástica, mas sim tranquila.
— Bom... Eu tenho tenho 27 anos. Max tem 28. Nós nascemos em uma cidadezinha nas montanhas do Colorado, mas nossos pais nunca ficaram em um lugar por muito tempo. Eles se juntaram a uma matilha quando tínhamos onze e doze anos, então meu pai se tornou o alfa dela.
— Acontece igual à alguns clãs de vampiros, Onde quem mata o líder vira o alfa? — Adeline perguntou, mas os dois negaram rapidamente com a cabeça.
— Nah, com a gente não é assim que funciona. Ou você nasce para ser alfa ou não nasce. Não tem como se tornar um alfa matando um de nós. Um beta ou ômega pode até liderar uma alcatéia por algum tempo, mas assim que um alfa aparecer, ele assumirá a liderança. — Max explicou, então a garota assentiu levemente com a cabeça.
— Nós dois somos os alfas desde que nosso pai morreu. As coisas vão bem, apesar de ter alguns desentendimentos vez ou outra entre alguma membros da matilha, mas isso é normal entre lobisomens. Nós passamos alguns fins de semana aqui na colina vez ou outra. — Beau disse, apoiando os braços no banco e observando o enorme lugar gramado, lançando ocasionais olhares para a garota ruiva.
— Onde fica esse lugar? — Adeline questionou, encarando a colina imensa e percebendo que havia até uma piscina depois do último pequeno chalé. Algumas árvores frutíferas estavam espalhadas aqui e alí por todo o terreno, além de coqueiros com luzes presas no topo deles, como se fossem postes.
— É uma propriedade privada nossa. Fica dentro da floresta, à uns vinte quilômetros de distância autoestrada. — Max explicou, antes de olhar por cima do ombro e abrir um pequeno sorriso. — Quer dar uma volta para ver o lugar?
— Claro. — Adeline disse, então os dois caras levantaram do banco e esperaram pacientemente ela fazer o mesmo, antes de começar a conduzi-la pelo gramado em passos tranquilos, cada um de um lado seu. Eles eram tão grandes que Adeline só conseguia chegar até os seus peitorais, precisando inclinar bem a cabeça e olhar para cima se quisesse encarar seus rostos.
O trio passou por aquela pilha de madeira que Beau estava juntando, que Adeline pressupôs ser para cortar em pedaços menores e fazer lenha, pois havia um machado do lado. Ao chegarem nos chalés, Max explicou que o último do lado direito era o dele, o do meio de Beau e o da esquerda era aquele em que ela estava. Os três haviam sido construídos por eles próprios alguns anos atrás, e que o lugar ficava afastado de qualquer outra propriedade porquê eles gostaram de ter privacidade, principalmente durante a lua cheia.
Do topo da colina dava de ter uma visão ampla de todos os lados, e a caminhonete de Onyx realmente estava estacionada alguns metros atrás dos chalés. A propriedade era um grande círculo meio irregular, como uma espécie de clareira gramada cercada por uma cerquinha de estacas de madeira cuidadosamente cortadas para que ficassem do mesmo tamanho. Ao lado da velha caminhonete de Onyx estava estacionado outros dois carros absurdamente chiques e novinhos. Adeline definitivamente não entendia de carros, mas sabia que eram duas Hilluxs, uma prateada e outra vermelha.
Havia também uma estrada de terra na parte de trás da propriedade, ela era estreita e terminava em um portão de madeira parecido com o da fazenda dos seus avós, exceto que esse era maior e pintado de branco.
— É lindo. Vocês tem até piscina. — Adeline comentou, apontando para a enorme piscina retangular que havia à poucos metros. Ela era cercada por algumas lajotas brancas para que a grama não crescesse até a borda dela, além de ter algumas espreguiçadeiras ao lado.
— foi o Max que insistiu. — Beau disse, revirando os olhos e apontando para o irmão, que deu de ombros e abriu um sorriso angelical. Adeline achou bastante fofo a relação dos dois, que eram um completo oposto um do outro em questão de personalidade, como se complementassem um ao outro em todos os sentidos.
— Mas então, você topa ficar aqui com a gente por uns dias? Se não conquistarmos você em uma semana, não tocaremos mais no assunto. — Max disse, apoiando o cotovelo no ombro do irmão. Adeline engoliu em seco e alternou o olhar entre eles, sentindo os dois encararem de volta com aquela intensidade sobrenatural. Ela não sabia como funcionaria isso ou até onde iria parar, mas era apenas uma semana, não era? Depois de sete dias ela iria voltar para casa e procurar o irmão, nem que fizesse isso sozinha.