POV Allison Foster
A luz que se infiltrou no meu quarto estava causando estragos nos meus olhos, me obrigando a acordar. Hoje estava irritada e um tanto ansiosa, mas era de se esperar. Embora eu tentasse me convencer de que ver Erick no meu quarto na noite anterior tinha sido parte das minhas alucinações, eu sabia perfeitamente que não era, eu havia implorado a ele por ajuda.
Agora eu tinha que encará-lo, mas seria depois de tomar banho, eu ainda estava com a mesma calça da noite anterior, embora não estivesse com o moletom, Erick tinha me visto de sutiã perfeitamente.
Depois de me vestir, reuni as minhas poucas forças para sair do meu quarto, parei por um momento em frente à janela da sala para olhar as ruas de Rochester, já conseguia ver o clima de inverno, gelado, com neve e parcialmente nublado. Estava nevando hoje, e era apenas meados de outubro.
Eu me abracei enquanto olhava para o céu cinzento, mas uma tristeza profunda me invadiu. Será que eu estava realmente disposta a mudar Por que de repente? Tive medo, cansei de viver assim, tinha abandonado os meus sonhos de dançar, queria ir para o concurso internacional de Ballet contemporâneo e agora para poder fazê-lo teria que ingressar no Metropolitan Ballet ou na Classical Ballet Academy, não poderia voltar para a academia de Ballet e o teatro em Minnesota já havia me expulsado de lá.
Eu estava imersa nos meus pensamentos, mas um cheiro vindo da cozinha e um ronco vindo do meu estômago me lembraram que eu ainda não tinha tomado café da manhã. Entrei na cozinha e encontrei Erick sem camisa perto do fogão, ele usava calça esporte e a sua camiseta estava apoiada em uma das cadeiras da ilha.
Não posso deixar de olhar para ele descaradamente, vendo aquela linha que se formou na sua coluna e desceu até ficar escondida dentro da sua calça, me tentando a passar as mãos sobre ela. Ele não era extremamente musculoso, mas o suficiente para querer. correr por aqueles braços e deslizar os meus dedos por aquelas veias que se destacavam.
Por um momento senti o meu corpo tenso, enquanto delineava cada parte da sua estrutura corporal com o meu olhar.
— Você pode tirar uma foto minha. Ele anunciou para me acordar do meu devaneio, eu sabia que estava vermelha, mesmo ele não podendo me ver, senti as minhas bochechas queimarem.
— Não quero uma foto sua. Resmunguei, sentando em uma das cadeiras da ilha.
— Temos salada, tacos e suco natural no almoço, foi o que consegui fazer. Disse Erick.
— Almoçar? Perguntei asperamente.
— Você dormiu até tarde. Ele respondeu, sentando-se ao meu lado para começar a almoçar.
A comida de Erick era aceitável, mas dava para perceber que ele não era um grande chef, cozinhar não era seu forte.
— Vou fazer o jantar. Ofereci, enquanto ele ria.
— Isso e r**m? Ele riu e disse.
— Não, eu não queria..., só quero, vou fazer uma lasanha. Finalmente disse.
— Algumas das minhas comidas favoritas, a minha irmã costuma fazer na festa de Natal. Ele sussurrou pensativo.
— Você sente falta dela? Perguntei.
— Somos muito próximos e embora não demonstremos nos amamos muito. Ela mora em Oregon com o marido e o meu sobrinho. Disse ele.
— E os seus pais? Questionei, tentando não parecer tão interessada.
— Eles estão em Sarasota, Flórida. A minha família tem um projeto lá, estamos construindo um hotel. Ele relatou.
— Sarasota é um lugar lindo, tem praias lindas. Suspirei.
— Terei que viajar para lá em breve, o hotel está previsto para abrir em cinco meses. Anunciou Erick.
Levantei e peguei a louça, pelo menos tive que ajudar a lavá-la, mas a realidade é que tive que tirar um Erick sem camisa da minha frente. Parecia que ele tinha voltado do treino e ficado na cozinha.
— Você sabe que precisamos conversar. Ouvi-o dizer atrás de mim.
Eu sei que essa conversa aconteceria mais cedo ou mais tarde, mesmo que eu tentasse evitá-la. Eu me virei pegando uma toalha para secar as mãos enquanto o encarava. Eu não queria ficar na defensiva, mas já era uma segunda natureza para mim quando se tratava de falar sobre a minha condição.
— Quero ajudar você, Allison. Disse ele.
— Por quê? Questionei, sentindo os meus olhos cristalizarem rapidamente.
— Porque você me pediu e porque eu quero. Ele confessou.
— Você não é obrigado a fazer uma obra de caridade comigo. Comentei venenosamente.
— Não sei o que levou Meave a dizer tudo isso, mas garanto que nada do que ele disse é verdade. Declarou Erick, dando alguns passos na minha direção.
— O que eu sou para você, Erick? Questionei.
— Allison. Disse ele.
— Eu sou a m*aldita viciada que você está ajudando ou sou a pessoa que você está impedindo de ir para a cadeia? Eu me senti presa por ele.
Mas minha tentativa foi inútil quando senti os braços de Erick me pegarem pelas pernas e me carregarem até me deixar no topo da ilha. Ele colocou as duas mãos de cada lado de mim para se apoiar na ilha e me encarar. Ver os seus braços nus me apertarem me deu uma sensação de arrepio que percorreu todo o meu corpo ou talvez fosse o mármore da ilha que estava ligeiramente frio sob a minha pele.
— Você quer saber o que você é para mim? Ele cuspiu friamente.
Eu senti algo dentro de mim, me fazer engasgar fortemente.
Tê-lo tão perto ameaçava desabar cada parte de mim, o seu perfume invadia todos os sentidos despertos, sentir a sua respiração se dispersar pelo meu rosto era como se ele estivesse me acariciando tortuosamente, ele estava tão perto da minha boca que poderia me beijar e eu poderia não faça nada. Até que ele quebrou o silêncio que se formou um segundo atrás.
— Você é a m*aldita viciada que olhou para mim naquela noite em que quase abusaram dela, que tocou o meu rosto me fazendo sonhar com ela todas as noites depois disso. Aquela que entrou na minha cabeça sem permissão, aquela que me faz perder o controle toda vez que a tenho por perto, você é a mulher mais desafiadora que já conheci, mas mesmo com todas as suas mer*das eu gosto de você. Ele gritou furiosamente, se separando de mim. — Gosto de você Allison, da sua tenacidade, da sua beleza que ecoa dentro de você, da sua inocência silenciosa quebrando todas as barreiras em mim. Droga, mulher, você me deixa louco quando abre a boca para expor alguns dos seus raciocínios. Erick se enfureceu.
Fiquei atordoada sem conseguir articular uma única palavra, depois dessa afirmação eu simplesmente não sabia o que responder, o que Erick esperava que eu respondesse a ele, não poderia dizer a ele que sentia o mesmo, por que isso não era verdade, ou era? Para mim ele era apenas o estranho que se tornou meu dono.
— Gosto de você com tudo e com os seus de*mônios, Allison. Ele concluiu.