CAPÍTULO 16 ALANNY NARRANDO Saí da boca com o coração disparado, a visão turva de tanta lágrima. Meus passos eram pesados, cada um parecia um soco no chão da viela. A raiva e o nojo queimavam tanto que eu nem via direito quem tava ao redor. Só queria sumir, só queria gritar até o mundo todo me ouvir. Atravessei a porta com força, enxugando as lágrimas no braço, quando ouvi a voz grave ecoar atrás de mim: — Espera aí, menina. Congelei na hora. Virei devagar e vi ele vindo atrás. O Alemão. O dono do morro. O pai do Carioca. O peso da presença dele era tão grande que até os vapores pararam de andar. Meu peito subia e descia rápido, eu queria sair correndo, mas minhas pernas não obedeciam. Ele parou na minha frente, a mão pesada no ombro, o olhar frio, mas diferente do filho… tinha uma f

