CAPÍTULO 17 CARIOCA NARRANDO Tava sentado na minha sala, a Glock largada na mesa e a cabeça fervendo. Ficava girando o isqueiro na mão, tragando um baseado e pensando na cena de mais cedo. A ruiva cuspindo ódio, gritando que me odiava… e mesmo assim o gosto da boca dela ainda grudado na minha. Era fodä. Quanto mais ela tentava me afastar, mais eu sentia que ela já era minha. De repente, o rádio chiou forte na mesa: — Visão, patrãozinho… o caminhão tá subindo. Tá chegando no acesso agora. Me levantei na hora, o corpo já em alerta. Joguei o baseado no cinzeiro, catei a Glock e enfiei na cintura. Passei o rádio pro cinto e ajeitei o cordão pesado no pescoço. O barulho da rua já ecoava na janela, vapor correndo de um lado pro outro, preparando o terreno. Desci as escadas rápido, o vento

