O ar entre eles parecia mais pesado a cada segundo.
Bianca tentava controlar a própria respiração, mas era impossível ignorar a proximidade de Rafael. Ele estava perto demais… perto o suficiente para que ela sentisse o cheiro dele, forte, masculino, dominador.
— Você tá tremendo — ele disse, a voz baixa, quase como um sussurro.
Bianca levantou o olhar.
— Eu não tô com medo — respondeu, firme, embora o corpo traísse sua coragem.
Rafael observou cada detalhe.
Cada movimento.
Cada reação.
E aquilo… o instigava ainda mais.
Ele deu mais um passo à frente.
Bianca não recuou de imediato.
Mas seu corpo travou.
A distância entre eles agora era mínima.
Perigosa.
Irreversível.
— Então olha pra mim — ele disse, a voz firme.
Ela hesitou.
Mas olhou.
E no instante em que seus olhos se encontraram…
O mundo pareceu parar.
Rafael levantou a mão devagar, como se estivesse pedindo permissão sem palavras. Seus dedos tocaram levemente o queixo de Bianca, segurando com cuidado, mas com uma firmeza que denunciava controle.
Bianca prendeu a respiração.
O toque dele…
Foi o suficiente para causar um choque em seu corpo inteiro.
— Você sente isso também… — ele murmurou, mais baixo ainda.
Ela engoliu em seco.
— Isso é errado… — sussurrou, quase sem voz.
Mas não se afastou.
Rafael inclinou o rosto um pouco mais perto, os olhos presos nos dela.
A respiração dos dois já se misturava.
— Errado ou não… — ele respondeu, passando o polegar suavemente pelo rosto dela — você não tá se afastando.
O toque era leve.
Mas para Bianca…
Era intenso.
Perigoso.
Proibido.
Ela fechou os olhos por um segundo, tentando recuperar o controle.
Mas o corpo não ajudava.
O coração batia rápido demais.
E o toque dele…
Pedia mais.
Quando abriu os olhos novamente, Rafael ainda estava ali.
Observando.
Esperando.
Desafiando.
Bianca deu um pequeno passo para trás, rompendo o contato.
O ar voltou aos pulmões.
Mas não a tensão.
— Eu não posso… — ela disse, a voz falhando levemente.
Rafael não tentou segui-la.
Mas também não desviou o olhar.
— Pode — ele respondeu, calmo. — Você só não quer.
Aquelas palavras a atingiram em cheio.
Bianca ficou em silêncio.
Porque, no fundo…
Ela sabia.
Ele estava certo.
E isso era o mais perigoso de tudo.
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Rafael passou a mão pelo próprio rosto, como se estivesse controlando algo dentro de si.
Ele não costumava perder o controle.
Nunca.
Mas com Bianca…
Era diferente.
— Vai embora… — ela disse, tentando manter a firmeza. — Isso não pode acontecer.
Rafael soltou um leve sorriso de canto.
— Já aconteceu.
Bianca respirou fundo, sentindo o peso daquela frase.
— Você é casado… — ela lembrou, como um último argumento.
O sorriso dele sumiu.
O olhar ficou mais sério.
Mais intenso.
— Eu sei — respondeu, direto.
Silêncio.
A culpa.
O perigo.
A atração.
Tudo se misturava entre eles.
Bianca desviou o olhar.
Tentando se proteger.
Tentando se convencer de que aquilo não era certo.
Mas já era tarde.
O primeiro toque… já havia acontecido.
E o efeito dele…
Não tinha mais como desfazer.
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Rafael observou Bianca se afastar, o coração batendo em um ritmo diferente do que ele estava acostumado.
— A gente ainda não acabou — disse, baixo.
Bianca parou por um segundo.
Mas não olhou para trás.
E seguiu andando.
Rafael ficou parado, observando ela desaparecer na rua.
E pela primeira vez…
Ele sentiu que estava prestes a perder o controle.
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Enquanto isso…
Na casa, Julia estava em pé, olhando para o celular.
Várias ligações.
Nenhuma atendida.
Ela respirou fundo, sentindo algo crescer dentro dela.
Desconfiança.
— Rafael… — murmurou, apertando o celular com força.
Algo estava errado.
Ela só não sabia ainda o quanto.
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E assim…
O que começou com um simples olhar…
Agora já tinha ultrapassado o limite do proibido.
E o toque…
Era só o começo do que ainda estava por vir.