POV Allison Foster
Depois de me confessar que gostava de mim, Erick se trancou no seu escritório e não saiu mais. Mas eu havia prometido fazer o jantar hoje à noite e faria isso, pedi alguns ingredientes que eram necessários para preparar a lasanha para ser entregue, queria informá-lo que havia decidido parar de usar alucinógeno, mas, não sei o que fazer.
Eu tinha preparado a mesa e estava pensando se deveria ou não procurar Erick, mas me senti mais calma quando ele apareceu se sentando na minha frente.
Comemos em silêncio e, embora às vezes eu sentisse o olhar de Erick queimando sobre mim, tentei ignorá-lo.
— Está delicioso. Disse ele.
— Quero parar de usar narcóticos. Eu disse sem mais delongas.
Erick havia deixado o garfo de lado para me olhar com atenção, me mexi na cadeira um pouco nervosa, não queria que ele me julgasse, nem queria que ele me perguntasse o motivo, já que eu mesmo não sabia.
— É uma excelente decisão, Allison. Ele respondeu com entusiasmo, pude ver isso em seus olhos.
— Mas não sei o que devo fazer agora. Expressei sinceramente.
— Amanhã entrarei em contato com a representante da reabilitação para que ela me envie a lista dos seus medicamentos e me aconselhe durante todo o processo. Ele respondeu.
POV Eric Walton
Ouvir Allison dizer que queria largar o vício foi uma grande conquista para mim, mas o pior dos desafios, não sei se ter confessado para ela que gostava dela influenciaria a sua recuperação futura, mesmo tendo apenas contado ela que eu gostava dela, não era como se ela fosse se importar. Ele teria dito que a amava, era um sentimento que ele não sentia por nenhuma mulher há anos.
Mas o que eu poderia oferecer a ela? Eu nem sabia que tipo de relacionamento ela queria. A minha última namorada foi no ensino médio. Depois disso, eu só tive encontros casuais com prost*itutas e mulheres que se ofereceram para arrumar a minha noite. Como pedi para ela só dormir comigo quando está claro que ela merece mais.
Ela também não me confessou que sente algo parecido, apenas ficou ali sentada sem dizer uma palavra, enquanto me ouvia como uma criança confessando os meus sentimentos. Não sei se tive razão em confessar-lhe que gostava dela, mas se não lhe contasse naquele momento ela continuaria a pensar que a ajudei por compaixão.
Na manhã seguinte tentei entrar em contato com o representante de Allison, mas não era dia útil, então tive que esperar até o dia seguinte, então o fiz. O representante me enviou um plano de recuperação, pois os medicamentos devem ser tratados como qualquer outra doença crônica, uma pessoa não pode simplesmente parar de usar os medicamentos por alguns dias e ficar curada.
Depois de ler e interpretar o plano de recuperação de Allison, tomei algumas decisões que precisava comunicar a ela antes de iniciar esse processo, então agendei uma visita ao escritório do meu apartamento para falar com ela.
— Você precisa falar comigo? Allison perguntou enquanto colocava a cabeça pela fresta da porta.
— Entre, sente-se. Indiquei.
Observei ela caminhar cambaleante até sentar na minha frente, naquele momento odiei ter dito a ela que gostava dela.
— Tive uma videochamada com a Sra. Osler, o seu representante me enviou um plano de recuperação domiciliar, bem como a lista de medicamentos que você precisará, as datas das suas sessões psicológicas e o grupo de apoio ao qual você ingressará após as primeiras duas semanas após tendo passado a segunda etapa, eu a informei.
— Ah, a segunda etapa? Ela perguntou confusa.
— Não importa agora, a primeira etapa é a desintoxicação e como você foi proibida de fazer isso através das drogas, tenho uma lista da sua dieta e algumas vitaminas que o Hugo trará mais tarde, resolvi contratar uma equipe enquanto você supera isso. Eu expliquei
— Uma equipe? Allison perguntou.
— Trabalharei em casa enquanto você supera a desintoxicação física e a abstinência, então precisarei de pessoal, tanto para limpeza e preparo de alimentos quanto principalmente para sua dieta rigorosa, além de uma enfermeira. Eu disse.
— Erick, é demais, não preciso de enfermeira, se você quer uma equipe para limpar e cozinhar, tudo bem, mas você também não deveria ficar aqui por minha causa. Argumentou enquanto se levantava.
— Não estou fazendo isso só por você, preciso de férias, mesmo que seja no meu apartamento. Eu disse.
— Por favor, não faça de mim a sua instituição de caridade. Disse Allison com desdém.
Eu estava começando a odiar essa palavra, me levantei rodeando a minha mesa até ficar na frente dela, Allison estava deslocando tudo em mim.
— Se eu ouvir a palavra caridade sair da sua boca novamente, vou me certificar de que você não conseguirá sair da cama por uma semana. Eu disse sem parar para olhar para ela.
Allison não tirou os olhos de mim depois disso, eu tinha dito isso para assustá-la, mas se ela aceitasse eu cumpriria a minha ameaça com prazer, odiei que ela chamasse tudo que eu faço de ''caridade'', porque tudo isso era muito longe disso. Caridade é a última coisa que um homem sentiria pela mulher por quem se sente atraído e eu não me senti atraído apenas por Allison, foi ver a minha própria satisfação andando pelo meu apartamento sem poder tocá-la, foi como provar o mais requintado vinho apenas com a visão e o olfato, sem poder sentir o gosto, e já estava começando a me assustar.
Eu precisava dela na minha cama, mas sabia que se tentasse isso poderia prejudicar a decisão dela de parar com as drogas, eu tinha que manter o meu p*au dentro das calças por enquanto, mesmo que tivesse que me satisfazer com outras mulheres, se conseguisse.
— Vou desistir da enfermeira, mas a partir de amanhã virá uma pessoa encarregada da limpeza temporária do apartamento e a cozinheira. Peço que você não estabeleça nenhum relacionamento com eles e não responda a nenhuma pergunta pessoal sobre você ou sobre mim. Eles assinaram um acordo de confidencialidade de qualquer maneira. Informei, afastando-me vários passos dela.
— Eu entendo que você tem vergonha de mim. Ela sussurrou.
— Acredite, você não conhece a imprensa, eles são abutres necrófagos vasculhando as minhas sobras.
Eles são capazes de qualquer coisa, para me desacreditar no mercado e não só a eles, mas também à concorrência, não somos os únicos que têm uma construtora neste país, mas nós somos os únicos posicionados mundialmente como uma das empresas mais seguras e sustentáveis para construção. Expliquei a ela enquanto abria a porta do escritório para ela sair.
Ver o seu rosto era um poema neste momento.
— Você está me expulsando? Ela gritou.
— É meu escritório. Eu disse.
— Eu não te expulso do meu quarto quando você aparece.
— Porque é o meu apartamento. Respondi obviamente.