Capítulo 4: Nem Tão Inocente

1068 Words
Cincinat ​— Tire as suas... suas mãos de mim! — tentei parecer firme, mas minha voz soou como um gato sendo esganiçado. ​Ele me encarou por um tempo, me avaliando, mas tratou de se afastar. ​— E... e coloque uma roupa — falei e segui para o banheiro. Precisava me afastar, ou acabaria sendo descoberta. ​Eu tinha que agir como Coryne, a esposa verdadeira. Mas só de pensar nisso senti o estômago embrulhar. ​Não queria ser como ela. Minha meia-irmã era o tipo de garota mimada, arrogante e fútil, o tipo que provavelmente o Sr. Lucca estava acostumado a ver na alta sociedade. ​Me lembro dos gritos histéricos dela, quando a minha madrasta, a Sra. Carolina, sugeriu que ela se casasse. ​— Mamãe, não posso me casar com um homem louco. Homens que são submetidos a tratamentos psiquiátricos ficam impotentes! ​Impotente? Aquele homem podia ser tudo, menos impotente. A visão do seu corpo sem roupa surgiu diante dos meus olhos. ​"Você é suja como a sua mãe." Minha própria mente me acusava. ​Ainda de camisola entrei debaixo do chuveiro e me coloquei a esfregar cada parte do meu corpo com a bucha, deixando a pele avermelhada e sensível. ​O tecido da camisola molhada grudou no meu corpo e eu me agachei no chão, enquanto a água caía sobre mim, me permiti chorar. ​Deveria estabelecer um limite na minha relação com Lucca. Não podia dormir com ele por muitos motivos. Ele não era o meu marido, eu era uma impostora e eu jamais cometeria o mesmo pecado que a minha mãe. ​Não me tornaria uma amante. ​Ouvi o barulho da porta batendo e imaginei que ele tivesse saído do quarto, aproveitei para finalmente sair do banheiro. ​— Lucca, o que você está fazendo aqui? — perguntei, mesmo sabendo que estava sendo patética. ​Ele deu um sorriso semelhante a um predador diante da caça, antes de responder: ​— Esse quarto também é meu, anjo... — as palavras deslizavam pela boca dele e me atingiram, causando um arrepio que se espalhava de forma lenta e densa pelo meu corpo. *** ​Lucca ​Coryne resolveu se esconder no banheiro, então desci até a cozinha para preparar um chá para os nervos. Precisava que ela estivesse calma para então negociar os termos do nosso casamento. ​Se ela aceitou um casamento por dinheiro, não seria muito difícil aceitar ter um filho por uma quantia ainda maior. ​E enquanto nós estivéssemos casados, eu iria fazer questão de exigir que ela agisse como uma esposa carinhosa... e dedicada. ​Sabia que esse era apenas um capricho meu, principalmente porque depois que ela tivesse o nosso filho, eu a expulsaria da minha vida. ​Melhor seria que nós dois não nos envolvêssemos, além do necessário. Mas até o Tommy concordava que eu precisava de um pouco de felicidade. E, sem dúvida, nas curvas de Coryne Bellarosa, eu seria muito feliz. ​Assim que retornei para o nosso quarto, ela saiu do banheiro. ​O cabelo estava uma bagunça molhada em torno do rosto dela, os olhos vermelhos de quem havia acabado de chorar, e a camisola de cetim estava grudada no seu corpo encharcado. ​Uma imagem perturbadora e sen-sual. Como um anjo vindo direto da escuridão. ​Peguei uma toalha no guarda-roupa e fui até ela. ​— Me deixe te secar, vai acabar pegando um resfriado... — murmurei, enquanto passava o tecido pelo seu cabelo. ​— Me desculpe — ela sussurrou baixinho — acabei molhando o quarto todo. ​— Não se preocupe com isso. Você precisa retirar essa camisola... — passei o dedo pela alça, roçando propositalmente a pele exposta. ​Ela se afastou instantaneamente. ​— Deixe que eu mesma me seque. Você precisa entender que não pode haver nada entre nós dois. ​— Não pode? — franzi a testa, irritado. ​— Não devemos — ela se corrigiu rapidamente. ​— Nos casamos no papel, tudo bem que foi um casamento arranjado e que nós não nos conhecemos ainda... mas podemos nos conhecer. Não há nada que proíba um homem de reivindicar a própria esposa. ​— Eu não farei amor com você! Achei que era impotente, por isso aceitei esse casamento. Nosso casamento será apenas uma fachada, não me importarei que... que tenha uma amante fora do casamento. ​— Por quê? — eu precisava entender por que ela me olhava como se me desprezasse. — É por causa do que dizem sobre mim? ​— Sim — ela respondeu, e eu percebi o medo passando pelo seu rosto. Ela fez questão de recuar, mas eu avancei, parando bem diante dela. ​— Escute isso com muita atenção, porque eu vou falar apenas uma vez. Eu nunca vou te agredir, não importa o que aconteça! ​Eu queria gritar que eu não era esse tipo de homem, mas seria difícil demais explicar... e mais difícil ainda para ela entender. ​E se eu fosse honesto, eu não era tão inocente assim. ​— Eu acredito em você — percebi a respiração dela ficando cada vez mais acelerada — mas não é apenas isso que me impede... ​— Então me fale de uma vez, qual é o problema? — eu gritei, e ela recuou mais um passo, batendo as costas na parede. ​Eu me aproximei lentamente, coloquei a palma da mão na parede, sem encostar o braço nela, criando uma barreira para que ela não se afastasse novamente. ​— Eu nunca farei amor com você — ela tornou a repetir, e a frase pareceu ainda mais ofensiva do que na primeira vez. ​Apesar das suas pa-lavras duras, eu podia sentir o calor do seu corpo, a tensão quase palpável entre nós. O olhar inocente e intenso capturou o meu olhar confuso e provavelmente carregado de desejo. ​— Terá que me obrigar... — não era uma ameaça, ela estava claramente pedindo por isso. ​Ela tentou se afastar, mas, ao invés disso, sua coxa encostou na minha perna, e ela parou no lugar, ficando vermelha quase instantaneamente. ​— Por que diabos parece que você quer que eu te tome à força? — Ela jogou a cabeça para trás, e um ge-mido escapou dos seus lábios. ​— Para que eu não me sinta tão culpada...
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