POV Eric Walton
Allison não usava nada há uma semana, antes de iniciar o processo de desintoxicação pedi a faxineira que verificasse minuciosamente o quarto dela para descartar qualquer substância escondida e, de fato, ela encontrou alguns comprimidos e um frasco injetável, que me entregou e joguei no lixo sem avisar a ela, no dia em que ela foi visitar o túmulo da sua mãe.
Na primeira semana eu sabia que era difícil para ela, ela já estava tomado as vitaminas e se alimentado corretamente, mas era estéril, m*al saía do quarto e quase nunca nos falávamos, exceto alguns monossílabos para responder a algumas perguntas feitas por mim. . Eu sabia que ela estava ansiosa e passando pelo chamado momento de desejo, mas queria dar espaço a ela sem perdê-la de vista, tinha medo que ela escapasse devido à intensa necessidade de comprar entorpecentes, então eu dei a ordem de não deixá-la sair do prédio na recepção.
Na semana seguinte tudo piorou, havíamos entrado numa estação muito fria em Minnesota e embora não tivesse começado a nevar a temperatura estava abaixo de 2°C, tive que ir ao escritório pegar alguns documentos, apesar de estar trabalhando de casa por uma semana e meia, como CEO eu não poderia simplesmente decidir não ir mais para a empresa, tive que comparecer a uma reunião, procurar algum documento que pudessem me enviar claramente pelo messenger, mas eu queria provar a Allison que ela não estava na prisão e que não era seu guarda, então ela pode sair quando achou necessário.
Verifiquei o meu Rolex várias vezes verificando as horas, deixei Allison sozinha o dia inteiro.
— Senhor. Walton, o que você acha? Perguntou-me um dos responsáveis pelo projeto Wilford.
— Verifique novamente os planos, há espaços que podem ser aproveitados que devem ser considerados, é um shopping, qualquer espaço é importante e se traduz em dinheiro para os nossos clientes. Reúna-se com o Sr. Caflin, pois ele é o Engenheiro e Gerente de projetos sustentáveis, podemos fazer com que aquele edifício aproveite a sua localização, luz solar, painéis podem ser instalados. Por esta noite é tudo, você pode ir embora. Concluí.
Verifiquei a hora novamente, desta vez no meu telefone enquanto ligava para Hugo para avisar que estava no elevador, mas naquele momento Meave entrou também.
— Senti a sua falta. Declarou ela, mordendo o lábio inferior.
Eu conhecia a loira perfeitamente, cada um dos seus movimentos e mesmo querendo tran*sar com ela esta noite minha mente simplesmente repetia um nome. Allison.
— Você não vai dizer nada. Ela resmungou.
— Hoje preciso chegar ao meu apartamento, então será outro dia, Srta. Harris. Eu disse.
— Você quer encontrar com aquela drogada barata, certo? Ela confessou com desdém.
Ouvi-la se referir a Allison dessa maneira só me fez entender uma coisa e ainda mais para uma pessoa como Meave, essa garota estava realmente começando a me deixar com raiva. Mas eu sabia como fazê-la acordar, então me aproximei sedutoramente do seu ouvido para sussurrar o que ela nunca esperaria ouvir.
— Aquela viciada em drogas baratas, como você diz, realmente sabe como me agradar na cama. Eu disse.
Naquele momento eu a vi levantar a mão para tentar me bater, mas foi inútil, segurei ela pelo pulso, enquanto olhava para ela e ria.
— Você não me conhece? Não pense em levantar a mão para mim novamente, Meave, porque se você está aqui é por causa do seu pai. Agora saia do meu caminho e esqueça que eu existo. Eu disse a ela, liberando-a abruptamente para sair do elevador.
Saí da empresa para encontrar Hugo, mas assim que saí um barulho alto foi ouvido iluminando o céu e algumas gotas começaram a ficar visíveis no meu traje, aparentemente choveria em Rochester esta noite.
— Boa noite, senhor. O meu motorista cumprimentou.
— Boa noite. Vou precisar que você faça uma coisa. Anunciei.
POV Allison Foster
Neste dia não consegui ver o Erick, sei que ele está tentando me dar espaço, mas a única coisa que quero é alguém ao meu lado, sabia que estava entrando na fase de abstinência e neste momento ele não estava aqui. Me senti desanimada e pensamentos suicidas passavam pela minha cabeça, eu precisava consumir. Já se passaram duas semanas desde que decidi parar de usar e foi a pior sensação que já senti na vida.
Eu tinha passado o dia trancada no meu quarto, não conseguia ver ninguém, estava furiosa até comigo mesmo, não conhecia esse sentimento dentro de mim, mas queria chorar até morrer, era a única coisa que me acalmava.
Tudo doía por dentro, meu corpo, meus pensamentos, respiração.
Eu precisava me acalmar, mas não conseguia, mesmo querendo me levantar não conseguia tentar, o meu corpo não resistia, eu tremia inconscientemente. As palmas das minhas mãos começaram a ficar vermelhas e um fio de sangue escorria de algumas delas. Eu pressionei as unhas contra a mão com tanta força que não percebi o dano que estava causando.
Pensamentos sobre a minha mãe invadiram a minha mente e uma dor surda se instalou dentro de mim, me perguntei se conseguiria suportar essa dor, mas não queria saber a resposta. Eu não era forte, não poderia ser, não quando a minha vida não tinha valor, mas precisava de alguém que me sustentasse, que me levantasse, que me salvasse, e desejar isso apenas me lembrou de como eu estava sozinha.
Porque eu tentei quando estava com medo de cair de novo, por que continuar tentando?
Tentei me acalmar me abraçando, mas foi inútil, nesse ritmo a minha cama já estava molhada de tanto suor, o meu coração batia descontroladamente, senti que em breve teria convulsões. Precisava de ajuda.
Tentei sentar enquanto me segurava na cama para me levantar, no momento em que os meus pés tocaram o chão toda a dor que sentia por dentro explodiu por todo o meu corpo, eu desmaiei.
Eu estava no chão e não apenas literalmente, a minha vida estava no chão e as minhas forças gradualmente começaram a me abandonar, até que senti os meus olhos se fechando lentamente para cair na escuridão.