— Allison, eu disse para você não vir aqui. Disse-me meu único amigo ou aquele que eu considerava um amigo.
— Só vim buscar meus comprimidos. Eu disse a ele enquanto deslizava parte do meu salário pelo balcão em sua direção.
— Você é uma m*aldita viciada em drogas, eu disse que não venderia mais nada para você. Nicholas rosnou para mim.
— Eu só preciso dos meus comprimidos, estou te dando o dinheiro, mas se você não quiser posso encontrar outra pessoa. Cuspi para ele.
Naquele momento eu o vi um pouco confuso, sabia que o estava colocando entre uma rocha e uma posição difícil, Nicholas estava me dando meus comprimidos há dois anos, eu o conheci no restaurante onde ele trabalhava, mas nós dois tínhamos perdido nossos empregos depois de testarmos positivo no exame toxicológico, alguém nos entregou.
— Tudo bem, vá lá atrás e me espere lá, pegue seu dinheiro no bar, tem câmeras aqui, não quero ter problemas. Disse-me Nicholas.
— Ok. Foi a única coisa que disse antes de sair do bar.
Enquanto eu caminhava pelo local para ir até a saída pude notar algumas pessoas que estavam reunidas em alguns móveis do bar, pareciam muito animadas e mais ainda a menina que carregava um buquê de flores enquanto era abraçada pelas pessoas. Mas, não pude ficar e saber o que estava acontecendo, tive que sair e esperar Nicholas lá atrás.
Havia muitos veículos nos fundos do bar, que era o estacionamento do estabelecimento, até que vi Nicholas sair rapidamente para se aproximar de mim.
— Sete cetamina, dois cogumelos e quatro inalantes, é tudo o que posso lhe dar. Nicholas me disse enquanto me entregava o saco.
— Isso só vai durar quatro dias no máximo. Reclamei na frente dele.
— Meu pagamento, Allison. Ele me disse enquanto estendia a mão para mim.
Tirei o dinheiro da mochila e entreguei para ele, não tinha outra opção, era isso ou nada e acho que não aguentaria mais um dia sem nada. Nicholas pegou o dinheiro e virou-se para sair naquele momento sem olhar para trás.
Eu m*al podia esperar para chegar ao meu apartamento para consumir alguma coisa, eu poderia fazer isso rápido agora e pegar um táxi até o ponto de ônibus, ou poderia fazer isso no táxi a caminho do apartamento, mas não pensei mais sobre isso e tomei duas cetaminas. Logo começou a fazer efeito, e pude ver muitos carros voadores ao meu redor, pude ouvir risadas e ver o rosto da minha mãe enquanto ela me chamava, comecei a parar de sentir aquela dor que aos poucos me atormentava.
— Olha quem temos aqui, ela não é amiga do responsável pelo bar? Dizia alguém ao meu redor, mas eu simplesmente não conseguia ver quem era, tudo estava começando a ficar diferente.
— Sim, acho que é ela e ela está um pouco bêbada. Disse outra voz, eu queria sair dali, mas era simplesmente inútil, enquanto tentava andar senti meus pés pesarem uma tonelada.
— Acho que teremos companhia esta noite. Sussurrou a primeira voz, mas desta vez bem perto de mim.
PONTO DE VISTA ERICK WALTON
— Obrigado pelas flores, Sr. Walton. Meghan, minha amiga agora noiva, me agradeceu.
— Não é nada, senhorita Jones. Eu disse, tentando soar o mais natural possível.
— Aqui, isto é para você, querida, e isto é para o CEO mais jovem e milionário deste país. Disse meu amigo Frank, que voltava do bar com algumas bebidas.
— Desculpe, Sr. Walton, acho que Frank bebeu demais. Meghan se desculpou por ele.
— Não se preocupe, tem certeza que não precisa de ajuda para levá-lo para seu apartamento? Perguntei cordialmente, amanhã conversaria com Frank sobre esse assunto e seu comportamento.
— Não, obrigado. Vou levá-lo para casa. Disse ela.
— Então terei que me despedir de você, foi um prazer, mas devo ir embora agora. Anunciei enquanto me levantava para sair do local.
Realmente, música alta e pessoas ao meu redor dançando como loucas não era meu melhor ambiente, mas eu já tinha conhecido meu amigo, o que era o mais importante. Peguei meu celular para ligar para Hugo, avisaria que já estava indo para o estacionamento.
Quando saí do estabelecimento estava um pouco frio, mas isso era de se esperar, o clima em Rochester Minnesota estava assim e ainda mais na época do ano que nos aproximávamos.
Enquanto caminhava até o estacionamento em busca de reconhecer o carro de Hugo, fiquei imerso em meus próprios pensamentos, até que vi três pessoas se aproximando de mim pela frente, atravessando pela minha esquerda, pude notar em meu campo de visão uma garota sendo segurada pelos braços por dois homens, a menina ria muito e dizia palavras incoerentes que me pareciam estranhas, mas talvez ela tivesse bebido demais, era normal ver gente bêbada num bar.
Mas algo me fez parar para olhar para trás e então eu a vi, a menina também havia virado a cabeça para olhar para mim, apesar de haver pouca luz pude perceber algo em seu olhar, que rapidamente se dissipou quando ouvi a buzina do veículo de Hugo .
Então comecei a andar em direção do carro.
Andei entre alguns veículos procurando alguma placa, até que vi uma pequena mão pressionada contra a janela de um Mustang preto e comecei a ouvir gritos. Fui até lá e comecei a bater na janela do motorista para chamar a atenção das pessoas lá dentro, mas eles simplesmente não prestaram atenção em mim, era como se ignorassem minha presença naquele lugar, eu estava desesperado, os gritos da garota.
Eles eram incessantes, até que vi Hugo correndo em minha direção com um dos meus tacos de golfe, arranquei-o rapidamente da mão dele para bater na janela e vi como ela se quebrou em mil pedaços.
Não contive minha fúria, entrei no Mustang em questão de segundos, abatendo um dos homens enquanto o outro saiu por uma das portas traseiras do veículo, fugindo do local. Olhei para a garota deitada nos bancos traseiros, seu rosto estava suado e pálido, de repente ela começou a rir enquanto estendia uma das mãos e tocava meu rosto e depois perdia a consciência, desmaiando no banco.