Não demorou mais do que um minuto para que Max e Beau chegassem até a borda da caverna, que na verdade era uma espécie de túnel espaçoso que seguia para dentro da montanha depois de uma curva brusca para a esquerda. Adeline estava apertando tanto o corpo do lobo preto com os braços e as pernas que achou que Max provavelmente estava com falta de ar. A encosta da montanha era tão ingrime que se não tivesse se agarrando ao lobisomem com todas as forças, ela iria despencar e se estatelar no chão, dezenas de metros abaixo.
Os dois alfas começaram a correr pelo corredor escuro, sendo seguidos por todos os outros lobisomens — Adeline pressupôs que conseguiriam enxergar facilmente naquele breu —. Ela ergueu o corpo e sentou sobre as costas de Max, ainda agarrando seu pelo como se fossem rédeas. Xavier disse que iria facilitar as coisas para eles, mas Adeline não fazia ideia de como isso iria funcionar. A única instrução que ele deixou foi para que seguissem pelo corredor principal, enquanto os outros lobisomens seguravam os vampiros longe, abrindo caminho para eles.
O túnel escuro e cavernoso desembocava em uma sala gigantesca e chique, de corada em um estilo meio clássico. Havia alguns poucos vampiros espalhados pelo lugar, e os lobisomens não esperaram um segundo sequer antes de atacar, fazendo o mínimo de barulho possível para que ainda não entregassem a sua presença para todo o covil. Beau pulou contra uma vampira morena, derrubando-a no chão e seguindo em linha reta até a entrada de um corredor espaçoso revestido de mármore, com Max e Adeline logo ao seu lado. Vampiros pálidos começaram a surgir de todos os cômodos gritando e atacando os lobisomens, embora estivessem com medo e surpresa o suficiente para agirem com rapidez. Os dois alfas continuaram seguindo pelo corredor, e adrenalina era tão grande que pela primeira vez em tempos Adeline sentiu suas presas afiadas surgirem e a sua visão e audição ficarem ainda mais apuradas, como se ela estivesse passando os últimos meses submersa em uma água escura onde só conseguia ver vultos e ouvir ruídos, até que foi subitamente retirada da água.
Um vampiro baixinho surgiu na frente de Max, que sou rosnado e se preparou para ataca-lo, mas Adeline puxou seu pelo com força ao reconhecer o cabelo loiro de Xavier. Ele estava descalço, vestindo uma calça surrada e nada mais que isso.
— Por aqui. — Ele gritou por cima do caos de rosnados, palavrões e sibilos que cortavam o ar vindo das brigas entre vampiros e lobisomens espalhadas por todos os lados, antes de começar a correr com uma velocidade absurda, fazendo um ziguezague entre os inúmeros corredores. Adeline olhou para trás enquanto os dois alfas seguiam o vampiro, percebendo que haviam mais três lobos logo atrás. Um deles era o lobo pardo que se transformou na frente deles na clareia, o gigantesco lobo malhado ao lado dele parecia ser o piloto do helicóptero e o último era um lobo branco levemente menor que ela não sabia quem era.
O labirinto de corredores parecia não acabar nunca. As curvas eram tantas, que somadas às viradas bruscas de Max, deixavam Adeline completamente tonta. Demorou algum tempo para que os vampiros percebessem que Xavier estava os conduzindo e não fugindo deles, fazendo-os rosnar parar e começarem a atacar o outro Vampiro também. Xavier deu um soco em um cara pálido e continuou correndo daquela forma meio etérea como se estivesse flutuando, o vampiro fez menção de segui-lo, mas Beau mordeu o seu ombro e o lançou contra a parede de forma brusca, sem parar de seguir o vampiro loiro por um segundo sequer.
Eles chegaram até uma escada sinuosa que levava para outro andar logo abaixo, como se aquilo fosse um imenso hotel clássico. Depois de descerem as escadas de mármore, havia outro corredor largo, só que mais pedregoso e rústico do que o outro.
— No final do corredor à esquerda! — O vampiro disse, parando por alguns segundos para que os lobisomens o alcançassem. Ele continuou correndo pelo corredor meio escuro, fazendo uma curva brusca no final dele e descendo outra série de degraus, e chegando em uma espécie de câmara circular.
O grupo parou bruscamente quando deram de cara com meia dúzia de vampiros. Adeline engoliu em seco e arregalou os olhos quando uma cabeleira ruiva entrou no seu campo de visão, idêntica ao do irmão. Seu coração deu um salto aí pensar que era o irmão, mas depois de um rápido olhar, um arrepio cruzou seu corpo, principalmente ao notar a pele absurdamente afiado e o pequeno sorriso nervoso nos seus lábios. Ele claramente estava surpreso com aquela bagunça toda que estava acontecendo no seu covil, mas Adeline ficou mais surpresa ainda quando seu olhar recaiu sobre a figura ao lado dele: Jocelyn.
— M-mãe? — Ela exclamou, vendo aquela mulher vestindo um vestido vermelho justo. Igual e ao mesmo tempo completamente diferente. Ela continuava velha, mas com rugas levemente mais acentuadas, embora ficar do lado de vampiros absurdamente jovens não a ajudassem muito em relação à isso. Seu olhar afiado e absurdamente m*****o estava exatamente o mesmo. Adeline se perguntou como diabos ela conseguia ficar do lado daquele monstro ruivo ao seu lado. Cadê os gritos? Os surtos? A agressividade de quando simplesmente o mencionaram?
— Ora ora ora. Que bela surpresa. — Titus disse, fazendo os lobisomens rosnarem, expondo os dentes. Xavier cerrou os punhos e os encarou de forma nervosa, ainda ao lado de Beau. O olhar no rosto dele fez qualquer dúvida de Adeline sobre ser uma armadilha arquitetada por ele desaparecer.
— Cadê o Onyx? — Ela perguntou, expondo as presas, embora seu olhar ainda estivesse completamente focado em Jocelyn. O mulher Definitivamente não era mais humana, e isso deixava Adeline um pouco receosa. Quando era apenas uma humana, os gêmeos conseguiriam ignorar facilmente os tapas e arranhões, mas como um ser imortal... Ela poderia levar aquela maldade à outro nível. Um nível ainda mais psicótico.
— Não vai sequer cumprimentar seus pais, querida? Você se tornou uma mulher tão linda. — Titus disse, com seu sorriso se alargando ainda mais. Os vampiros atrás dele deram um passo para a frente, prontos para atacarem, enquanto os lobos assumiam uma pose defensiva. Adeline olhou desesperadamente para Xavier, tentando saber o que fazer à partir dali. O vampiro loiro abriu a boca e sussurrou palavras rápidas e quase inaudíveis, de modo com que a garota só entendesse o "atrás da porta" pelo movimento dos seus lábios. Adeline viu Max olhar na direção do loiro, se perguntando silenciosamente se ele havia entendido aquilo. O lobo voltou a olhar para o grupo de vampiros, ou melhor, para as portas duplas atrás deles, que era de uma madeira escura repleta de entalhes. Era como se os vampiros estivesse a tivessem protegendo.
— Agora, Max! — Adeline gritou, fazendo os dois alfas pularem para a frente, prontos para passarem por cima dos mortos-vivos. Max atingiu dois vampiros em cheio, jogando-os no chão. Eles ergueram as mãos para agarrar as patas dele para quebra-las, mas as garras dele os fizeram recuar. Adeline agarrou o cabelo de uma vampira Loira e o puxou com força antes que ela conseguisse levantar e ataca-los, usando aquela dose de força e adrenalina extra que corria pelo seu sangue.