Quando chega a noite, os homens se reúnem no centro da cidade com suas armas, noto que há alguns caçadores entre a maioria que só sabe ficar dentro de suas casas comendo e bebendo, os caçadores carregam sacos com materiais para montar armadilhas, também tem alguns criadores de gado presente e cultivadores, estou achando que isso é uma festa de camponeses e que logo o bobo da corte deles irá chegar.
Isso me lembra o último evento em que meus irmãos e eu estivemos, Machiavelli nos convenceu de que deveríamos participar de uma festa da corte de um nobre do norte, eu achei uma ideia i****a, mas não me opus, por fim até que foi interessante.
Principalmente quando meu irmão usou seu talento para causar um conflito entre nobres e aquilo terminou em um banho de sangue.
Eu adorei cada segundo no fim.
Observo atentamente cada ação dos homens ali, enquanto Kora e Machiavelli parecem se divertir com a reunião de tantos homens de índoles distintas, mas é somente quando aquele homem aparece em meio a escuridão segurando uma tocha com uma mão e o cabo de uma espada na outra que eu sinto algo em mim vibrar, talvez meu desejo de matar esteja ficando cada vez mais incontrolável, insaciável e feroz. Ou, talvez a sombra no coração deste homem traga à tona lembranças de um passado não tão distante, onde um m*l irremediável condenou minha alma a escuridão, me tornando em uma criatura ainda mais imprevisível e perigosa. Sorrio internamente, entendendo que até mesmo eu não posso evitar de me ver como uma criatura interessante, e é com esse pensamento que olho para meu irmão que chama o homem que se dirige até onde estamos.
- Queridos visitantes, em que posso ajudá-los? - pergunta o reverendo alternando seu olhar de meu irmão para Kora e eu. - A propósito, eu sou o reverendo Macnelly, mas podem me chamar pelo meu primeiro nome, Thomas. - completa estendendo sua mão para nos cumprimentar um por um.
- É um prazer conhecer um homem de bem e que cuida da vila que nasceu como ninguém. - diz Machiavelli apertando a mão do homem. - Eu sou Machiavelli Leeds, mas pode me chamar de Mack e essas adoráveis garotas são minhas irmãs, Pandora e Kora. - completa e o homem aperta a mão de Kora e por fim a minha.
- É um prazer conhecer todos vocês, espero que estejam gostando da nossa vila e aproveitando bem a nossa hospitalidade. - diz divertido me olhando nos olhos e eu posso ver a escuridão cobrir seus olhos claros.
- Com toda certeza estamos aproveitando muito bem e adorando este lugar, acho até que passaremos mais do que duas noites aqui. - diz Kora e o homem a olha de canto e eu posso ver em seus olhos o desejo, sua mente está sendo inebriada com pensamentos impuros em relação a minha irmã caçula e ao seu rostinho angelical.
- Ficarei feliz em ajudá-los no que precisarem, espero que possam me fazer uma visita em outro momento. - diz o homem e em seguida me olha nos olhos. - Me desculpe pela a ousadia Machiavelli, mas suas irmãs possuem uma beleza extravagante, nunca vi garotas tão belas visitando nossa humildade vila. - completa e eu sorrio de canto.
- Talvez o destino tenha nos reunido aqui por alguma razão. - digo divertida e ele sorrir.
- Estou ansioso para descobrir se isso é só mera coincidência ou não. - diz e em seguida olha para meu irmão. - Irá se juntar a nós em nossa caçada? - pergunta e Machiavelli n**a.
- Vim apenas para desejar boa sorte, não posso deixar minhas belas irmãs sozinhas em um lugar onde jovens são levados. - responde meu irmão e eu olho para Kora que sorrir de maneira discreta e em seguida me olha de volta com uma expressão divertida.
- Entendo, nesse caso, vocês deveriam retornar para a hospedaria enquanto ainda é cedo, esse lugar pode ser aconchegante durante o dia, mas perigoso a noite. - diz e meu irmão assente. - Tenho que ir agora, então até outro momento. - completa se despedindo.
- Até mais reverendo. - diz Machiavelli e em seguida me olha enquanto eu observo o homem se afastar. - Vamos observa-los ou vamos encher a cara? - pergunta meu irmão.
- Vamos dá uma olhada nessa caçada, há algo que eu gostaria de ver com meus próprios olhos. - digo e meu irmão faz uma careta, mas em seguida assente indicando concordar.
- A gente pode assistir um pouco os idiotas em ação e depois a gente enche a cara. - diz Kora e eu assinto.
- Nesse caso, vamos logo. - digo me virando para ir embora, mas não sem antes olhar o homem mais uma vez e por pura curiosidade ele também olha em nossa direção e sorrir acenando, aceno com a cabeça em resposta antes de seguir para longe dali com meus irmãos.
Essa noite será interessante.
Mal posso esperar pelo próximo dia.
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A noite de caça a criatura maligna havia sido uma completa patifaria, e mesmo dois dias depois eu me encontro animada com a firma em que aquele p****e do reverendo enganou aquele bando de asnos que o seguem.
Por um momento eu me senti diante de um bobo da corte.
Aquele homem é uma piada de m*l gosto que não desce pela goela nem com a água ardente da melhor qualidade.
Giro o copo em formato de cálice sobre o balcão sujo da casa dos prazeres, pelo canto de olho vejo meu irmão se divertindo ao colocar os homens ali presentes para brigarem entre si por causa de um das mulheres presente, enquanto Kora observava um bardo no centro tocando uma citola e cantando algo sobre o pôr do sol, seu sotaque é extremamente arrastado e forte, o que indica que ele é um andarilho, mas nada disso me importa, eu não me importo com nada que não me seja útil, mas todas essas coisas são detalhes que são naturalmente notados por mim, faz parte da minha natureza demoníaca está a par de tudo que se passa ao meu redor sem que eu sequer me importe com isso. Suspiro negando com a cabeça e em seguida um homem de aparência jovem se senta ao meu lado no balcão e em seguida pede uma bebida, e quando o homem trás seu pedido, ele toma a bebida em um só gole e em seguida pede outra.
- Dia difícil? - pergunto e ele primeiro toma a segunda rodada em um gole só para depois responder.
- Tem sido dias difíceis desde que aquele maldito se tornou praticamente o rei da vila. - responde com um tom irritado.
- E quem seria esse maldito? - pergunto mesmo sabendo a quem ele se refere e o homem para por um momento e então me encara com atenção.
- A senhorita é deveras curiosa. - diz com um tom avaliativo, enquanto seus olhos me avaliam com cuidado. - Você não me parece ser daqui e não parece se importar por estar em um lugar sujo como esse, mas suas vestes não são de uma camponesa, sua pele delicada e seu rosto angelical e sem marca alguma indica que você talvez seja uma nobre de algum lugar distante. - completa com um olhar acusativo e eu sorrio de canto.
- Eu não sou ninguém importante meu caro. - digo e em seguida tomo um gole da minha bebida. - Mais assim como você eu tenho um pé atrás com um certo homem que parece ser o condutor de todos nessa vila. - completo e ele passa a mão em seus cabelos e em seguida sorrir, um sorriso amigável e curioso.
- Posso saber como se chama? - pergunta com um tom educado estendendo sua mão para mim e eu dou de ombros.
- Pandora Leeds. - respondo tranquila apertando sua mão em seguida.
- Sou Aston McAvoy, a ovelha n***a da vila. - diz divertido e em seguida chama o homem atrás do balcão. - Por favor, deixe uma garrafa aqui amigo. - pede e o homem faz como ele pediu. - Posso te servir? - pergunta com um tom receioso, mas seu olhar sobre mim é curioso, avaliativo e até divertido.
- Por favor. - respondo tranquilamente estendendo meu copo em sua direção e ele o enche.
- Sabe, essa vila nem sempre foi assim, quer dizer, sempre foi um lugar aconchegante e também tranquilo e seguro para as nossas crianças. - diz agora enchendo seu copo. - No entanto, da noite para o dia as coisas mudaram drásticamente, crianças começaram a sumir de maneiras misteriosas, pais desolados por terem que conviver com a dúvida de não saber se seus filhos estão vivos e perdidos ou mortos em algum lugar por aí. - faz uma pausa e em seguida me olha nos olhos. - Duas semanas depois da primeira criança desaparecida, outra sumiu e a cidade ganhou um símbolo de fé e esperança, um homem cuja as ações despertam sentimentos que eu gosto de chamar de ilusórios nas pessoas desse lugar e desde então não há nada que não passe pela aprovação daquele imundo. - completa e em seguida cospe no chão, indicando estar enojado só por citar o reverendo.
- Você parece o odiar, porquê? - pergunto e ele me encara com seriedade por alguns segundos antes de tomar toda a bebida de seu copo em um só gole.
- Minha irmã, Alice. - responde e então eu entendo todo o seu desafeto em relação ao reverendo.
Este homem tem uma visão aguçada, ele consegue detectar a malícia disfarçada de bondade no olhar daquele que se mantém na posição mais importante desta vila, ele consegue enxergar que há um lobo em pele de cordeiro vivendo aqui bem debaixo do seu nariz.
Isso é tão interessante.
Talvez ele possa me ser útil.
- Ela era uma garotinha de apenas dez anos, tinha cabelos dourados, olhos azuis brilhantes e tão belos quanto os seus. - a voz levemente embargada de Aston chama minha atenção totalmente de volta para ele. - Ela era radiante e muito amada pela minha família e por mim, lembro-me de ser chamado constantemente por ela de Ast, ela não merecia o que quer que tenha lhe acontecido e eu como seu irmão mais velho falhei em protegê-la. - completa enchendo seu copo com a bebida outra vez.
- Eu entendo sua dor e também entendo a sua desconfiança. - digo chamando sua atenção para mim. - Aqueles olhos tem um brilho muito sombrio e há uma perversidade escondida em seus diversos sorrisos, ele é uma criatura astuta e perigosa. - continuo e ele parece surpreso com minhas palavras. - Ele não é a primeira criatura profana que conheço, mas com toda certeza é a que mais me enoja até agora. - completo e ele parece ainda mais surpreso.
- Eu queria poder descobrir o que aquele maldito esconde. - diz frustrado e em seguida suspira.
- Não se preocupe com isso. - digo e ele me encara com uma sobrancelha arqueada. - Dizem por aí que nem tudo que está oculto ficará para sempre oculto, a verdade tem um karma furioso e intenso. - continuo com um sorriso de canto, me levantando em seguida. - Foi muito interessante lhe conhecer Aston McAvoy, até a próxima. - completo e em seguida passo por ele sem esperar uma resposta.
Vejo Kora desviar sua atenção do bardo para mim, sorrio de maneira perversa para ela que retribui com um sorriso m*****o, aceno com a cabeça para ela antes de seguir para fora da casa dos prazeres, posso sentir a confusão tomar conta de Aston e então sigo até uma árvore e o aguardo tranquilamente. Não demora para que ele saia apressado da casa dos prazeres, olhando em tudo em volta a minha procura, ele segue até a árvore na qual estou encostada tranquilamente ocultando minha presença e em seguida olha em volta mais uma vez.
- Merda! - exclama frustado eu sorrio de canto.
- Porque está tão frustado? - pergunto e ele olha em volta tentando descobrir de onde veio a minha voz, enquanto eu me divirto o observando de costas para mim.
- Onde você está? - pergunta confuso e então eu decido me mostrar.
- Porque me seguiu até aqui, Aston? - questiono e ele se vira assustado me encarando com seus olhos arregalados em seguida.
- Por Deus! - exclama levando sua mão até o peito e em seguida respira fundo. - Como você pode está atrás de mim? - pergunta confuso.
- Vamos direto ao ponto e me diga Aston, qual é o seu maior desejo. - digo tranquilamente e ele suspira.
Ele me encara em silêncio por alguns minutos, parecendo tentar entender o que está se passando diante de seus olhos e isso me faz sorrir de uma maneira travessa, o que parece o fazer se dá conta de que me deve uma resposta e então em meio a um suspiro ele me encara com firmeza e em seguida responde exatamente da maneira que eu imaginei.
- Eu quero que pegue o desgraçado que matou a minha irmã e se ele for mesmo aquele maldito, eu quero que o faça sofrer muito antes de morrer. - diz com um tom firme e raivoso e eu sorrio.
- Eu posso fazer isso, mas você terá que fazer algo por mim depois e talvez seja algo que você não esteja de acordo. - digo e engole seco e em seguida respira fundo.
- Não importa o que me peça, se trouxer justiça a minha irmã e as outras crianças dessa vila, eu farei qualquer coisa que me pedir. - diz e eu sorrio de canto e o encaro com uma expressão divertida.
- Então que assim seja. - digo e ele sorrir em meio a uma expressão confusa e temerosa.
Enquanto o observo, agora em silêncio, eu só consigo pensar que essa vinda para essa vila está sendo um prato cheio de surpresas boas, no entanto, o melhor ainda está por vir e eu m*l consigo me conter de tanta ansiedade.
O bobo da corte logo encontrará seu fim trágico.
E eu ganharei mais alguns seguidores, não é do meu agrado, mas faz parte do negócio
Um negócio entre almas.
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