CAPÍTULO 62 CARIOCA NARRANDO Ela achava que podia me enfrentar no papo, bater de frente como se o mundo girasse no jeito dela. Mas não sabia com quem tava lidando. A ruiva tinha coragem, isso eu não podia negar… e era justamente isso que me deixava cada vez mais fissurado nela. Fiquei um tempo só encarando, o silêncio da sala cortado pelo tique-taque do relógio. O jeito que ela falou — firme, sem tremer — mexeu comigo. Outra no lugar dela já tava de cabeça baixa, aceitando tudo calada. Mas ela? Não. Jogou na minha cara que se eu traísse, ela faria igual. — Tá doidona mesmo, ruiva… — falei baixo, balançando a cabeça, mas sem desviar o olhar. — Tu acha que é assim que funciona comigo? Ela não recuou. Peito estufado, queixo erguido, o olhar queimando no meu. — Eu não acho, eu tô te avis

