Capítulo 5

1083 Words
Rhae Percebi que, depois de tantas perguntas deles, meu peito estava apertado demais para continuar apenas respondendo. Se eu iria decidir algo que mudaria toda a minha existência, precisava inverter os papéis. Respirei fundo, sentindo todos os olhares pousarem em mim. — Posso perguntar agora? — minha voz saiu mais firme do que eu me sentia. Lucien inclinou levemente a cabeça, um gesto elegante e autoritário ao mesmo tempo. — Pergunte, Rhae. Eu responderei a maioria. Engoli em seco. — Quantas mulheres vocês já tiveram? O silêncio que se seguiu foi pesado. Por um instante, pensei que tinha ultrapassado algum limite invisível. Então Lucien foi o primeiro a falar, sem qualquer vergonha ou hesitação. — Cento e vinte e três. Meu coração falhou uma batida. Mantive o rosto neutro, mas por dentro senti algo gelar. — Cem — Dante disse logo em seguida, com um meio sorriso, como se estivesse falando de algo banal. — Vinte e quatro — Drago respondeu, baixo, quase seco. Sebastian demorou um pouco mais. — Três. Olhei para cada um deles, tentando não demonstrar o choque que me atravessava. Era difícil processar números assim. Eles tinham vivido séculos. Eu m*l estava começando. — Vocês… — pigarreei — não têm doenças? Lucien respondeu de imediato: — Vampiros não adoecem. Não contraem doenças humanas. Nosso corpo não permite. Assenti devagar, absorvendo a informação. Hesitei antes da próxima pergunta, mas ela queimava dentro de mim. — Vocês… me aceitariam como irmã? O silêncio foi absoluto. Nenhum sorriso, nenhuma provocação. Apenas quatro pares de olhos fixos em mim. Dante foi o primeiro a quebrar o peso. — Eu aceitaria. Lucien respirou fundo antes de falar, como se escolhesse cada palavra. — Eu posso tratá-la como parte da família. Mas aceitar… é complicado. — seus olhos se estreitaram levemente. — Nunca aceitei totalmente nem mesmo o irmão de consideração que tivemos no passado, e depois os meio-irmãos. Nesse momento, Drago, Sebastian e Dante olharam para ele ao mesmo tempo. Sebastian desviou o olhar para mim. — Só o tempo vai dizer, Rhae. Drago foi o último. — Quando você pertencer ao clã, eu cuidarei de você. Não me importo se temos ou não o mesmo sangue. Meu peito apertou de um jeito estranho. Não era rejeição total… mas também não era aceitação plena. — Quanto tempo eu tenho para escolher? — perguntei. Lucien respondeu com calma: — Até os vinte e três. Se decidir entrar como irmã, não será transformada imediatamente. Receberá apenas o sobrenome. Poderá escolher a transformação até, no máximo, os vinte e cinco. A idade em que se transformar será a idade que carregará para sempre. Assenti. — Entendi. — hesitei. — Por que me adotar…? Eu sei que tenho sangue raro, mas… Lucien cruzou as mãos sobre a mesa. — Nem todas as vampiras conseguem ter filhos. Nossa mãe é uma das poucas. Um clã é importante pelos seus números. Eles querem netos. Querem que o clã seja grande, vivo, forte. Mesmo que não se torne esposa, você se tornará uma de nós como irmã. Meu estômago se revirou. — E vocês… querem casar? — perguntei, insegura. O silêncio voltou, ainda mais pesado. Talvez apenas pertencer ao clã como irmã fosse suficiente. Eu não precisaria me casar com nenhum deles. E, pelo silêncio, parecia que nenhum realmente queria responder isso agora. — Não tem como responder essa pergunta no momento — Dante disse, mais sério do que eu esperava. — Decida com paciência. — E se eu decidir ser esposa? — minha voz saiu baixa. Lucien respondeu: — Você assinará um contrato. Casará aos vinte e três com quem escolher e desejar casar com você. A partir daí, seguirá as regras. Terá tudo… mas há poréns. Uma empregada se aproximou em silêncio e colocou um documento sobre a mesa. O contrato. Li. Não tomar métodos contraceptivos. Ter e cuidar das crianças com atenção e dedicação — vampiros. Transformação permitida após cinco filhos ou aos trinta anos. Separação decidida por votação. Mesmo separada, jamais poderá sair do clã. Um milhão após o casamento. Cem mil por filho. Senti repulsa. Meu estômago embrulhou, minha pele se arrepiou. Eu não queria ser uma incubadora. Eu não queria ser um ventre útil. Afastei o contrato. — Não quero ser esposa… As palavras escaparam antes que eu pudesse segurá-las. As expressões deles mudaram. Não consegui identificar se era alívio ou decepção. — Então será nossa irmã — Lucien disse, com um leve sorriso frio. — Quem diria que eu teria uma familiar plebeia. Ele acabou de me chamar de pobre? — É uma pena — Dante comentou, brincalhão. — Já estava até pensando em como nossos filhos seriam. — Você pai? — Drago soltou um quase riso. — Ainda bem que isso nunca vai acontecer. — Qual seria a vantagem do casamento? — perguntei, encarando Lucien. — Não entendo. — Dinheiro, talvez? — Não compra tudo no mundo, vampiro — rebati. Lucien me encarou longamente. — Notei. — Bem — Dante continuou — depois de cinco filhos ou de chegar aos trinta com apenas um, poderia haver separação. Você seria livre… e rica. — Não sei se contaram — Drago disse — mas se você se tornar vampira, talvez nunca consiga dar à luz. Tornar-se parte do clã significa, muitas vezes, esterilidade. Meu coração afundou. — Ela vai fazer dezoito daqui a nove dias — Sebastian falou. — É jovem demais para decidir isso. — Há muitos pontos a considerar — Dante completou. — Você poderia ter filhos antes da transformação. Conhecer alguém. Ter uma criança. Depois se transformar. Eu sabia. A escolha seria r**m de qualquer forma. Olhei para todos eles, um por um. — E vocês acham que seriam bons pais? O silêncio foi diferente dessa vez. Mais pensativo. — Não acho que seja tão difícil — Dante respondeu, abrindo um sorriso brincalhão. — Tempo para brincar, dar atenção, ensinar… Meu coração disparou de um jeito que não consegui controlar. E eu tive certeza de que todos na mesa notaram. Lucien estreitou os olhos. — Cuidado, plebeia. Dante não costuma ser homem de uma mulher só. Ele gosta de aventuras. — fez uma pausa. — E cuidar de crianças não seria difícil. Temos dinheiro, empregados, professores. Elas cresceriam bem. — Não acho que seja tão difícil ser pai — Drago disse, simples. Sebastian desviou o olhar. — Isso nem entra em cogitação para mim. Fechei os olhos por um segundo. Eu sabia. Entrar nesse clã significava nunca mais ter uma escolha fácil.
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