POV Eric Walton
Entrei no apartamento e as luzes estavam apagadas, aparentemente o pessoal havia saído e era compreensível, o relógio já marcava oito da noite.
O local só se iluminava quando um raio passava pela janela da sala, mas resolvi deixar assim, me sentia cansado, só veria Allison por um momento antes de tomar banho e dormir.
Abri o quarto dela sutilmente, não queria acordá-la, mas todos os alarmes na minha cabeça dispararam quando vi a cama vazia, entrei rapidamente e encontrei o corpo de Allison caído no chão.
Corri até ela, ela estava completamente molhada e o seu corpo tremia. Segurei-a nos braços para levantá-la e colocá-la na cama, mas um uivo de dor perfurou os meus ouvidos.
— O que está doendo? Perguntei rapidamente.
— Erick…, Érick… Ela apenas sussurrou.
—Allison, o que você tem? Perguntei preocupado.
— Estou morrendo... sinto que estou morrendo... Ela soluçou fracamente.
Ouvi-la dizer isso só me fez sentir pior, como eu deveria ajudá-la agora, o que devo fazer por ela, o meu coração ameaçou quebrar quando senti o seu corpo tremer de repente e a sua temperatura corporal começou a subir, ela precisava ajuda.
Levantei para tirar o celular da calça, tinha que entrar em contato com a Sra. Osler, não deveria ter dado ouvidos a Allison, deveria ter contratado a m*aldita enfermeira.
— Senhor. Walton? Ouvi a Sra. Osler dizer do outro lado da linha.
— Boa noite Sra. Osler, desculpe a hora...
— Não se preocupe, está tudo bem com a senhorita Foster? Ela indagou.
— Essa... ela... Eu sussurrei quando vi Allison enrolada na sua cama.
— Ela entrou na fase de abstinência? Você está tentando me dizer isso, Sr. Walton? Perguntou a senhora.
— Sim. Eu respondi.
— E que sintomas apresenta? Ela perguntou.
— Suando, talvez porque a temperatura dele esteja aumentando, não sei se é ansiedade, mas ela está tremendo e alguma coisa dói, ela reclamou. Ela sussurrou coisas sem sentido.
— É normal. Amanhã de manhã pode ser pior, basta mantê-la calma e alimentada corretamente. Recomendo que você tente dar um banho nela e tente manter o corpo dela o mais relaxado possível. O que a paciente mais precisa nesse momento é de apoio, ela não pode se sentir sozinha no processo. Ela afirmou.
— Tudo bem. Obrigado. Encerrei a ligação.
Fui até o banheiro encher a banheira com água quente, não sei como, mas daria banho na Allison. Aproximei-me dela para verificar a sua temperatura novamente, mas fiquei surpreso ao encontrar os seus olhos abertos.
— Enchi a banheira, vou te dar banho, tudo bem? Perguntei, não queria deixá-la desconfortável. Mas ela assentiu com a cabeça.
Allison estava vestindo uma camiseta e shorts esportivos, eu a sentei na sua cama enquanto comecei a tirar a sua camiseta, sua pele era macia, delicada e um tanto pálida. Ela se mexeu ao sentir o contato das minhas mãos na sua cintura para tirar a camisa, mas não resistiu.
Ela não usava sutiã, mas naquele momento a sua fragilidade estava me dominando a tal ponto que não dava lugar a pensamentos psicóticos sobre ela. Aos poucos fui tirando o seu short esportivo, revelando as suas pernas delicadas até que ela ficou apenas com a calcinha.
Segurei ela no braço para entrar no banheiro e coloquei ela na banheira, os seus cabelos estavam grudados na testa molhada devido ao suor. Tentei soltar a mão dela para procurar uma toalha, mas Allison apertou fracamente a união das nossas mãos.
— Fique. Ela implorou enquanto uma lágrima escorria pelo seu rosto.
— Só vou procurar uma toalha. Indiquei, acariciando o seu rosto.
— Quero que você entre na banheira comigo, por favor, as minhas costas doem. Ela soluçou.
Eu não sabia se tinha força suficiente para fazer isso, mas a minha força não importava quando se tratava dela.
Rapidamente tirei a roupa para entrar na banheira, fiquei atrás dela enquanto a suas costas estavam pressionadas contra o meu peito, senti a sua respiração relaxar e abracei a sua cintura com um dos braços.
Eu não aguentava mais, o imponente Erick que controlava tudo se perdeu quando entrei na banheira. Allison havia entrado na minha vida para libertar os meus sentimentos mais profundos. Por mais que tentasse lutar, eu tinha consciência do que começava a sentir por aquela mulher, e vê-la sofrer daquele jeito só confirmava o que eu começava a sentir por ela.
— Eu preciso de você. Allison sussurrou, enquanto deixava a cabeça cair no meu peito para encontrar o meu olhar.
Ela precisava de mim, os seus olhos gritavam para mim apesar de estar perdida.
Beijei a sua cabeça para esconder o olhar, não consegui mais me conter, uma lágrima veio do fundo do meu ser, isso só poderia ser uma coisa, amor, porque só o amor poderia machucar assim.
Peguei uma das mãos dela para dar um beijo na sua palma, mas vi algo que me chamou a atenção, uma cicatriz percorria o seu pulso, e não era necessário perguntar o que era, a vida de Allison era difícil.
— Quero que você durma no meu quarto esta noite, preciso cuidar de você. Eu disse.
— Sim. Ela respondeu, então eu a abracei com mais força.
Depois de tirar Allison da banheira, ela insistiu em vestir o pijama, mas eu a carreguei para o meu quarto para deixá-la na minha cama. A chuva estava forte lá fora, mas no momento nada importava para mim, não enquanto eu estivesse com Allison perto de mim, dormindo com ela, sendo capaz de abraçá-la e fazê-la sentir que não estava sozinha naquele momento, mostrar a ela que me importo o suficiente para que ela esqueça aquelas m*alditas drogas.
Senti-a agarrada a mim, mas queria vê-la dormir antes de mim, queria saber que ela estava realmente descansando, que se sentia segura o suficiente para se deixar levar pela tranquilidade que eu era capaz de lhe dar nos meus braços, eu queria ser tantas coisas para ela que comecei a sentir medo.
Mas eu só me perguntei como poderia gostar de alguém que ainda nem tinha beijado. Tudo me parecia estranho.