POV Allison Foster
Porque Erick agiu assim eu não sabia. Depois que Nicholas saiu, Erick se virou, me senti estranha sob o seu olhar intenso, era uma sensação que eu não conhecia, que me atormentava e me consumia.
— Vá sentar, vou levar as bebidas. Ele ordenou.
Não consegui refutar, não me senti preparada para isso e ainda mais quando tive que usar a boca e ela se recusou a emitir qualquer som.
Caminhei até o local onde os amigos de Erick estavam reunidos e antes que pudesse me sentar, uma pessoa me agarrou abruptamente pelo braço.
— O que você está tentando fazer, garotinha? A loira disparou na minha frente.
— Meave, deixe-a ir. Ordenou Frank, levantando-se.
— Ah, você acha que o Erick precisa ter amigos como você? Gritou ela, chamando a atenção do círculo de amigos presentes.
— Amigos como eu? Eu debati.
— Sim, ladras, drogadas. Ela disse. Todos ao redor começaram a olhar para mim e sussurrar entre si.
— Já chega! Exclamou Meghan, dando dois passos na sua direção.
— Fique quieta! Ela se enfureceu.
— Olhe para você, você é apenas uma m*aldita viciada, de quem ele sente pena. Ela continuou.
Eu nunca tinha chorado na frente dos outros e também não faria isso nessa ocasião, essa m*aldita coisa tensa me humilhou na frente de todos e embora os meus olhos ameaçassem quebrar ali mesmo, usei todas as minhas forças para poder aturar isso.
— Me solte. Eu sussurrei.
— Aqui todos sabemos que Erick é famoso por fazer trabalhos de caridade, e com você…. Com você não é exceção! Ela sentenciou.
Eu libertei o meu braço das suas garras o melhor que pude para sair daquele lugar. Caminhava com passadas largas até onde os meus pés permitiam, precisava sair dali. Hugo estava na porta do estabelecimento conversando alegremente com o guarda quando me viu.
— Senhorita Allison. Anunciou Hugo.
— Para o apartamento, por favor. Implorei antes que ele fizesse mais perguntas.
Hugo caminhou na minha frente, guiando-me entre os carros no estacionamento, até parar na frente do Dodge Durango para abrir a porta traseira para mim. Entre o mais rápido possível, eu queria sair de lá agora.
— Você sabe que preciso ligar para o Sr. Walton, senhorita. Ele anunciou assim que se sentou no assento do piloto.
— Não faça isso, por favor. Implorei com os meus olhos cristalizados.
— Sinto muito. Respondeu ele, pegando o celular e colocando-o no ouvido.
— Fale no viva voz, por favor. Eu pedi.
Nisso ele me ouviu, o Hugo ligou o celular bem alto, e eu pude ouvir o primeiro, o segundo e o terceiro tom da ligação, e depois ouvir o Erick .
— Senhor. Anunciou Hugo.
— Leve-a. Disse Erick do outro lado da linha, desligando imediatamente.
Nunca me importei com o que os outros pensavam de mim, mas porque as pessoas insistiam em apontar o dedo para os outros.
Qual é a diferença entre um viciado em drogas e uma pessoa normal? O fato de sofrer de um vício não me torna menos que os outros e isso foi algo que muitos não conseguiram compreender.
Hugo havia me deixado na recepção, subi rapidamente ao apartamento para entrar no meu quarto. Eu era mesmo obra de caridade do Erick. Essas palavras haviam ecoado dentro de mim, mas eu tinha que ser, porque havia outra explicação para tudo isso, a minha vida estava uma mer*da de novo.
Não consegui controlar os meus impulsos e todos os pensamentos razoáveis saíram da minha mente quando abri a porta do armário e coloquei as mãos no bolso da jaqueta onde guardava os meus alucinógenos. A última garrafa de GHB que Nicholas tinha me vendido antes de Erick bater nele ainda estava intacta, eu não tinha conseguido injetar, não depois de como terminei da última vez que fiz isso, então resolvi pegar os cogumelos, tomei aquelas pílulas azuis nas minhas mãos para sentar na frente da minha cama.
Eu tomei, já tinha consumido de novo. Aos poucos acabei deitado no chão, enquanto as minhas lágrimas caíam não só dos meus olhos, mas do fundo do meu ser. Nesse ponto eu me odiava profundamente, sentia que não valia nada, não era absolutamente nada.
Doeu na minha alma, era como se até respirar doesse, e o pior de tudo, eu não sabia por quê. Não sabia se era por causa da humilhação daquela garota na frente de todo mundo, não sabia se era porque ela me chamou de ladra e viciada ou porque me chamou de instituição de caridade.
Ficar chapada para minha mãe não era mais desculpa, aquela dor não doía mais o suficiente para me fazer sentir mais infeliz. Era como se eu já estivesse cauterizado por essa vida, queria mudar.
POV Eric Walton
Saí do elevador com pressa, precisava falar com Allison. Eu sei que a culpa foi minha por tê-la levado até lá, aquela m*aldita Meave a atacou na frente de todo mundo quando eu não estava lá, e eu nunca bateria numa mulher, mas não me faltou vontade de fazer isso.
Eu sabia que Allison estava saindo do bar, então teria sido inútil negá-la quando Hugo me ligou. Apenas implorei a Deus que ela me ouvisse, mas não podia ir embora com ela sem primeiro saber o que havia acontecido.
Abri o apartamento encontrando todas as luzes apagadas, o meu coração tremeu. Fiquei com medo que Allison fugisse então corri até o quarto dela para ver se as coisas dela ainda estavam lá, mas encontrei a pior cena de toda a minha vida. Allison estava deitada no chão do seu quarto, ela estava com todas as roupas intactas e as botas, então ela não estava dormindo.
A coisa estúpi*da havia tomado drogas.
— Allison..., Allison. Eu sussurrei até chegar mais perto dela.
Ela não respondeu, estava com medo de ter tomado uma overdose novamente, demorou um pouco para eu me controlar e sentar ao lado dela, levantei um pouco a cabeça dela para trás para manter as vias respiratórias abertas agarrando a sua cabeça, estava fria, eu precisava aquecê-la, mas não queria me mover para o lado, pois poderia abraçá-la com todas as minhas forças.
Até ouvi-la chorar, levantei-a um pouco para colocá-la entre as minhas pernas enquanto a abraçava e ela afundou em meu peito para quebrar ainda mais. Ouvir o choro dela foi meu pior castigo, foi como ser arrancado pele por pele de todo o meu corpo.
— Por favor me salve. Salve-me dessa dor. Ela sussurrou em meio às lágrimas. Meu coração se partiu, não pude evitar, senti que estava rasgando e fiz isso por ela.
Abracei-a com mais força, enquanto deixava um beijo na sua cabeça e me obrigava a ser forte, não por mim, mas por ela.
Porque a única coisa que importava agora era ela.