"O Despertar de Alicia"

1988 Words
Ao adentrarem, Alicia estava no seu quarto, admirando o vestido que havia recebido. Uma expressão de encanto e surpresa adornava o seu rosto, pois nunca fora presenteada com algo tão caro e bonito. — Sua mendiga, quem mandou você pegar o meu vestido? Você não é digna! — gritou Astrid, a raiva transbordando. — Seu vestido? Tem o meu nome aqui — retrucou Alicia, tentando se defender. Astrid, enfurecida, aproximou-se de Alicia e, num gesto brusco, puxou o vestido. Por ser tão frágil e refinado, a peça se rasgou facilmente nas suas mãos. Os olhos de Alicia encheram-se de lágrimas ao ver o que aconteceu, e ela segurou o tecido destruído, seu coração pesado. — Você arruinou a minha noite! — choramingou Astrid, a voz embargada pela indignação. A tensão no quarto aumentou à medida que Astrid se virou para Olavo, seu pai, buscando apoio e validando a sua frustração. — Pai, olhe o que ela fez! Esse vestido era perfeito, e agora está arruinado por culpa dela! — exclamou, o desespero na sua voz. Olavo, irritado, dirige o seu olhar para Alicia, que permanece em silêncio e perplexa diante das acusações. — Como ousa estragar algo tão caro? Astrid estava tão animada com esse vestido! — retrucou Olavo, sua voz repleta de desdém. Alicia tenta encontrar palavras para se explicar, mas Astrid, ainda soluçando, interrompe. — Ela sempre faz isso! Sempre estraga tudo! Não suporto mais! — gritou Astrid, a sua frustração transbordando. Alicia, sentindo-se injustiçada, observa o vestido rasgado nas mãos de Astrid, mas permanece em silêncio, incapaz de se defender. A desaprovação de Olavo é palpável, sua expressão enigmática. — Você vai pagar por isso, Alicia. Estragar o presente da sua irmã é inaceitável. — Ele tira o cinto da sua calça, e Astrid e Valquíria olham assustadas, os olhos arregalados. — Pai, o que... — começa Alicia, mas Olavo a interrompe. — CALADA! — ele grita, a sua voz ecoando no quarto. — Você irá apanhar, por dois motivos. O primeiro é porque rasgou o vestido que a sua irmã usaria hoje. O segundo é que desconfio que você já andou conversando com Dominic. Ele aparenta saber de coisas que acontecem nessa casa que só nós e alguns empregados conhecemos. Mas é claro, nenhum empregado vai arriscar a vida contando. Valquíria e Astrid, confio de olhos fechados, então, só sobrou você. Ele se inclina para mais perto, o seu olhar penetrante fixado em Alicia. — Vou perguntar isso apenas uma vez: Por que Dominic te tratou como se já te conhecesse? Como se soubesse que aqui você é tratada como lixo? — Eu... eu não sei, pai! Eu juro que nunca o vi... — choraminga, sua voz embargada pelo medo. — Resposta errada! Ajoelhe-se! — grita, seu olhar cheio de raiva. — Pai, por favor, eu imploro... — suplica, as lágrimas escorrendo pelo rosto. — AGORA! — grita novamente, a fúria evidente no seu tom. — Amor, o que você... — interrompe Valquíria, com preocupação no olhar. — Calada! Saiam, as duas. — ordena, a voz cortante como uma lâmina. — Mas pai... — reclama Astrid, hesitante. — Se não saírem, agora, vocês irão pagar. SAIAM! Astrid e Valquíria saem apressadas, fechando a porta. — Você sempre será um problema, Alicia? Eu deveria ter te jogado na rua, igual fiz com a sua mãe, aquela p.r.o.s.t.i.t.u.t.a. — diz, a expressão dura como pedra. — CHEGA! Não ouse falar da minha mãe, seu monstro! — grita, desafiando-o com os olhos ardendo de indignação. — Olha só, criou coragem! — Você, você é quem deveria estar no lugar da minha mãe. Isso ainda seria pouco para um monstro como você. — despreza o pai, seu olhar repleto de repúdio. — Sua ingrata! Deveria estar agradecida por ter um pai como eu. — retruca, a raiva transparecendo na sua voz. — Pai? Um verdadeiro pai nunca espancaria a própria filha, nunca a entregaria para cinco homens e nunca tentaria matá-la.Você não merece gratidão, e sim ser esquecido. — responde, a determinação em sua voz crescendo. Olavo, enfurecido, estapeia o rosto de Alicia. — Sua v.a.d.i.a! Agora, aproveite que está aí no chão e ajoelhe-se. — ordena, o seu olhar frio como gelo. — Eu não vou me curvar a você. Mesmo que tenha tentado me destruir, eu sou mais forte do que imagina. — desafia, a voz firme apesar do medo. — Veremos! — ele diz, pegando o celular e ligando, o seu tom autoritário ressoando. Não demora, e os homens já estão no quarto de Alicia! — Ajoelhem-na e segurem-na com força! — ordena, enquanto os seguranças obedecem prontamente. Olavo enrola a manga de sua camisa e desfere golpes brutais nas costas dela. Os gritos de dor ecoam no quarto, e cada cintada é uma sentença de sofrimento. O som do cinto cortando o ar cria uma sinfonia terrível, transformando o cômodo num palco de agonia. Alicia chora e se contorce, incapaz de escapar do tormento, sem forças para resistir, implorava para que aquela tortura cessasse, mas Olavo permanecia impiedoso. As suas costas estavam marcadas, e o vestígio de sangue começava a se misturar com as lágrimas que escorriam por seu rosto. Quando o braço de Olavo finalmente se cansou e ele decidiu encerrar a sessão de crueldade, Alicia, agora deitada, toda ensanguentada e desacordada, representava a vítima de um pesadelo c***l que se desenrolava na sua própria casa. O trauma marcava não apenas as suas costas feridas, mas também a sua alma, mergulhando-a num abismo de desespero e impotência. Olavo se abaixa ao lado de Alicia e diz: — Eu te avisei que se um dia você contasse o que se passa nessa casa, você seria punida. Da próxima vez, será pior. — afirma, sua voz gelada, antes de sair acompanhado dos dois seguranças. Eles descem, e os seguranças saem da casa. Na sala, Astrid e Valquíria permanecem em silêncio. Olavo se junta a elas, como se nada tivesse acontecido. Anastácia se aproxima com a bandeja de sucos, destinados às duas, e Olavo diz: — Cuide daquela bastarda. Hoje você terá trabalho, não erre. Se deixar vestígios, você vai pagar! Por mim, ela ficaria em casa, mas com a desconfiança de Dominic, deixá-la aqui será um erro. — adverte, a frieza no seu olhar. — Sim, senhor, vou subir agora e cuidarei disso! — afirma Anastácia, com um aceno rápido. Anastácia se retira, e Astrid comenta: — Eu não confio nessa criada! — diz, a desconfiança visível. — Ela não é louca em nos trair. Eu acabaria com ela num piscar de olhos. — responde Olavo, com uma confiança perturbadora. — Pai, você acha que Alicia conseguirá disfarçar? Pelo jeito, você a deixou bem machucada. — ri Astrid, a malícia nos seus olhos. — Se eu disser que acabarei com a mãe dela, ela faz tudo o que eu quiser. — afirma Olavo, com um sorriso sádico. — Menina m*l-agradecida, você faz de tudo por ela, meu amor, e ela só pensa naquela inválida da mãe. Por que você não a coloca logo na rua? — questiona Valquíria, sua frustração evidente. — Logo o farei, meu amor. Agora vamos encerrar essa conversa inútil e comecem a se produzir, gastem o que for preciso. Vocês precisam estar lindas e impecáveis. Quem sabe, Astrid, Dominic não muda de ideia por você. — diz Olavo, a esperança sutil no seu tom. — Claro, papai! Vou fazer ele me notar, hoje! — responde Astrid, a empolgação crescendo. — Assim que se fala, filha! — incentiva Valquíria, o sorriso animado. As duas saem rindo, empolgadas, pois terão uma tarde de beleza. ###Alicia Estou enfrentando uma situação insustentável há tempos, presa num lar onde não encontro amor. Olavo, meu pai, se tornou uma fonte de repulsa, e a cada dia, o carinho que um dia senti por ele se dissolve em dor. Tenho me esforçado para ser uma boa filha, suportando as humilhações da minha madrasta e da minha irmã, mas ainda assim não consigo conquistar o amor dele, e isso corta profundamente. Quero distância dessa família, mas a ideia de escapar parece distante. Sinto as minhas costas queimarem ao tentar me levantar. Prometo a mim mesma que superarei isso, seja buscando ajuda ou reconstruindo a minha vida. Vingança flerta com os meus pensamentos, mas sei que preciso focar num futuro positivo. Sou Alicia Rizzuto, e mereço mais do que essa infelicidade. A porta se abre, e um frio percorre o meu corpo, temendo que seja o monstro novamente. Mas ao ouvir a voz de Tacinha, o meu coração se aquece. A suas palavras trazem lágrimas aos meus olhos, e sinto um alívio imenso. Desde que a minha mãe foi hospitalizada, Anastácia tem sido meu refúgio, a luz na escuridão, e sou grata por tê-la ao meu lado. — Minha menina, você não merece mais passar por isso. Eu só queria poder te proteger. — diz, a tristeza visível em seu olhar. — Eu preciso fugir, Tacinha. Me ajuda! — exclama Alicia, a determinação ardendo em sua voz. — Mas para onde vamos, querida? — questiona Anastácia, a preocupação refletida em seu semblante. — Vamos? — pergunta Alicia, a esperança começando a brilhar. — Sim. Você acha que quando você se for, eu vou ficar aqui, nesse i.n.f.e.r.n.o? — responde Anastácia, sua voz carregada de emoção. — Awn, Tacinha! Eu te amo... — diz Alicia, emocionada, sentindo o calor do afeto. — E eu você, menina! Tá, deixa eu pensar... Tive uma ideia! — afirma Anastácia, a sua expressão mudando para um sorriso. — Diga... — incentiva Alicia, a expectativa crescendo. — Hoje, a lavanderia vem buscar as roupas de cama para lavar, são muitas. Posso dar um jeito de te colocar em um dos cestos de roupa. Você só precisará pedir ajuda a alguém que o seu pai tema. — sugere Anastácia, o brilho da solução nos seus olhos. — Você diz... — Sim, querida, Dominic! — confirma Anastácia, a determinação firme. — Mas ele deve estar muito ocupado, afinal, hoje é o seu casamento. — pondera Alicia, a preocupação evidente. — Eu sei, querida, mas ele é a nossa única esperança. — afirma Anastácia. Alicia pensa por um momento e logo diz: — O Lian! Ele é legal e estará menos ocupado. Podemos pedir apenas para ele nos buscar na lavanderia e depois nos deixar em uma joalheria que pesquisei. Lá, eles compram joias. — explica, a estratégia tomando forma. — Você vai vender o colar da sua mãe? — pergunta Anastácia, a tristeza infiltrando-se na sua voz. — É a única opção que tenho. — suspira Alicia, a dor evidente no seu olhar. — Mas, Tacinha, como você vai sair? — Entendi. Deixa comigo, darei um jeito! — responde Anastácia, a confiança ressurgindo. — Ai, Tacinha... — Alicia abraça Anastácia, a gratidão transbordando. — Não se preocupe comigo, querida! A única coisa que me preocupa é que você está fraca, muito machucada. Temos que trocar esses curativos com muita frequência. Como vamos fazer isso? — questiona Anastácia preocupada. — Tacinha, precisamos arriscar. Eu sei que estou com tanta dor que m*l consigo andar, mas se eu não sair hoje, nunca terei outra chance. Hoje, temos a vantagem de que é o casamento do Dominic, e a minha família não vai perceber nada. Quem sabe conseguimos ir para longe nesse tempo? Começaremos uma vida nova. Vou trabalhar e enviar dinheiro para o hospital cuidar da minha mãe. Posso não visitá-la tão frequentemente quanto eu gostaria, mas... — desabafa Alicia, a esperança iluminando o seu olhar, um fio de determinação crescendo dentro dela. — Entendi, querida. Eu também tenho um pouco de dinheiro guardado. Não tenho o que perder, então eu topo! Agora, vamos cuidar disso aqui. Eu trouxe anti-inflamatório, isso está muito feio, não podemos arriscar uma infecção. Vou agilizar, pois temos pouco tempo. Vem, vamos para o banho. — decide Anastácia, o foco agora na recuperação de Alicia.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD