Acho que nos arrependemos de perguntar quem ele era, me invadiu a sensação de dois anos atrás, assim que o jovem se pronunciou.
— O senhor bem sabe quem sou.
O meu pai de forma cortês e com um sorriso no rosto respondeu:
— Se me mostrares o rosto poderei com toda a certeza o anunciar.
— Não será preciso, trago-lhe um lembrete e um presente a senhorita – ele me olhou com um sorriso.
Tanto a minha expressão como a de meu pai ficaram sérias sobre o que seria esse presente misterioso e lembrete, ao qual nosso convidado fazia tanto suspense.
Logo nossas expectativas sobre o presente foram supridas com uma pequena caixa de joias preta, nosso convidado abriu a caixa que era revestida de azul por dentro, sim cores do Norte, tirou um pingente de prata e colocou sobre a minha mão, de forma suave e delicada, como se não tivesse imaginado a tamanha comoção que o presente traria e depois segurou meu pulso, vendo que eu estava prestes a jogar o pingente de adaga longe, após isso o caçador de elfos encarou meu pai, que quase se afogou com o gole de vinho que havia tomado.
— Acho que o senhor deve saber que essa festa é ridícula, estás gastando o dinheiro do dote de sua filha, mas te entendo, perder algo que é seu, não deve ser nada fácil, não case ela com outro até a minha chegada, ou da próxima vez terá mais veneno do que vinho em sua taça!
—Estás querendo o dinheiro do dote para continuar sua fuga? Está em uma situação nada vantajosa, apenas o que tens são suas ameaças, achas que poderá sair daqui com vida?
— Pergunte a um de seus guardas que ainda tem certo fôlego para lhe dizer algo sobre como cheguei a ficar diante de ti e tu saberás o quão sério levo minhas ameaças.
Meu pai o encarou, eu respirava fundo enquanto ele ainda segurava a minha mão a energia do ambiente pesou de tal forma com as palavras dele, que eu desisti da ideia de se livrar da sua mão que apertava meu pulso.
— Irás levar ela hoje? – meu pai perguntou nervoso.
— Buscarei ela assim que ela fizer 17 anos, tenho algumas coisas a resolver e ela estará mais madura.
— Até ela ter 17 tu terás morrido e ninguém mas irá querer casar-se com ela!
— Case ela com outro e se arrependerá, não terei piedade de ti, apenas por ser o pai dela, ou do seu filho mais novo Willian, iras dormir com esse peso?
Dito isso, ele soltou meu pulso virou as costas e foi embora, a cena chamou atenção de alguns olhares que logo viraram fofocas no salão, minhas amigas viram o homem se afastar entre os convidados e vieram ao meu encontro, mas eu tinha perguntas então as deixei no salão e fui atrás dele do lado de fora da casa, saindo pela mesma porta que havia cruzado nossos caminhos a dois anos atrás.
Abri a mesma porta novamente por causa dele e vi ele indo em direção a saída, apenas poucos passos a minha frente e gritei.
— Porquê se importa tanto assim em casar -se comigo?
— ...
Ele apenas se virou para me olhar, ficou parado sem me responder.
— Porquê? Se sou tão importante porque já não me leva? – eu já estava cansada dessa situação, ele sumia e aparecia do nada, fazia ameaças vazias e nunca as cumpria, tinha que ter um motivo válido para isso!
— Tenho muitas coisas a resolver, tens pouca idade para me acompanhar, de fato tu pareces querer abandonar tua família e me seguir, fico me perguntando o porquê tu quer tal vida tão rápido.
— Não é como você pensa, apenas quero entender o porquê do seu interesse contínuo – se ele queria fazer da minha vida o que bem quisesse teria que me responder.
— Você é tão nova, que não deve entender nada, mas me parece tu a mais interessada – além de omisso ainda tinha a ousadia de me colocar como quem estivesse querendo isso.
— ... – não tinha palavras para lhe rebater, foi a minha vez de ficar quieta, ele andou até o meu encontro e continuou.
— Estavas de fato me esperando todos esses anos? Por um acaso, tu se apaixonou por mim? Um mero estranho? – a forma como ele me falava me deixava constrangida, por ele por de frente pensamentos e sentimentos que sempre ocultei até de mim mesma.
— Não me insultes de tal forma, se estou interessada em algo é na sua resposta.
Ele não me disse nada, apenas se aproximou mais e me depositou um beijo delicado nos lábios, me desconcertando totalmente e quebrando todas as alto defesas que preparei para usar, exatamente contra algo do tipo, contra alguém como ele, na verdade contra ele mesmo.
Meu primeiro beijo foi dele, o homem que esteve nos meus pensamentos, aquele que invadiu a minha casa de madrugada, ameaçou meu pai, agora meu irmão, minha família, aquele que queria me separar da vida que conhecia, e eu gostei do beijo, por fim dei as costas a ele é sai correndo para dentro de casa pisando fundo, deixando ele sozinho, fui para o meu quarto e a festa foi se acabando com o passar das horas, definitivamente meu caminho estava ligado ao daquele caçador e eu nem ao menos sabia o seu nome, droga eu devia ter perguntado, ninguém na minha casa ousava me dizer uma palavra sobre ele, mas isso não era a única coisa que me incomodava, o beijo repulsivo que ele me deu não saia de minha cabeça, isso me atormentou pelo restante da noite, ele era audacioso e confiante, como pode achar que eu não gritaria e faria um escândalo? Quanta presunção em achar que eu gostaria de receber um beijo tão suave e delicado, sem eu nem ao menos saber o seu nome? Pelo menos dessa vez minhas amigas que viram a cena no salão, viram que eu não exagerava ao falar dele, será que alguém viu o beijo? O quão longe ele estava agora? Eu não poderia contar nada para mais ninguém, já que perguntar sobre ele a minha família já não era suficiente e o assunto estar proibido em minha casa.