O chalé maior era o único que possuía uma cozinha, e após às 12:00 horas, Beau preparou o almoço, já que era no seu chalé que ficava a cozinha — Além disso, Max definitivamente não era o irmão que parecia saber cozinhar —. Havia uma varanda na parte de trás dos chalés, e foi justamente para lá que os dois rapazes conduziram Adeline para o almoço, onde havia uma mesa de madeira retangular e um tanto rústica. A garota não fazia ideia de como Beau havia preparado aquilo tudo em meia hora, pois além de arroz, Strogonoff e bife assado, também havia salada e batata palha em duas tigelas de vidro.
A comida de Beau era absurdamente deliciosa, e enquanto colocava a sua própria comida no prato, a barriga de Adeline fez o favor de roncar e lembrá-la que já havia feito dias desde a última vez que havia feito uma refeição descente e não apenas comido salgadinhos e biscoito recheado. Enquanto comiam, Beau e Max faziam algumas perguntas aleatórias para Adeline, que respondia da melhor forma possível, além de fazer várias perguntas também.
Já passavam das 1:30 da tarde quando Adeline disse que precisaria fazer uma ligação, então os rapazes confirmaram levemente com a cabeça e à acompanharam até o chalé em que suas coisas estavam, antes de irem para os seus respectivos chalés, conversando e dando cotoveladas um no outro como um bando de crianças, o que fez Adeline revirar os olhos com força, para então abrir a porta de madeira e entrar no pequeno cômodo onde havia acordado pela manhã.
Adeline foi até a cama e pegou o seu velho celular, antes de liga-lo apressadamente, percebendo que o aparelho ainda estava quase totalmente carregado, o que a fez soltar um grunhido de alívio. Havia várias mensagens de alguns amigos e conhecidos, mas a garota ignorou completamente todas elas, fazendo uma nota mental para responder tudo isso depois. Ela procurou o número de Onyx — Encontrando-o sem muita dificuldade, pois estava fixado bem no começo da lista de números.
Adeline prendeu a respiração e clicou no botão verde, vendo o nome "CHAMANDO" brilhar na tela. Os segundos se passaram lentamente, exatamente como aconteceu nas últimas cem vezes que ela havia ligado para o irmão, mas quando estava prestes a desistir, a ligação foi atendida um segundo antes de cair na caixa postal, fazendo a contagem de segundos começar e arrancando um gritinho sobressaltado de Adeline.
— Onyx!! Onyx? Todo bem com você?! — Adeline se embaralhou com as palavras, abaixando o tom de voz à cada palavra dita até que não passasse de um sussurro. Um calafrio subiu pela sua espinha, ouvindo apenas a respiração do irmão do outro lado da ligação pelos longos segundos seguintes.
— Oi, Adeline. — Nyx sussurrou do outro lado, fazendo sua irmã tremer de alívio. Sentando na cama e aproximando o celular da orelha.
— Tudo bem com você, Nyx? Deu tudo certo? — Ela respondeu, mordendo o lábio com força de tanto nervosismo.
— Tô bem sim. Com Atticus também. Não conseguimos acabar com o vampiro desgraçado, mas estamos ilesos. — Ele disse de forma rápida e baixinha.
— Eu vou voltar para casa e...
— Não!! Não volta agora. Onde você tá? — Onyx a interrompeu bruscamente, sussurrando de forma quase inaudível, fazendo Adeline arregalar levemente os olhos, preocupada e um tanto nervosa.
— Eu... peguei sua caminhonete e sai da cidade, fiz alguns amigos e estou com eles agora. — Adeline disse, afastando um pouquinho o celular do rosto para observar a contagem dos segundos.
— São legais? Confiáveis?
— Acho... que sim.
— Fique com eles então, não volte ainda. — Onyx continuou, e além da sua voz, Adeline conseguia escutar alguns sons um tanto esquisitos do outro lado. A voz do irmão ecoava como se ele estivesse dentro de uma caverna, além de que havia também um leve farfalhar de passos.
— Nyx, tem certeza que está tudo bem? Eu vou voltar pra casa e...
— Não volte, Adeline. Por favor. — Ele Implorou, e antes que Adeline conseguisse responder, ele prosseguiu: — Vou ter que desligar agora. Mas vou te ligar de volta em alguns dias.
— Ei, espera...! — Adeline começou, mas ligação foi encerrada antes que ela conseguisse terminar a frase, Onyx desligou a ligação murmurando um "tchau" apressado. Ela soltou um grunhido e se forçou para não ligar novamente, porque sabia muito bem que ele não iria atender de novo.
Se ele atendeu a ligação, era um sinal de que ele estava vivo, pelo menos, não era?! Adeline sabia que não estava tudo bem pelo tom de voz dele, e que Onyx estava tentando cuidadosamente esconder seus problemas dela, mas da próxima vez que se falassem Adeline iria arrancar a verdade dele de uma vez por todas, então iria encontrar alguma forma de ajudá-lo com o que quer que estivesse o incomodando.
Adeline desligou o celular e se jogou no colchão, soltando um grunhido e fechando os olhos com força, antes de puxar os cobertores para cima do seu corpo. O dia estava bastante ensolarado e quente lá fora, mas o interior do chalé estava com um friozinho aconchegante por causa do revestimento de madeira. A garota fechou os olhos e tentou se concentrar no que deveria fazer dali para a frente. Será que voltar enquanto Onyx estava pedindo para ela não fazer justamente isso só iria piorar a situação? Será que ela realmente deveria ficar com Beau e Max por aquele tempo até que o irmão desse um sinal verde para que voltasse? Ou voltar só quando ele pedisse era o mesmo que coloca-lo em uma cova, pois ele só estava tentando mante-la longe para protegê-la?
Adeline soltou um grunhido e rolou pelo colchão macio, sem saber o que fazer. Continuar pensando nisso estava praticamente derretendo os seus neurônios, porque era inevitável sentir aquela onda de culpa que assolava o seu corpo, mas o que diabos eles poderia fazer? Bancar a heroína sempre era uma péssima ideia, principalmente quando ela não tinha nem uma arma ou método para ajudar o irmão, pois ela não passava de uma simples humana, independente do sangue do maldito vampiro. Adeline fechou os olhos com força, e mesmo que não estivesse com sono, forçou-se a não pensar em nada até que perdesse a consciência.
[•••]
Quando acordou do cochilo, Adeline esfregou os olhos e soltou um bocejo longo, antes de pular para fora da cama e ajeitar o vestido preto, que havia subido um pouquinho e estava preso no topo das suas coxas. Ela não sabia onde seus tênis estava — Provavelmente dentro da caminhonete ou foram deixados na clareira — E quando saiu de casa, fez isso de maneira tão rápida que sequer lembrou de pegar outro par de calçados e levar consigo, ficando apenas com aqueles em que estava calçada.
Descalça, Adeline caminhou para fora do chalé, fechando a porta logo atrás de si e percebendo que já era quase de tardezinha, pois o sol estava quase tocando a linha das árvores ao Leste da colina, banhando o céu e as nuvens brancas com tons que variavam entre amarelado, rosado, avermelhado e salpicos de lilás, contrastando perfeitamente com o céu azul.
A garota olhou ao redor, tentando ouvir sons que indicassem o lugar onde Beau e Max estavam, e depois de alguns segundos em silêncio, completamente focada na sua audição excelente, Adeline escutou vozes vindo da direita, além do último chalé. Ela tirou algumas mechas ruivas do cabelo que estavam caindo sobre os seus olhos e começou a caminhar até lá, sentindo a grama verdinha fazer cócegas entre os seus dedos e contra a sola dos seus pés.
Os dois homens estavam na piscina, e a situação em que estavam deixou Adeline meio atônita, porque eles não vestiam mais do que sungas. Max estava sentado na borda do outro lado da piscina, com as pernas dentro da água, enquanto Beau estava submerso até o peito e com os cotovelos apoiados na borda, de costa para Adeline e à pouco mais de um metro do irmão.
Max estava vestindo uma sunga vermelha, deixando completamente exposto aquele seu corpo lindo e úmido. Ao perceber a presença de Adeline, ele ergueu o olhar e abriu um pequeno sorriso maroto, não que isso a tenha impedido de continuar o secando. O cabelo preto e longo dele perdeu boa parte do volume por estar molhado, e o rosto dele era lindo de uma forma sobrenatural. Adeline desceu lentamente o olhar pelos ombros largos e arquejando com aquela quantidade absurda de pele marrom exposta. O peitoral dele era trincado, mas de um jeito atlético e nada exagerado, combinando com seus braços grossos e com algumas veias saltadas. Mesmo de longe, Adeline conseguia contar os gominhos do seu abdômen sem problema algum, dispostos em duas fileiras até o seu umbigo, onde aquela trilha densa de pelinhos negros começavam. A cintura dele era estreita e tinha aquelas marcas em formato de "V" que deixavam qualquer homem mais sexy do que já era. Elas desapareciam dentro da sunga vermelha, que além de marcar um negócio nada pequeno lá dentro, deixava completamente à mostra suas pernas grossas.
Ao notar a presença de Adeline, Beau impulsionou o corpo para a frente e sentou do lado do irmão, também erguendo o olhar para encara-la. Ele estava vestindo uma sunga branca — Que para a alegria ou pesar de Adeline, era grossa o suficiente para não se tornar transparente mesmo estando molhada —. A garota o encarou atentamente, assim como fez com Max, encarando cara milímetro do seu corpo lindo, cada cicatriz, cada músculo, cara pelinho gostoso...
— Gosta do que vê, princesa? — Max provocou, abrindo um sorriso lupino e mostrando seus dentes retos e brancos.
— não é de jogar fora. — respondeu, fingindo indiferença, enquanto apoiava o peso do corpo em uma das pernas e cruzava os braços, sentindo o olhar dos dois varrer o seu corpo. Ela deveria estar um horror, com o cabelo meio assanhado e o rosto amassado por ter dormido de m*l jeito, mas não se importou nem um pouco com isso.
— Por que não toma banho com a gente? A água tá bem gostosa. — Beau sugeriu, se espreguiçando vagarosamente.
— Não tenho roupas de banho. — Adeline respondeu, dando de ombros. Ela poderia muito bem usar a desculpinha de que não tinha protetor solar e a sua pele pálida não se dava muito bem em ficar exposta ao sol daquele jeito, mas sabia que eles provavelmente não iriam acreditar, além de que ser meio-vampira fazia com que jamais tivesse queimaduras de sol ou pele ressecada.
— Qual é, Adeline. A gente não se importa com isso. — Max murmurou, encarando-a com aquelas duas bolotas pretas. A garota se perguntou como algo poderia ser brilhante e pretos ao mesmo tempo como aqueles olhos, que sequer pareciam ser reais.
— E-eu... — Adeline começou, meio sem jeito. Ela tentou lembrar rapidamente de qual roupa íntima estava vestindo, e era um conjunto simples e novinho, na verdade. Uma calcinha e um sutiã preto sem que fossem chiques, rendados ou qualquer coisa do tipo. Ela mordeu o lábio e se perguntou se deveria ou não fazer aquilo, porque mesmo que soubesse ter um corpo consideravelmente bonito, ainda sentia um pouquinho de vergonha por mostrá-lo daquele jeito, principalmente se fossem para pessoas que conhecesse à tão pouco tempo, apesar dos rapazes lhe passassem bastante confiança e segurança.
Adeline soltou um pequeno suspiro e começou a tirar o vestido por cima da cabeça, como se fosse uma camisa, totalmente ciente do olhar de Beau e Max seguindo cada movimento seu. Ela se lembrou subitamente que eles já haviam visto bem mais que aquilo, fazendo uma onda súbita de vergonha tomar conta do seu corpo, enquanto rezava para que simplesmente esquecessem esses fáticos acontecimentos, assim como ela também deveria esquecer. Adeline colocou o vestido em cima de uma das espreguiçadeiras, antes de olhar para baixo e encarar o próprio corpo esguio. Cada centímetro da sua pele pálida era coberta por sardas, que assim como as de Onyx, eram espaçadas e concentradas em certos pontos em específico, incomodando-a um pouquinho — não que houvesse algo a ser feito sobre isso —. Os seus s***s não eram muito grandes nem muito pequenos, e Adeline gostava de como eram bastante empinados. Ela nunca havia feito academia ou algo do tipo, mas gostava do seu físico daquele jeito.
Adeline soltou um pequeno suspiro e deu dois passos na direção da piscina, ainda tentando propositalmente não fazer contato visual com os dois rapazes. Ela encarou a água azul e tentou descobrir se era funda ou rasa, e como o fundo parecia ser à no mínimo uns dois metros de profundidade, a garota prendeu a respiração e saltou para dentro dela, fechando os olhos antes que atingisse a água.