Parece que demorou dias, mas foram apenas algumas horas para que Lindsay Davis finalmente começasse a trabalhar. Eles realmente não sabiam explicar o sentimento e sem saber, ambos sentiam o mesmo.
A manhã de Lindsay foi a mesma de sempre, ela acordou, tomou um banho e decidiu vestir o seu terninho preto, com uma blusa em decote leve em V, com um colocar e brincos simples e delicados. Pouca maquiagem. Ela não parou para tomar o café da manhã e deixou sua irmã na universidade.
No caminho ela decidiu comprar um café, porém, a fila estava muito grande e ela não queria se atrasar no primeiro dia, então desistiu.
Já o dia de Jay Soffer foi mais agitado do que o normal, é o que acontece quando se tem dois filhos. Liam estava crescendo, mas por algum motivo hoje ele parecia uma criança de 3 anos. Ele não queria ir para a creche. Ele queria ficar com o pai, queria colo. Então, desde a hora em que acordou Jay fez tudo com o filho no colo. Eles acabaram tomando banho juntos, o café da manhã foi feito com seu filho em seus braços e tudo o que Soffer fazia na parte da manhã foi feita com seu filho ou ele decidiu não fazer. Já Hannah estava mais tranquila, porém por quase meia hora ela começou a se revoltar por não achar nenhum sapato que combinasse. Jay era o máximo de paciente, mas hoje tudo o que ele queria era chegar no seu trabalho. No entanto, sem apressar e sem irritar ainda mais seus filhos ele saiu 5 minutos atrasado de casa e demorou mais uns 15 minutos para convencer Liam de que ele tinha que ficar com a babá. O garoto insistiu ir para o trabalho. Não era incomum ele levar o filho, seu escritório era isolado e bem espaçoso, no entanto uma sede criminal, não é um lugar para criança. Após uma conversa longa, ainda soluçando devido ao choro o garoto de 5 anos finalmente se despediu do pai.
Com algumas chamadas e conversas pelo carro o ASAC Soffer finalmente chegou em sua sede.
- Bom dia senhor... - A sua secretária aparece.
- Bom dia, obrigado. - Ele pega suas duas xícaras de café e se dirige ao seu escritório. No caminho ele a encontra, ela parece perdida sem saber o que fazer, ele sabe que parte disso é culpa dele. Ele deveria estar ali e chegar antes dela, recebê-la e apresentá-la. Antes que consiga fazer sua presença reconhecida ele avista Tom Parks.
- Bom dia, Agente... - Ele sorri calorosamente.
- Bom dia... Você é? - Mesmo que possam ter trabalho juntos no primeiro dia, ela não se lembra do nome dos outros agentes, não teve apresentação, eles apenas trabalharam juntos.
- Tommy Parks, mas você pode me chamar de Tom. - Ele diz sorrindo e elevando sua mão direita. - Você é Lindsay Davis. Estou certo? - Ele pergunta quando duas mãos se unem em cumprimento.
- Isso. Eu... - Ela começa e solta as mãos.
- É nova aqui.. eu sei. - Não era isso que ela ia falar, mas ela decide não interromper. - Eu vou te fazer um tour...
- Não será necessário agente Parks... - Soffer finalmente se une a eles. - Tenho certeza que você está atolado de papelada que precisam ser feitas.
- Claro senhor. Com licença, Davis. - Ele diz rapidamente deixa os dois sozinhos.
- Ei você... Ela sorri para ele.
- Olá... - Ele se vira e a encara. Cada vez mais linda. - É... isso é pra você. - Ele entrega o café e limpa a garganta, ele nunca ficou tão nervoso perto de alguém, ele não estava entendendo o porque disso agora.
- Oh... - Ela fica surpresa. - Você não precisava, mas sou muito grata, a fila estava enorme hoje. - Ela agradece pegando.
- Bem, eu queria. - Ele sorri gentilmente. - E sobre a fila, talvez se você tivesse pego teríamos chegado juntos, me desculpe não ter estado aqui para poder te receber... - Ele começa.
- Não... não precisa se desculpar, não demorou tanto assim e pra ser honesta eu cheguei mais cedo. Eu só estou um pouco perdida aqui. - Ela diz dando um gole em sua bebida. - Oh Deus... - Isso está perfeito. - Ela sem perceber solta um gemido de apreciação, sem perceber como isso afetou o corpo de Soffer.
- É... eu ia perguntar para a próxima vez qual tipo de café você gosta, mas acho que esse ficou bom... - Ele sorri e ela assente sem dar ideia, pois está dando mais um gole.
- Eu normalmente gosto de café preto simples. Isso é...
- Perfeito, eu sei. - Ele sorri e da ele mesmo um gole de sua bebida. - Como ele não sabia a preferência, ele pediu que fosse entregue dois do mesmo, eventualmente ele preguntaría o favorito dela, mas pelo que parece não será necessário.
- Você tem um bom gosto. - Ela diz e acaba avaliando todo o corpo dele, um terno preto com camisa branca por baixo, praticamente a versão masculina do dela. A maneira como ele cai bem no corpo dele, como o deixa sexy e poderoso a deixa arrepiada e faz algo entre suas coxas.
- Deixa eu te fazer uma tour antes de te apresentar aos agentes e a sua equipe. - Ele diz e ela assente.
Eles começam indo em algumas salas de reuniões. Tem três no total, uma enorme, totalmente de vidro, outras duas menores e fechadas, uma parece ser para reuniões dos grandes chefões, aparentemente uma reunião só dos superiores e a outra é para as equipes divididas. Ao longo do caminho, Lindsay viu as outras duas equipes. O ASAC Soffer é responsável por três grupos, com o seu próprio SSA. Ele não era responsável pelos agentes, eles costumava trabalhar mais com os SSA e em casos grandes ele entrava. A última e uma das mais importantes era a equipe Davis. Eles tinham três integrantes no momento, ela poderia adicionar alguns de sua confiança. E Jay estava grato Tom não ser da equipe dela. Ele sentiu um interesse da parte do agente.
- Bem, está é a sua equipe. - Ele os apresenta e apresenta SSA Davis para eles. Após as apresentações, os agentes voltam a terminar sua papelada enquanto ele vai apresentar o escritório dela.
Ele fica ao lado do dele, assim como o dos outros dois, porém dos outros é para o lado esquerdo e o dela é o único do lado direito. O escritório dos SSA são menores do que o do ASAC Soffer, mas ainda são bons escritórios.
- Isso é melhor do que a minha mesa na CTD. - Ela diz após Sofrer dizer que não é tão grande. - Eu realmente achei incrível. - Ela se vira para ele, a sala sendo esquecida enquanto ela se aproxima. - Obrigado por me dar essa chance. - Seu olhar é gentil e agradecido. - Eu prometo que você não vai se arrepender de ter tomado essa decisão.
- Eu sei que não. Normalmente, não saio por aí me vangloriando. - Ele sorri. - Mas sempre faço boas escolhas. - Ele diz profissionalmente, mesmo que tenha algum interesse pessoal, ele decidiu deixar isso de lado quando viu o potencial que ela tinha. Quando soube que ela iria fazer grandes mudanças para sua equipe. Ambos se olham com sorrisos semelhantes, aquele olhar de que querem algo mais, porém decidiram internamente serem profissionais. - Antes que eu deixe com sua equipe, quero resolver algumas coisas com você no meu escritório primeiro. - Ele conta e ela assente, ambos saindo e caminhando para o escritório dele.
Eles ficam um bom tempo em reunião. O ASAC Soffer a informa de tudo que é necessário para cumprimento do dever. Como eles trabalham e como a unidade CID funciona. Como ele age em relação as notícias relacionadas as crianças e adolescentes.
- E então para esse início quero trabalhar com você. Não quero que pense que não confio, mas é apenas um procedimento padrão para que eu veja sua forma de trabalhar e ver como você interage com os seus agentes. - Ele conta, sua mente não vacila ao pensar que desta vez, ele gostaria de ter que ir em todas as missões com ela.
- Tudo bem, eu entendo. - Ela realmente entendia, não sentiu como se ele quisesse vigia-la, apenas fazendo o trabalho dele. E ela iria negar se perguntasse, mas estava feliz que ele iria se juntar a ela, ela nem se importaria se ele fizesse disso uma rotina.
- Bem e por último... - O celular dele toca. É sua babá, ele olha para Lindsay e depois para o celular, ele precisa atender, eles já estavam quase terminando. - Eu preciso atender, se você não se importa. - Ele começa.
- Claro... - Ela diz e se levanta.
- Não... não, você pode ficar, não vou demorar, é apenas minha babá. - Ele informa e se levanta indo para sua janela que dava para uma vista incrível da cidade.
Isso a surpreende. Babá? Ele tem filhos? Será que é casado? Não, provavelmente não, ele não usa aliança, mas e se eles forem o tipo de casal moderno. Meu Deus ela estava fantasiando com um pai de família. Ela se sente culpada e mesmo que não queira é impossível não ouvir a conversa entre eles, pois mesmo o escritório sendo grande, ele não foi muito longe, como se ele não se importasse que alguém ouvisse.
- Oi Francis, está tudo bem com o Liam? - Ele pergunta sobre seu filho, ele estava extremamente preocupado que fosse alguma doença chegando em seu filho.
- Pode se dizer que está tudo bem, mas Liam não parou de chorar desde que chegou, ele ficou uns 15 minutos bem, mas agora está novamente incomodado com algo e fica pedindo pelo senhor...
- Você pode passar para ele por favor? - Ele pede alheio ao olhar de Lindsay sobre ele. Ela é uma detetive e mesmo que seja uma falta de respeito, Soffer não pareceu se importar. Então ela iria aproveitar. Assim que Francis entrega o celular para o garoto, ele pode ouvir seu resmungo e fungadas. - Ei garotão, o que está errado? - Ele diz e isso trás um sorriso aos lábios de Lindsay. - Você está se sentindo m*l? - Ele pergunta querendo saber mais.
- Eu... eu estou com minha cabeça doendo e... minha barriga dói também. - Ele responde no meio de suas fungadas, Jay sabe que ele está se segurando para não chorar.
- Vamos fazer o seguinte, a Francis vai dar a você um remédio para ajudar na sua barriga e sua cabeça. O papai vai terminar aqui e eu vou te buscar mais cedo, pode ser? - Ele pergunta e após algumas fungadas ele assente. - Okay, então, eu amo você. - Após, receber a resposta de volta ele desliga.
- Me desculpe...
- Tudo bem... - Ela o interrompe imediatamente. - É seu filho, você pode ir, acho que tenho tudo sobre controle, eu posso ir conversando com algumas pessoas indo descobrindo pequenos detalhes. - Ela o informa.
- Eu agradeço e hoje eu quero que você pense nos agentes que você quer trazer e se atualize com os casos que ficará com você. Como eu disse, ele está na sua mesa e seus agentes estão a par de alguns. Essa semana vocês podem ir se atualizando antes de realmente irem para as ruas. Eu vou tentar voltar para ajudar com as atualizações, tem alguns casos que eu estou a par deles e gostaria de discutir com você. - Ele se levanta e abotoa seu terno.
- Eu posso deixar eles de lado por enquanto e discutir outros se você precisar ficar com seu filho. - Ela também se levanta.
- Obrigado. Vou tentar não precisar chegar a isso, ele deve estar pegando algum inseto infantil... - Ele olha para ela e sorri. - Alguma virose... - Ele sorri. - Passe seus dias com duas crianças que tudo o que você falar será apropriado para a indicação livre. - Ele sorri.
- Você tem mais de um filho? - Ela pergunta enquanto saem.
- Tenho uma menina de 8 e um menino de 5. - Ele conta como um pai orgulhoso que é. Seu sorriso é amplo com sempre que os assuntos é seus filhos.
- Wow, isso é incrível... - Ela diz sorrindo, é notável a mudança de humor ao falar dos filhos, mesmo que um deles esteja dente. - A mãe... - Ela não sabe como perguntar, mas de todo jeito não tinha uma pergunta certa.
- Não está na foto. - Ele diz um pouco mais áspero do que gostaria.
- Me desculpe, não queria ser indelicada... - Ela se xinga mentalmente.
- Não... me desculpe... - Ele diz após respirar fundo. - É só...
- Não é da minha conta, não precisa me dizer, vá cuidar do seu garotinho, ok? - Ela diz e sentindo que o clima ficou estranho por um momento ela decidiu sorrir para ele e bater gentilmente em seu peito.
- Obrigado. - Ele diz. Ele viu como ela parecia entender mesmo que não soubesse de nada, ele viu pelo olhar que suas palavras eram verdadeiras, que ela não se ofendeu por ele ter sido um pouco áspero. Então, ele sorri e ele queria pegar a mão dela, queria acariciar, mas isso é fora dos limites e obrigado é tudo o que ele pode dizer no momento.
- Não diga isso. - Ela sorri e tira sua mão. Eles não queriam a distância, mas a mão estava ali por tempo demais.
Ele apenas assente e a vê se afastando antes de sair para buscar seu filho.