CAPÍTULO 54 BRUNA NARRANDO A quadra ainda fervia quando eu e Juninho resolvemos sair. A batida do funk ecoava lá dentro, mas do lado de fora o ar parecia até mais leve. Ele caminhava do meu lado, tranquilo, aquele jeitão largado que sempre passa confiança. — Bora que eu te deixo em casa. — disse, já jogando a chave da moto na mão. Assenti e subi na garupa. O motor roncou alto, e a gente saiu cortando as vielas do morro, o vento batendo no rosto e a música ficando cada vez mais distante. Eu segurei de leve na cintura dele, mas quanto mais ele acelerava, mais firme minha mão ficava. Quando a moto parou na frente da minha casa, o silêncio foi quase estranho depois da barulheira da quadra. Ele desligou o motor devagar, tirou o capacete e virou o rosto pra mim com aquele sorriso de canto.

