Capítulo 3

1252 Words
Madison Harrington A fotografia sempre foi a minha paixão, algo que me conectava à memória da minha mãe. Antes do câncer levá-la, era o nosso tempo juntas, nossas conversas sobre capturar momentos que, de outra forma, se perderiam no tempo. Quando ela morreu, fez-me prometer que nunca desistiria dos meus sonhos. E foi o que fiz. Dediquei-me a eles com cada fibra do meu ser. Hoje, sou uma das fotógrafas mais requisitadas de Miami, conhecida por minha habilidade de transformar cenas comuns em histórias vivas através das lentes. Minha família, os Harringtons, está profundamente enraizada no ramo da aviação, mas essa nunca foi minha praia. Enquanto o meu irmão Victor escolheu seguir um caminho, assim como eu, eu optei por me manter o mais longe possível dos negócios da família. Não era o que me movia. Minha paixão estava na arte, na luz, no instante. Hoje, acordei decidida a fotografar o parque. O dia estava lindo, com o sol refletindo nas folhas e as pessoas aproveitando a vida. Cheguei ao parque e comecei a capturar momentos que me fascinavam: uma criança correndo para os braços do pai, um casal trocando sorrisos cúmplices, uma idosa alimentando os pássaros com uma expressão de paz. Eu adorava capturar histórias que os olhos comuns talvez não percebessem. Cada clique era uma janela para um mundo único. Depois de um tempo, decidi explorar. Caminhei para fora do parque, e a paisagem começou a mudar. Onde antes havia risos e vida, agora surgiam ruas desertas e prédios abandonados. O ar parecia mais pesado, o silêncio mais opressivo. Meu coração batia mais rápido, mas a adrenalina me empurrava a seguir em frente. Foi então que encontrei uma fábrica abandonada. As janelas quebradas e as paredes cobertas de grafites pareciam clamar por atenção. Entrei, sentindo o eco de meus próprios passos no chão de concreto. A luz entrava por frestas no teto, criando sombras que dançavam a cada movimento. Minha câmera clicava a cada cena intrigante: uma cadeira enferrujada caída, uma escada que parecia levar ao nada, os feixes de luz que cortavam a escuridão como lâminas. Era um lugar frio e melancólico, mas fascinante. Então, ouvi vozes. Congelei. O som vinha de uma porta de ferro entreaberta mais à frente. O coração disparou, mas a curiosidade foi mais forte. Me aproximei, tomando cuidado para não fazer barulho. Espiei pela a******a, e o que vi me fez querer correr dali. Havia um homem amarrado a uma cadeira, ensanguentado e tremendo. Ao redor dele, vários outros homens armados, aparentemente liderados por um sujeito alto, de chapéu. O homem de chapéu falava com uma calma assustadora, segurando um alicate. - Quero respostas. O que vocês sabem sobre o atentado? O homem na cadeira levantou o rosto machucado, mas sua voz saiu firme. - Vocês vão pagar por isso. É só uma questão de tempo. O líder não respondeu. Apenas abriu o alicate e, com um movimento calculado, arrancou um dedo do prisioneiro. Meus olhos se arregalaram, o estômago revirando. O grito do homem na cadeira ecoou pela fábrica. Mas o torturador continuou, indiferente. A cada pergunta sem resposta, outro dedo era cortado, até que o chão ao redor da cadeira estivesse coberto de sangue. Eu tremia, mas continuei fotografando. Minhas mãos estavam geladas, mas os cliques da câmera eram automáticos, como se um instinto de sobrevivência me dissesse que eu precisaria dessas provas. Foi então que tudo parou. O homem de chapéu tirou uma arma do coldre, olhou para o prisioneiro e, sem hesitar, atirou na cabeça dele. O som seco do tiro fez meus ouvidos zumbirem. Minha mente gritava para fugir, mas minhas pernas estavam paralisadas. Quando recuei um passo, acabei esbarrando em uma barra de ferro caída no chão. O som ecoou pela fábrica, e eu sabia que tinha sido ouvida. - Verifiquem isso! – ouvi o homem de chapéu ordenar. O pânico tomou conta. Arranquei o cartão de memória da câmera e comecei a correr, abri onde ficava o cartão de memória da câmera e tirei de lá. Minha respiração estava pesada, o coração parecia que iria explodir. Não consegui ir longe. Um dos homens me alcançou, puxando o meu braço com força. - Me solta! – gritei, mas minha voz era fraca, ofegante. Ele apontou a arma para a minha cabeça, e o mundo pareceu parar. Fechei os olhos, esperando o pior. Foi quando ouvi uma voz grave e firme. Aproveitei o momento e joguei o cartão de memória no chão. - Larga ela, agora! Abri os olhos e vi outro homem ali. Ele era alto, com uma expressão fria e determinada. Antes que meu captor pudesse reagir, o desconhecido avançou, agarrando-o em um movimento rápido. Eles lutaram, e eu fiquei paralisada, assistindo. Era brutal, cada golpe ressoando na fábrica vazia. Finalmente, o estranho quebrou o pescoço do homem, que caiu no chão sem vida. O homem se virou para mim. - Você está bem? – perguntou, sua voz carregada de seriedade. Tentei responder, mas meu corpo tremia tanto que m*l consegui balançar a cabeça. - Precisamos sair daqui, fica atrás de mim! – ele disse como uma ordem. Então os tiros começaram novamente. Ele se colocou na minha frente, sacou uma arma e começou a revidar. Corri para trás de uma parede enquanto ele enfrentava os homens que vinham atrás de nós. O som dos tiros parecia nunca parar, cada explosão fazendo o meu corpo estremecer. Eu não conseguia pensar, apenas sentir o medo dominando cada célula do meu corpo. Quando tudo finalmente parou, ele voltou para mim, perguntando se eu estava bem, mas não conseguia responder. Sua expressão era cansada, mas havia algo tranquilizador em seus olhos. - Acabou. Vamos sair daqui. – ele disse. Sem pensar, corri para ele e o abracei com força. Meu corpo tremia incontrolavelmente, senti ele hesitar, porém logo senti seus braços ao redor de mim, e parecia que isso era a única coisa que me fazia sentir segura naquele momento. - Obrigada. – sussurrei, tentando controlar as lágrimas. Ele segurou a minha mão e saímos para fora daquela fábrica. Ele afastou-se um pouco, me olhando nos olhos. - Agora me diz, o que diabos você estava fazendo ali dentro? Engoli em seco antes de responder. Contei a ele tudo que tinha visto, o que eles fizeram, e sobre o cartão de memória que joguei fora. Ele estreitou os olhos, claramente avaliando minhas palavras. - Você tem ideia do que acabou de se meter? – perguntou, a voz baixa e grave. - Eu só queria fotografar… – comecei, mas a verdade parecia frágil diante do que havia acontecido. Mais tarde, ele me levou à delegacia. Fiz a minha denúncia, relatando tudo que vi. Enquanto o delegado fazia perguntas ao homem ao meu lado, percebi como ele era reservado. Confirmava o necessário, mas não revelava mais do que devia. Quando o delegado saiu, ele se virou para mim, os olhos fixos nos meus. - Você deveria retirar essa denúncia. – disse. Fiquei perplexa. - Como assim? Eles nem me viram direito. - Eles vão atrás de você. – ele respondeu, a seriedade em sua voz fazendo o meu coração disparar novamente. – Esses caras não deixam pontas soltas. O que ele dizia parecia surreal. Minha mente girava, e o pavor voltou a me dominar. Mas, ao mesmo tempo, sabia que não podia simplesmente fugir. O homem suspirou, percebendo minha hesitação. - Se você for em frente com isso, vai precisar da polícia para protegê-la. Porque, acredite, isso ainda está longe de terminar.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD