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Destinos Cruzados

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Blurb

Dois irmãos perdidos entre o céu e o inferno. Duas mulheres fugindo de seus passados sombrios. Um encontro de almas que mudará suas vidas para sempre.

Henrico e Juan Gonzalez se viram órfãos muito cedo e, ao fugir dos maus tratos no orfanato, tiveram que sobreviver aos infortúnios de uma vida nas ruas, até encontrarem um benfeitor. No entanto, esse homem, aparentemente benevolente, os colocou no caminho do submundo, um mundo do qual tentaram escapar arduamente. Um trágico acidente marcará uma época e a mudança em suas trajetórias, que só o tempo dirá se será a certa.

Daisy Thompson é a única filha de um grande empresário. Aprendeu a se defender muito nova, ao conhecer a dor e a perda. Apesar da força e beleza exteriores, seus olhos contam uma história que ela deseja esquecer.

Alexandra Hamilton carrega consigo a culpa do maior erro que cometeu em toda sua vida. Um que resultou em um pecado capital e uma sentença mortal. 

Eles não eram bons o suficiente sozinhos, mas, juntos, poderiam ser tudo aquilo que haviam procurado por tanto tempo, se o destino permitir.

Essa é uma história paralela ao primeiro livro da série, Caminhos Tortuosos, mostrando a vida de Rico, Juan, Daisy e Alex. 

AVISO: O texto contém cenas fortes de cunho s****l, violento, alcoolismo e abuso

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001 - O mafioso
*Juan PoV* Minhas mãos tremem tanto de frio, que fico esfregando uma na outra. Minha roupa está um pouco úmida por causa do tempo chuvoso. Vejo algumas pedras de granizo caindo aqui e ali, ou batendo na tampa da lixeira que nos serve de moradia. Meu hermano mais velho saiu faz algum tempo para procurar comida, então estou sozinho. O beco não é muito iluminado, há só um poste na entrada. As sombras parecem querer brincar com meus temores, no entanto, o meu maior medo é que o meu hermano não volte mais. Espero que ele esteja bem… Uma mão toca o meu ombro e eu levo um baita susto. Quando me viro, vejo o rosto dele e respiro aliviado. A escuridão atrapalha, porém sei que está sorrindo. Ele adora me pregar peças. ㅡ Rico! Você demorou! Ele dá uma breve risada e esfrega a mão no topo da minha cabeça coberta com uma touca. ㅡ Hermanito… Você parece um gato assustado! Aqui… ㅡ Ele tira do bolso um pão francês e me entrega. ㅡ Vai se sentir melhor depois de comer. ㅡ Eu não estava com medo! Você que é muito sorrateiro! Mordo um pedaço do pão duro, porém mais gostoso que qualquer outra coisa. A fome estava deixando meu estômago doendo. Ofereço para ele também. Ele é maior, então precisa de mais comida que eu. No entanto, ele chacoalha a cabeça e tenta empurrar o pão de volta para mim. ㅡ Esse é todo seu, Juan. Eu já comi. Rico nunca foi bom em mentiras, pelo menos, não comigo. Eu não posso me queixar do hermano que tenho, mesmo que ele goste de tirar sarro de mim, porque ele sempre me protege e me dá o que comer. Por tudo isso, eu sei que ele não comeu nada. Ele sempre faz isso, pois escuto seu estômago vazio durante a noite. Olho para o pão e o parto ao meio, esticando um pedaço para ele. ㅡ Você é maior que eu, precisa de mais comida. A diferença de idade entre nós nem é tão grande assim. Tenho seis anos e, ele, sete. Mas ele ficou com o porte grande do papá, enquanto eu sou bem menor. ㅡ Nada disso. Você está em fase de crescimento. Como vai ficar tão forte quanto eu, se não comer direito? Ele ergue um braço e dá um tapa no muque, com um sorriso bobo no rosto. Eu rio. ㅡ Como você vai continuar sendo forte se não comer? ㅡ Termino a minha metade do pão em segundos e continuo mantendo a outra parte apontada para ele. ㅡ Coma! Rico bufa e revira os olhos. Ele sabe que não vou desistir, toda noite é a mesma coisa. Acaba pegando o que sobrou do pão e o come. ㅡ Você é tão chato, chiquitito… ㅡ Quando eu crescer, vou ficar maior que você! Aí, não vai mais me chamar assim! Inflo as bochechas e prendo o ar, cruzando os braços. Ele ri da minha birra. ㅡ Vai sonhando, hermanito… Vai sonhando… Mostro minha língua e pulo nele. Nós brincamos de trocar socos e, obviamente, perco. Mesmo assim, não dou o braço a torcer. ㅡ Como sou bonzinho, vou deixar você ganhar! ㅡ Há, há, há! Então, você é bonzinho todas as vezes, porque eu sempre ganho! Ficamos abraçados para espantar o frio cortante. Só temos um ao outro, nossos pais morreram quando eu tinha três anos, tentando cruzar a fronteira. ㅡ Eu não me lembro mais do rosto da mamá ou do papá. E você? Ele sorri largamente e arruma a minha touca. ㅡ Mamá era linda! Seu sorriso é igual o dela. Eu sou igual ao papá e… ㅡ Nesse momento, um barulho na entrada do beco me assusta e deixa o meu hermano em alerta. ㅡ Juan, se esconda. Ele me empurra para trás da lixeira. Eu tento resistir, me agarrando ao seu casaco surrado. ㅡ Eu quero ajudar! ㅡ Você ajuda ficando de olho no movimento, como um olheiro. Está bem? Eu aceno tremulamente com a cabeça e ele pega um pedaço de madeira no chão. Sai da nossa “casa”, andando meio agachado, em direção à entrada do beco. Vejo sombras altas surgirem, são quatro homens sujos e fedendo a bebida. ㅡ Hei, vejam o que temos aqui! Carne fresca! Os invasores avançam sobre o meu hermano, porém ele aprendeu a se defender como ninguém. Demoramos muito para encontrar esse lugar e ele não pensa em deixar esses estranhos tomarem conta. Só não entendo porque o chamaram de carne fresca. Será que eles são canibais e querem comer o Rico no jantar? A ideia me angustia e me serve de combustível ao mesmo tempo. Quero ajudar o meu hermano, do jeito que puder. Então, observo tudo atentamente, para fazer o meu papel de olheiro. Rico desvia de um dos homens e lhe acerta uma paulada na cabeça, que vai ao chão, imóvel. Os outros três ficam mais cautelosos, percebendo que ele não é uma presa fácil. Um deles puxa algo do bolso do casaco e posso ver o brilho da lâmina quando um raio cruza o céu. ㅡ É uma faca, Rico! Fico aliviado quando ele consegue desviar, usando o pedaço de p*u para se defender e desarmar o cara, que acaba recuando. ㅡ São dois fedelhos! ㅡ É! O outro está escondido ali atrás! Um homem aponta na minha direção e meu hermano trinca os dentes, se colocando no caminho dele. ㅡ ¡No tocarás a mi hermano! Rico sempre esquece do inglês quando fica com raiva, porém isso é o que menos importa. Os homens tentam forçar a passagem para me pegar, mas ele não deixa, sacudindo aquele pedaço de madeira molhada de forma ameaçadora. Sei que ele é forte, mas está em desvantagem. Em algum momento, vão pegá-lo. Temo mais por ele, que por mim. Não vou deixar ele se machucar! Saio de onde estou e colo minhas costas nas dele, depois de pegar a perna de uma cadeira quebrada. Rico fica preocupado. ㅡ Juan! O que está fazendo? Fuja! ㅡ Não! Vou proteger você! Os homens nos cercam, girando ao nosso redor, esperando uma oportunidade para atacar. Rico respira fundo e pergunta com muita seriedade. ㅡ Você se lembra dos golpes que tenho te ensinado? ㅡ Sim! ㅡ Então, hermanito, somos um só. Nenhum de nós dois teve um professor, ou algo do tipo. O que sabemos, aprendemos no orfanato e nas ruas. A necessidade é mãe de tudo, não é o que dizem? Mas, o fato de poder ajudar meu hermano, ao invés de ser o fracote que sempre é defendido, me enche de coragem. Inflo o meu peito, enquanto os homens riem de forma desdenhosa. ㅡ Ora, ora… Dois franguinhos prontos para serem abatidos! Eu e Rico colamos ainda mais nossas costas, um protegendo a retaguarda do outro, e usamos nossas “armas” para revidar o avanço dos homens. Um deles, o mais arrogante, leva uma paulada minha no peito e cai sem fôlego. Aproveito para finalizar, acertando sua cabeça. Meu hermano sempre me disse para neutralizar o inimigo rapidamente. A cabeça sempre é a melhor escolha. As gotas de chuva dançam ao nosso redor, enquanto nós nos movimentamos como se tivéssemos um só corpo. Rico perde sua madeira e ergue os punhos, desferindo um golpe certeiro nas bolas do homem que avança sobre ele. O bandido fica rolando pelo chão, gemendo de dor. Meu hermano segura meus braços por trás e me apoia em suas costas. Com isso, consigo impulso para dar um chute forte no rosto do outro invasor, que desmaia. Ele finaliza o homem que estava caído no chão, se contorcendo ainda com a dor de ser atingido nas partes baixas, com um chute no rosto. É quando ouvimos palmas. Na entrada do beco, está um homem muito bem vestido, todo de branco, com um cachecol no pescoço. É um señor com cabelos grisalhos longos e soltos, um bigode espesso, com um sorriso indecifrável no rosto. Eu fico admirado com sua presença. Ele deve ter muito dinheiro… Quando crescer, quero ser forte como o meu hermano e poderoso como esse señor… Ao seu lado, vejo um menino praticamente da nossa idade, também parecendo contente com o que testemunhou. Há vários homens de roupa preta atrás deles e um segura um grande guarda-chuva sobre eles para protegê-los da chuva. Eu e meu hermano já estamos encharcados até os ossos. O señor de branco acena para alguém atrás dele, sem tirar os olhos de nós e, logo, os invasores são retirados do lugar. ㅡ Quando mi hijo me disse que viu, pela janela do carro, dois chiquititos lutando contra quatro adultos, eu não acreditei. Estou impressionado. A gana que vocês demonstraram foi surpreendente. Onde estão sus padres? ㅡ Não temos… ㅡ Fique quieto, Juan! Não conhecemos ele! Meu hermano me repreende e eu me encolho. Esqueci, por instante, o que ele me ensinou: Nunca falar com estranhos. ㅡ Você é um rapaz sensato. Levando esse tipo de vida, sozinhos, realmente devem ter muito cuidado. Mas, eu não estou aqui para machucá-los. Meu nome é Ernesto Greco, mais conhecido como El Viejo. Esse aqui é mi hijo, Fernando. Não tenham medo. Quero apenas ajudá-los. Estão com fome? Nesse momento, o meu estômago ronca alto. Rico desfaz sua expressão carrancuda e olha para mim com muita preocupação. Tento disfarçar, colocando as mãos sobre a barriga, porém é inútil. Aquela metade de pão foi a melhor coisa que tivemos em dois dias. El Viejo sorri ternamente e estende o braço para nós. ㅡ Vamos lá. Tem muita comida na minha casa e espaço para dormirem… ㅡ Ele olha rapidamente para o nosso “lar”. ㅡ Sem se molharem. Poderão comer, tomar um banho e dormir sem preocupações. De manhã, conversaremos sobre o futuro de vocês dois. ㅡ Por que está fazendo isso? Meu hermano está desconfiado como sempre, porém, nesse momento, eu só quero comer e dormir. ㅡ Eu sou apenas um viejo padre de coração mole. Vocês não têm ninguém. Tenho muito espaço lá em casa. Será bom ter mais niños. Poderão brincar com Fernando e Helena, mi hija, enquanto crescem. Mas, isso, podem decidir depois que estiverem alimentados e seguros. O que me dizem? Rico olha para mim um instante, antes de voltar a encarar o homem. ㅡ Está bem. Mas, se machucar meu hermanito, juro que te mato. El Viejo dá uma gargalhada alta e abre espaço para entramos em seu carro. ㅡ Gosto do seu espírito, chiquitito. ㅡ Não sou um chiquitito! Meu nome é Henrico Gonzalez! ㅡ Ah, e o caçula é Juan Gonzalez, certo? ㅡ Rico acena com a cabeça e me pega pela mão. Uma raio corta o céu, rasgando a cortina de água ㅡ Tudo bem, “Irmãos Tormenta”. Seu futuro os aguarda… A casa de El Viejo era enorme e, além de seus dois hijos Fernando e Helena, ele também tinha outros órfãos retirados das ruas morando com ele. Apesar do luxo e do senso de família, Rico queria ir embora, mas eu sempre arrumava uma desculpa para ficarmos. Até fingi estar doente. O tempo foi passando e El Viejo tornou-se a figura paterna que tanto queríamos ter. Mesmo descobrindo sobre seus negócios sujos, permanecemos ao seu lado. Meu hermano não compreendia aquele mundo, porém eu sim. Comecei a me envolver com os esquemas, Ernesto me ensinou tudo o que sabia e, aos quinze anos, eu era um “expert”. Não gosto de alguns negócios dele, como os bordeis. Quando ele se aposentar, vou convencer o Fernando a mudar tudo. Com a ajuda de El Viejo, montei minha própria empresa. Uma produtora, agenciando artistas das ruas ou que não conseguiam uma oportunidade, apesar do talento. Sempre vou ser agradecido a Ernesto por sua orientação e apoio. Graças a ele, me tornei um forte empresário honesto com apenas dezesseis anos. Teve uma confusão no aniversário de quinze anos da Helena. Quase que Rico foi capado por se meter com ela. Aquele tonto… Tinha que namorar justamente aquela encrenqueira? No entanto, o inferno nunca está muito distante do paraíso, pelos menos não para nós. Duas semanas após a festa, Rico e Helena sofrem um terrível acidente de moto e ela morre no local. Meu hermano está se recuperando, porém temo pelo que El Viejo fará com ele. Nunca o vi tão transtornado como enquanto esbraveja contra os médicos. Michael chega pouco tempo depois, querendo notícias do Rico. Ele parece um aprendiz de roqueiro, com seu cabelão preto. É arrogante, porém tem talento, até montou uma banda com dois amigos de infância. Tentei agenciar a Everlasting, mas ele recusou. Não quer se envolver com os negócios do El Viejo. Idïota… Minha produtora é limpa! Pelo menos, era o que eu pretendia quando a montei. Porém, ao escutar o homem que nos criou querer a cabeça do meu hermano, entro em desespero. Rico está em coma e não pode se defender! Se eu não fizer nada agora, talvez ele nunca mais acorde… Ernesto certamente o fará sair daqui direto para o caixão! Respiro fundo e encho meu peito de coragem, chamando Ernesto para um particular em uma sala. ㅡ Estou ouvindo, Juan. Porém, se for tentar me dissuadir de punir o Rico, esqueça! ㅡ E se eu te desse algo em troca da vida dele? Não vai trazer a Helena de volta, mas talvez ajude a pagar a dívida que ele tem com você. Você sabe que foi um acidente. Rico jamais a machucaria de propósito. Ele a amava. O rosto dele se distorce em um misto de dor e sofrimento. É difícil para ele tomar uma decisão. Com o tempo, ele também nos colocou na posição de hijos, principalmente o Rico. ㅡ O que você sugere? Eu suspiro, sabendo que, o que estou prestes a fazer, irá sujar as minhas mãos para sempre, mas nada seria pior que perder meu hermano. ㅡ Minha produtora está indo muito bem e a demanda dos seus negócios está aumentando. Tenho como fazer uns esquemas e lavar grande parte do seu dinheiro, torná-lo limpo, assim a polícia sairá do seu pé. ㅡ Já tenho quem faça isso para mim, Juan! ㅡ Aquele seu contador é um zero à esquerda! Você mesmo já cansou de reclamar dos erros que ele, assim como outros, cometeram. Você me treinou, Ernesto. Sabe do meu potencial. Vamos lá… Já perdemos tanto… Eu não tenho mais ninguém, além do Rico. Ele é tudo o que sobrou da minha família. Helena o amava. Não acha que ela ficaria feliz se poupasse sua vida? Nesse momento, sua expressão suaviza e ele limpa algumas lágrimas. É inacreditável ver um homem como ele chorar. ㅡ Rico para mim sempre foi muito especial, talvez por me lembrar de como eu era quando niño… Está bem… Aceito seu acordo, com uma condição. Devem deixar a minha casa e nunca mais quero vê-lo diante de mim. Ele seria uma lembrança muito dolorosa do bem mais precioso que perdi. Eu concordo com a cabeça e ele se retira. Finalmente, consigo respirar, parecia que o ar estava preso dentro de mim o tempo todo durante a conversa. Realmente, agora vou me tornar o mafioso que Michael tanto me acusou. Tudo bem sujar as mãos, se for para manter meu hermano seguro. Ele sempre cuidou de mim e até passou fome para que eu comesse melhor. Chegou a minha vez de protegê-lo.

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