Beau se lançou contra a porta com toda força que tinha, abrindo-a com um solavanco bruto. Havia uma espécie de escada estreita do outro lado, por onde seria impossível um dos lobos passarem, então Adeline pulou das costas de Max e correu para dentro, lançando para os dois alfas um último olhar nervoso, tentando passar um pouco de tranquilidade e inutilmente falhando nesse requisito. Os dois lobisomens voltaram a lugar contra os vampiros, guardado a porta e impedindo quem quer que quisesse segui-la.
Sem pensar duas vezes, Adeline começou a descer as escadas e três em três degraus de uma vez, colocando as mãos nas paredes para conseguir se estabilizar e não cair de cara no chão. A falta de luz fez os olhos da garota precisarem se ajustar a escuridão, mas poucos segundos depois um outro cômodo se abriu diante dela. O ar do lugar era meio úmido e pesado, parecendo com um calabouço, mas era bem iluminado por uma espécie de lamparina presa na parede. O olhar de Adeline recaiu sobre aquele corpo pequeno e esguio preso contra a parede da esquerda, a uns dois metros de distância. Seu coração deu um salto desenfreado ao reconhecer o cabelo ruivo — que estava sejo e meio oleoso — e a pele pálida e cheia de sardas do irmão.
— O-ONYX!! — Adeline se lançou contra ele, fazendo-o acordar meio sobressaltado, mas cansado o suficiente para não fazer nada à não ser erguer a cabeça e tentar focar seus olhos castanhos na garota. Ele vestia uma espécie de calça social azul e uma camisa branca que estava aos fagalhos. Onyx estava preso à parede por uma corrente grossa, estava magro, imundo e com alguns arranhões nos braços e pescoço, que Adeline sabia muito bem de quais unhas aquilo havia vindo.
— A-Adeline? — perguntou meio zonzo, esfregando os olhos com as costas das mãos sujas de terra, como se ainda achasse que não passasse de um sonho. Adeline não tinha tempo para grandes reencontros e ficar ainda mais emocionada do que já estava, então avançou até lá e agarrou a corrente, que deveria ser da grossura do seu braço de tão grande. O metal frio e enferrujado arranhava suas palmas, mas ela sequer ligava para isso enquanto puxava com força, dando um solavanco brusco. — E-eu já tentei fazer isso e...
— Calado aí! — Adeline rosnou, sentindo as presas ficarem ainda maiores do que eram, rasgando as suas gengivas e arranhando os lábios inferiores. Ela sentiu uma onda de frio atingir seu corpo, enrijecendo seus músculos e a fazendo soltar um grunhido de desconforto. A garota enfiou os dedos entre os elos da corrente e puxou com força, fazendo um som agudo ecoar pela caverna e os nós dos seus dedos protestarem.
Adeline sentiu a imortalidade como nunca havia sentindo antes, como se tudo aquela que ela tivesse reprimido até aquele momento estivesse voltando de uma só vez, fazendo-a sentir que conseguiria quebrar aquela corrente, acreditar nisso. A garota puxou com força, depois outra vez, depois outra, soltando um grito de dor e vento sangue escorrer das suas palmas.
— A-Adeline... — Onyx começou, mas Adeline o ignorou totalmente, puxando novamente e quase sentindo um grunhido de alívio ao ver os elos começarem a se abrir no meio da corrente. Ela firmou os pés no chão e deu um último solavanco, usando toda a força que tinha, fazendo a corrente se partir bruscamente e Adeline ser lançada contra a parede oposta, perdendo completamente o fôlego.
— Vamos embora. — rosnou, tentando recuperar o fôlego e levantar no chão. Onyx fazia o mesmo outro lado, tão fraco que precisava segurar nas paredes para conseguir fazer isso.
— N-não. Preciso ajustar o Atticus. — disse ele, cambaleando em direção aos fundos da caverna e quase caindo de cara no chão. Adeline correu até ele e jogou um dos braços dele por cima dos seus ombros. Os dois eram praticamente do mesmo tamanho e peso, então Onyx sequer era pesado para ela.
Na parte mais profunda e úmida da caverna havia uma espécie de cela com grandes. O lugar estava completamente carbonizado, com as paredes pedregosas cobertas por um fuligem preta, como se o lugar tivesse pegado fogo diversas e diversas vezes até começar a corroer as rochas. Até as barras de ferro estavam meio derretidas e havia um buraco grande o suficiente para que uma pessoa conseguisse passar, e foi justamente por ali que Onyx conduziu Adeline, para dentro da cela.
O olhar de Adeline recaiu sobre o enorme Vampiro deitado no chão, contra um dos cantos da cela. Ele vestia apenas uma calça esfarrapada, deixando completamente visível seu peitoral musculoso e marrom escuro. O vampiro era completamente lindo, mas o que fez Adeline ficar absolutamente atordoada foi o fato de ele não mexer um músculo sequer. Como se... Estivesse morto.
Não um morto vampiresco. Mas se total e completamente morto.