08

2148 Words
Os dois dias seguintes se passaram rapidamente, fazendo uma espécie de rotina se instalar na fazenda de Beau e Max. Adeline ajudava o mais novo na cozinha, assim como ajudava Max à lavar as roupas e limpar a casa, já que por mais que insistissem que não precisava, não era justo ficar sem fazer nada o dia inteiro enquanto eles faziam tudo, além disso, Adeline não era do tipo que esquivava de trabalho, pois era quem fazia a maioria das atividades domésticas na fazenda dos seus avós. Adeline não conseguiu mais entrar em contato com Onyx. Todas as ligações caiam na caixa postal e deixar mensagem de texto era praticamente inútil. A garota se agarrou ao fato de que ele disse que iria ligar novamente, então restava apenas esperar, ficando sempre com o celular por perto para o caso dele fazer isso. Não havia acontecido mais nada do que apenas alguns beijos entre Adeline, Max e Beau. Ela sentiu que não estava pronta para qualquer coisa à mais, e mesmo que já tivesse feito sexo casual algumas vezes antes, mesmo que ela gostasse bastante dos dois e se divertia com eles, era cedo demais para qualquer coisa. Adeline queria t*****r com os dois? Sim, Definitivamente sim, mas por enquanto estava satisfeita em continuar como estava. Na tarde de sábado, Adeline estava sentada na grama sob a sombra de alguns coqueiros, observando Beau de Max cortarem aqueles enormes troncos em pedaços menores. Eles estavam sem camisa, exibindo os seus dorsos musculosos e um tanto suados. A pele marrom e simplesmente linda brilhava sob a luz forte da tardezinha, pois o sol iria se pôr dali algumas horas. Além disso, era lua cheia. Max havia explicado que eles ficavam um pouco mais selvagens e propícios a se transformarem durante aquele dia em específico, mas que conseguiam facilmente controlar isso depois de anos passando pela mesma coisa. Adeline apoiou as costas contra o coqueiro e encarou as costas musculosas de Beau, que estava vestindo nada mais do que um calção fino. Com um simples e poderoso golpe de machado ele conseguia cortar os troncos ao meio sem esforço algum, como se estivesse cortando alguma coisa de plástico, e não um pedaço gigantesco de madeira. Max talvez conseguia fazer isso com a mesma facilidade, mas como ele estava do outro lado da enorme pilha de pedaços de madeira, Adeline só conseguia ver o seu rosto vez ou outra quando ele estava totalmente erguido, mas sabia que ele estava vestindo um daqueles calções de jogar futebol também. Os dois Definitivamente gostavam de provoca-la, fosse andando só de cueca por aí, ou com sorrisinhos maliciosos e frases com significados ambíguos. Adeline se pegou sorrindo ao lembrar de como eles eram divertidos e interessantes, além de olha-la para como se fosse o centro do universo. Adeline não era do tipo que daria falsas esperanças para alguém, assim como não gostaria que fizessem com ela. Mas com Max e Beau ela simplesmente... Não sabia o que fazer. Os dois seriam namorados perfeitos. Eles eram lindos, divertidos, carismáticos e completamente sexys, mas OS DOIS? Ela sabia muito bem que era possível, mas nunca havia pensado sobre isso, pois era medrosa e não gostava de ampliar horizontes e testar limites como seu irmão fazia — e talvez se fosse ele quem tivesse aparecido com dois namorados, ela sequer iria ficar surpresa—. Além disso, se achar uma pessoa compatível com você já era bastante difícil, quem dirá duas! A garota levantou rapidamente do gramado e começou a caminhar em direção aos chalés, percebendo que quando ficava sem fazer nada por muito tempo sua mente acabava divagando para questões ainda sem resposta, que só serviam para torrar seus neurônios um por um. Ela decidiu que iria preparar uma lasanha para o jantar, usando a receita hiper secreta da sua avó para fazer os rapazes ficarem de queixo caído, mas para isso ela precisaria ver se tinha todos os ingredientes e em uma quantidade considerável na cozinha do chalé de Beau, pois aqueles dois comiam de uma vez mais do que ela e Onyx comeriam em dois meses. [•••] Já passavam das 7:00 da noite quando Beau e Max apareceram naquela varanda atrás dos chalés, ainda úmidos por causa do banho e vestindo roupas leves. Beau vestia uma calça de pijama xadrez e uma camiseta branca, enquanto Max vestia uma uma regata preta e um calção azul escuro. Os dois calçavam chinelos e exalavam cheiros distintos, igualmente deliciosos. O do irmão mais velho era levemente amadeirado, misturado o seu cheiro másculo próprio, enquanto o de Beau era meio cítrico, também misturado com o cheiro delicioso que emanava da sua pele naturalmente. Eles estavam com seus cabelos úmidos soltos, fazendo as mechas onduladas que iam até seus ombros caírem como uma cascata ao redor dos seus rostos lindos. — Se sirvam, eu fiz lasanha. — Adeline disse, observando os dois caminharem na sua direção. Ela recebeu um beijo rápido de Beau e depois outro de Max, à fazendo suspirar profundamente e observa-los atacarem a comida como um bando de selvagens, o que a fez revirar os olhos profundamente, colocando os talhes do prato de cada um. Em menos de dez segundos, 80% da lasanha já não estava mais na travessa, mas sim dividida entre os dois pratos, o que a deixou completamente atônita, porquê era MUITA comida. A parte que restou na travessa de vidro daria para que Adeline comesse durante uns dois dias sem problema algum, e sob seu olhar surpreso, os dois safados simplesmente deram de ombros, e mesmo sem falarem nada, Adeline praticamente escutou um "o que foi, princesa?" Ecoando dentro do seu cérebro. Adeline colocou um pouco de comida no seu próprio prato e sentou na cadeira que ficava entre os dois. Ela vestia nada mais do que aquela enorme camisa em que acordou vestida no primeiro dia — embora ainda não soubesse de qual dos dois era — e um short Tactel folgado e confortável. — Caramba! Essa é melhor lasanha que já provei!! — Beau exclamou depois da primeira garfada, enquanto Max assentia freneticamente, sem tempo para falar enquanto enfiava garfada atrás de garfada na boca. A garota ruiva abriu um pequeno sorriso e deu de ombros, porque eles poderiam até sendo modestos, mas a lasanha feita com a receita seguida à risca da sua avó era definitivamente deliciosa, com bastante queijo entre as camadas de carne moída, molho na quantidade certa e o macarrão sem estar cozinhado ou cru demais. Adeline começou a comer também, sem presa alguma, conversando tranquilamente com os dois e sentindo o peso do seu celular no bolso esquerdo. Realmente estava muito bom, mas se tivesse um pouquinho mais de salsinha ainda iria ficar melhor ainda. Não demorou mais do que alguns minutos para que Beau e Max acabassem de comer e começassem a disputar pelo que ainda restava na travessa, fazendo a garota soltar um rosnado e dar um soco no ombro de Max, pegando o recipiente de vidro das suas mãos e dividindo aquela porção de lasanha em duas partes iguais, deixando que se virassem à partir daí. — Ela é mandona. — Beau disse para o irmão enquanto colocava a sua parte no prato, como se Adeline não estivesse do seu lado ouvindo-o falar dela. — Nah, eu gosto. — Respondeu o outro, fazendo Adeline soltar um rosnado e continuar comendo, porque se desse bobeira, aqueles dois esfomeados iriam acabar comendo a sua lasanha também. [•••] Depois das 10:00 horas, Adeline deu um pulinho no chalé em que estava hospedada e pegou um cobertor felpudo que estava sobre a cama, enrolando-o ao redor do corpo, porque o lado de fora estava com um friozinho gostoso. Ela caminhou até o lado de fora do chalé e observou a colina escura com calma. A uns trinta metros de distância dali, perto da linha das árvores, Beau e Max haviam feito uma fogueira grande com alguns pedaços da lenha que haviam cortado durante a tarde, além de terem espalhados uma toalha enorme e quadriculada à uns dois ou três metros de distância dela, onde estavam agora, conversando e encarando o fogo de forma tranquila. Enquanto descia a colina tomando bastante cuidado para não escorregar em alguma coisa no escuro, Adeline olhou para cima e encarou o céu repleto de dezenas de milhares de estrelas, que também tinha uma gigantesca e brilhante lua cheia. Durante as primeiras horas da noite haviam algumas nuvens cobrindo-a, mas agora todas estavam dispersadas. O som dos passos de Adeline fez os dois rapazes olharem por cima do ombro e o observarem enquanto ela sentava na toalha e se enrolava ainda mais no cobertor quentinho, deixando apenas a cabeça para o lado de fora. Ela encarou as labaredas dançantes por alguns instantes, antes de mover o olhar para os lobisomens que estavam em pé à uns dois metros de distância. Os dois estavam sem camisa e descalços, com os cabelos longos soltos e meio assanhados, e no lugar dos olhos pretos agora havia dois pares de olhos avermelhados de alfa. Eles não eram de um avermelhado fluorescente, mas sim uma cor bonita que era como um âmbar ou um mel que havia envelhecido por muito tempo e assumido uma cor meio avermelhada. Adeline também percebeu que as unhas de ambos estavam mais pontiagudas e grandes, como se fossem garras, além de estarem com olhares selvagens, como se estivessem se controlando cuidadosamente para permanecerem na forma humana. — Não vamos machucar você, princesa. — Beau disse, percebendo que ela estava encarando e provavelmente achando que ela estava fazendo isso por estar com medo. — Eu sei. — Ela respondeu, dando de ombros. Max observou os seus próprios dedos e tentou fazer as garras retraírem, mas sem sucesso com isso. — Ei, vocês não precisam tentar se esconder de mim dessa forma. Eu já vi os dois transformados antes, lembra? — E desmaiou. — Max pontuou, levantando uma das sobrancelhas. — Não vem ao caso agora. Eu estava no meio do nada e não sabia o que vocês eram, mas agora eu sei. — Adeline explicou, sustentando o olhar até que eles acreditassem que estava tudo bem e assentirem levemente com a cabeça, inspirando mais tranquilamente e pararem de se controlar. Era como se estivessem prendendo a respiração, porque assim que relaxaram novamente, as garras ficaram um pouco maiores, além de que suas presas cresceram e as orelhas ficaram um pouco pontudas, mas fora isso, continuavam perfeitamente iguais. Max e Beau de aproximaram de onde ela estava, antes de deitarem ao seu lado na toalha com os braços dobrados e suas cabeças apoiadas em cima deles. Os dois encararam o céu com admiração por longos segundos, focando na imensa lua cheia que brilhava de forma imponente contra o escuro do fundo, também repleto de minúsculos pontinhos brilhantes. Adeline encarou atentamente os dois, perguntando silenciosamente a si mesma como diabos poderiam ser tão safados e fofos, além de serem bonitos de uma forma sobrenatural. — Temos marshmallows. Você quer um pouco, princesa? — Max perguntou, girando a cabeça para o lado para conseguir encara-la. — Obrigada, mas não. Não cabe mais nada aqui. — Assim respondeu, também deitando na toalha entre os dois e jogando o cobertor sobre seu corpo, retirando algumas mechas do cabelo ruivo do rosto. A toalha em que estavam deitados eram bastante macia, além de que a grama por baixo amortecia bastante. A garota encarou a enorme fogueira por alguns instantes, ouvindo o som da madeira crepitar e estralar vagarosamente, fazendo uma torrente de pequenas fagulhas subirem pelo ar sempre que o crepitar era brusco o suficiente, de modo com que as fagulhas douradas subissem como se fosse um pequeno enxame de vagalumes. Beau e Max rolaram para mais perto de Adeline até que estivessem com seus corpos praticamente colados um ao outro, com a garota espremida entre os dois. O mais novo jogou o braço por cima do seu corpo e fez menção de agarrar sua cintura por cima do cobertor, mas após tatear levemente, ele arregalou os olhos e sentou na toalha, encarando-a com uma das grossas sobrancelhas arqueadas. — Você tá... Nua, princesa? — Perguntou, abrindo um pequeno sorriso provocador e mostrando seus dentes. Além das presas, os primeiros molares atrás delas também eram um pouquinho pontiagudos, deixando-o sexy pra caramba. — Não exatamente. — Ela respondeu, dando de ombros e ouvindo-o soltar uma exclamação. Max sentou do lado oposto ao do irmão e agarrou o cobertor. — Posso? — perguntou, encarando-a de uma forma provadora, e após Adeline assentir, ele puxou o cobertor para longe, deixando a lingerie vermelha e rendada totalmente visível, sem mais absolutamente nada cobrindo-a. Os dois a encararam por longos segundos, praticamente à devorando com o olhar. — p**a merda. — Max exclamou, enquanto Beau rosnava em concordância.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD