Cap. 5 O Baile de Máscaras parte 1

1465 Words
...Dois anos depois... ...Residência dos Chapam... ...Festa de aniversário de Miriam... — Como estás se sentindo amiga? — Por quê? Pareço tão m*l assim? —Longe disso essa roupa que te foi escolhida está ótima, última moda fiquei sabendo! – disse uma amiga que estava no meu quarto comigo. Uma segunda amiga entrou correndo, hoje eu estava fazendo 16 anos e seria prometida a algum filho de um lorde ou de um comerciante braço direito de meu pai, eu estava odiando isso, não queria me casar tão nova, mas meu pai já havia virado um casamenteiro, entrou em desespero para me arrumar um noivo desde que encontrou aquele homem misterioso naquela noite, colocou na sua cabeça a ideia de me casar com qualquer um que aparecesse pela frente, claro“qualquer” um que tivesse dinheiro para me dar filhos ricos e ajudar meu pai financeiramente no futuro em seus tantos negócios, a verdade é que os poucos que ficaram sabendo do ocorrido (eu não faço ideia de como souberam) correram das propostas de casamento de meu pai na minha festa de 15 anos, no entanto voltaram agora que os caçadores de elfos foram dizimados pelo Rei, mas voltando a minha amiga esbaforida, que veio até meu quarto dizendo: — São tantos pretendentes ricos que te aguardam no salão, terás um futuro bem melhor que o meu, que estou destinada ao filho do farmacêutico – disse Olivia, com doces da festa nas mãos chegando a sujar as suas luvas, ela sim estava perfeita para se casar, com seu corpo farto e cobiçado por tantos jovens, eu estava magra e pálida. — Terás sorte, dele ter formação de farmacêutico caso alguma peste nos acometa – respondeu Elizabeth, a amiga que estava comigo no quarto – E tu o que queres? — Não acho que ficarei com qualquer senhor ou jovem que tenha sido convidado – respondi tranquila, dentro do meu ser, eu tinha certeza que esse não era o meu destino. — Ainda não tirastes aquele caçador de não humanos da cabeça? Tu não sabes o nome dele e saber que ele era um bastardo não melhora as coisas! Queres mesmo casar com um destes? Sua vida cairá em desgraça! – brigou comigo Elizabeth que já tinha 17 anos e era casada com um homem entendido das leis. — Isso é como ela já disse“São aqueles olhos que não consigo esquecer, um homem tão decidido...” e por deus “ele virá me buscar”! – disse Olivia rindo alto. — Não entendes? Tu não viste a forma como ele agiu... — Eu sei, eu sei, eu não estava aqui para ver o quão ameaçador ele era. Ela sempre zombava de minhas histórias, achava que de fato eu me apaixonaria por aquele monstro, mas era o medo que me motivava, eu só queria poder ir o mais longe possível de qualquer situação que fosse parecida com casar com ele ou com qualquer outro. Não respondi mais nada, sabia que ela não levaria meus temores a sério, Beth a advertiu, sabia o medo que tinha daquele bastardo, que já não via a dois anos, me deixando mas temerosa do que nunca, pois esse era o prazo que ele estipulou para me desposar, que passou mais rápido do que eu queria, meu pai deu a minha mão a ele naquela noite apenas para se livrar de suas ameaças, mas dentre o período desses dois anos não tivemos sequer uma notícia sua, já que após a coroação do Rei Joseph, muitos caçadores haviam morrido na guerra, em prol dos avanços do Norte, a maioria das pessoas temia os caçadores e não se sentiam bem com a sua presença, foi até que um alívio eles terem acabado, mas ninguém fazia a“limpeza” do Norte com tamanha maestria se livrando dos elfos como os caçadores alguns diziam, totalmente desnecessários na minha opinião, todos deveriam ser livres para ir e vir, mas claro que eu era só mais uma das vozes silenciadas da nossa nação opressora. — Meninas, estão esperando vocês no salão, Miriam querida vamos? – disse minha mãe entrando no quarto, com seus cabelos dourados apagados muito bem presos, não obtendo minha resposta fez sinal para que minhas amigas saíssem do quarto e nos deixassem a sós. — Miriam, vamos, bem sabes como teu pai gastou para impressionar os lordes e comerciantes locais, para te arrumar um casamento digno de verdade. — Tão pouco me importo, me sinto violada com tal atitude. — Não seja ingrata dessa forma, esse é o único jeito de te proteger daquele maldito! — Então neste caso prefiro ir para bem longe e não ver mais nenhum dos“bons” pretendentes que meu pai tem para mim, afinal foi ele quem prometeu algo e não eu! — Cuidado minha neta para que tuas palavras não se tornem um desejo e seja atendido – disse minha avó entrando atrás da minha mãe – Aquela raposa ardilosa já deve ter morrido e pagado por seus feitos nefastos! Agora estás livre para um bom casamento. — Estão todos com medo dele estar vivo e vir me buscar, não acreditam na sua morte, por isso me prendem e me deixam nessa casa dia e noite! Meus argumentos não foram suficientes para aplacar o medo em minha família, minha avó e mãe morriam de medo da“raposa ardilosa” que aquele bastardo podia ser. Após esse diálogo ridículo, fui arrastada para fora e tive que pôr em meu rosto uma expressão de felicidade genuína forçada, por um bom tempo, até me distrai com as visões que vinha tendo nas últimas noites todas as vezes que chovia, escutavas passos rápidos correndo até mim e me empurrando para um lago, no qual alguém que não conhecia e não podia ver o rosto me ajudava... — Miriam, poderia me conceder está dança? Ao olhar para o jovem não vi seu rosto, meu pai tinha tido a brilhante ideia de fazer um baile de máscaras no meu aniversário, para assim mostrar para seus tantos sócios que ele não escolheu o filho de um deles por favoritismo e sim por mérito próprio do pretendente, mas é claro que o meu noivo já havia sido escolhido por meu pai e futuro sogro, eles já haviam pensado em uma máscara específica que seria escolhida e reconhecida por meu pai na hora de sua decisão. — Sim — respondi com a melhor das expressões. — Me acompanhe. Dei minha mão ao homem com uma máscara de uma raposa n***a, o que era irônico já que minha avó chamava aquele homem misterioso de raposa e isso até poderia ser divertido se o pretexto daquela festa não fosse me casar às pressas como se eu estivesse grávida antes do casamento. Ele até dançava muito bem, sua roupa era toda com tons de cores escuras, ele dançava e eu sentia uma agitação em seu sorriso? Se é que podíamos chamar aquilo de sorriso. — Festa incomum para comemorar um aniversário. – disse ele após uns segundos dançando, o que achei bem intrigante. — De fato, você até deve saber, a que estamos aqui, tu mesmo deve ser um dos tantos pretendentes que meu pai me arrumou. — Sobre mim, estás totalmente equivocada, estou aqui com outro propósito. – não sei o que estava me chamando tanta atenção, na forma como ele falava. — E no entanto, tu tiras a aniversariante para dançar, sabendo que muitos a querem desposar e dançar com ela? – perguntei em tom de desafio, para ver o quanto ele falava. — E tu tens o desejo de casar? Na verdade, lhe trouxe um presente, minha cara, afinal é um aniversário, estou comemorando mais um ano de sua existência ainda jovem demais para um casamento. —Tenho que concordar contigo, jovem para casamentos, mas sobre o presente poderias me contar o que seria? Me desculpe parecer rude – estava me perguntando, se ele não era o pretendente escolhido de meu pai. — Está tudo bem, mas terás que esperar um pouco, estamos se aproximando de seu pai. — O que tem o meu pai? — O presente diz respeito a ele, também quero lhe passar os meus cumprimentos. — Acabas de chegar na festa, tiras a filha do anfitrião para dançar e nem o cumprimentou ainda? Ele não me respondeu, já que em um giro na dança ficamos a um passo do meu pai, paramos de dançar, nos viramos para o meu pai, meu acompanhante o cumprimentou e foi a vez de meu pai falar. — Minha filha quem seria o homem que dança contigo? Antes que eu pudesse dar uma resposta ao meu pai, o cavaleiro parecia que iria se pronunciar, surgiu um silêncio entre nós esperando que ele falasse.
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