Capítulo 5

1999 Words
Nikolay Saí e me sentei na varanda do outro lado da rua novamente. Viktor adoraria ver isso, o babaca. Ele provavelmente estava em algum lugar fumando aqueles charutos idiotas, como um gângster em um filme de ação. Meu Deus, às vezes a multidão realmente me irritava. Passei um tempo andando, o que me deixou em boa forma e ajudou minha mente a resolver os problemas. E o meu principal problema era este: por que Alina Petrov ficaria na cidade sabendo que a família Starkov queria tanto matá-la que mandou um assassino de aluguel? Ninguém no mundo iria tentar morrer. A maioria queria continuar respirando por mais do que alguns dias. Mas Alina não. Aparentemente, ela tinha um desejo estranho de morrer. Tinha que haver uma razão. Eu continuava martelando isso na minha cabeça. Tinha que haver uma razão para ela querer ficar, e eu precisava descobrir o porquê. Não havia muitas boas desculpas para ficar por perto quando uma máfia coloca uma recompensa por sua cabeça, e eu queria saber qual era a dela. Fiquei curioso. No final da noite, os clientes saíram primeiro, seguidos pela equipe, e meia hora depois — exceto Alina. Eu estava circulando por ali, o meu coração batendo forte como um rato preso em uma gaiola, até que a identifiquei tentando sair pelo beco. Ela devia saber que eu estaria esperando. Corri até ela e caminhei ao seu lado. Ela se assustou, olhou fixamente nos meus olhos e então cruzou os braços sobre o peito. — Eu não vou fazer isso — disse ela. — Não vai fazer o quê? Eu vou apenas te acompanhar até em casa. Você entende que tem pessoas nesta cidade que querem você morta, certo? — Não estou brincando, Nikolay. Você pode me deixar em paz? Eu a agarrei pelo braço e a parei. — Eu vou te acompanhar até o Washington Park. Ela olhou fixamente nos meus olhos. Abriu a boca para dizer algo, mas hesitou. Gentilmente, se soltou do meu aperto. — Não foi nada — ela disse finalmente. — Eu sei com quem você se encontrou — disse, blefando pra caramba, mas eu era um bom mentiroso. — Você estava se encontrando com ele, p***a. A questão é: por que? E é por isso que você não quer deixar a cidade, como eu disse que você deveria? — Me deixe em paz — ela sussurrou, sem querer encontrar meu olhar. Então comecei a ficar mais impaciente. — Você acha que isso é algum tipo de jogo para mim? — Cheguei mais perto, a voz ficando mais suave. — A família Starkov quer você morta, e eu sou o homem que eles mandam quando querem garantir que isso aconteça. — Acho que eles escolheram errado dessa vez. — Ela deu um leve sorriso. — Acho que sim. Me diga no que você se meteu, Alina. Talvez eu possa ajudar. Ela queria dizer algo. Eu podia ver isso. Aposto que o que quer que fosse estava puxando-a para baixo, como uma âncora em volta do pescoço. Mas ela apenas balançou a cabeça e começou a andar novamente. — Eu não posso, me desculpe. Apenas me deixe em paz. Soltei um suspiro de frustração. Essa garota é um verdadeiro pé no saco. Corri atrás dela, alcancei-a e agarrei seu braço. Dessa vez, não a deixei se afastar e a empurrei contra a parede de tijolos de uma das casas à sua esquerda. Ela tropeçou e então engasgou de surpresa quando a prendi ali, sem me importar com ninguém observando — embora a rua estivesse vazia às duas e meia da manhã. — Vou admitir uma coisa para você — disse suavemente, tentando não olhar para o peito dela enquanto ela respirava forte e rápido. — Eu nunca me segurei antes. Você é o primeiro alvo que eu não terminei o mais rápido possível, e isso me deixou todo confuso. Eu continuo pensando em você me beijando, e na sua b****a estava escorregadia, e o jeito que você movia seus quadris. — Pare com isso. — Ela desviou o olhar, fechando os olhos. — Isso foi um erro. Eu estava com medo. — Você estava excitada. — Inclinei a cabeça. — O que você gosta em mim? Você acha que eu sou bonito? Você gosta que eu possa cortar sua garganta aqui mesmo? — f**a-se. — Isso mesmo, fique brava. Eu gosto quando você fica irritada. Talvez seja isso que te deixa excitada. Você está molhadinha agora? — i****a. — Ela me empurrou, mas eu não me mexi. — Você não me conhece, ok? Você não tem ideia do que estou passando. Eu não preciso de você me atrapalhando, não agora, não quando Aiden... — Ela parou, seus olhos se arregalando. Lá estava ela. Era tão fácil irritar a garota. Não consegui evitar o sorriso diabólico que se espalhou pelos meus lábios. — E quem, exatamente, é Aiden? — perguntei. — Apenas me deixe em paz — ela disse, gemendo. — Eu não deveria ter dito isso. Estávamos andando em círculos. Eu poderia t*****r com ela, mas eventualmente ela gritaria e eu teria que recuar ou arriscar que algum espectador chamasse a polícia. Eu não queria prolongar isso, então fiz a única coisa que me veio à mente. Eu a beijei. Assim como naquela noite, exceto que nossos papéis estavam invertidos. Eu queria desequilibrá-la da mesma forma que ela queria me distrair. E assim como naquela noite, o beijo passou de uma confusão para um momento delicioso e eletrizante de felicidade. Ela me beijou de volta com um pequeno gemido no fundo da garganta. Eu não forcei as coisas. Terminei depois de alguns segundos, apenas o suficiente para lembrá-la do que tínhamos, aquela conexão estranha e impossível que se arqueava entre nós como uma tempestade. — Deixe-me ajudá-la — eu disse, meus lábios ainda a centímetros dos dela. — Eu não acho que você consiga. — Seus olhos estavam bem fechados e ela não tentou fugir. — Você não sabe o que está em jogo. — Me diga então. Uma longa pausa. Passei a mão pelos cabelos dela, o que só a fez gemer baixinho. — Aiden é meu irmão. — Ela abriu os olhos e olhou fixamente nos meus. Eu assenti lentamente. Eu sabia que ela tinha um irmão mais novo, mas não sabia qual era o nome dele. — O que está acontecendo com ele? — Se eu te contar, eles vão matá-lo. Renzo foi claro. — Renzo? Você quer dizer o don da família Leone? Ela mordeu o lábio e então assentiu uma vez. — Eles pegaram Aiden. O levaram algumas semanas atrás. Minha família inteira acha que ele está morto, mas eu sei que ele está vivo. Eu a lancei um olhar fixo nos dela. A garota era um problema. Tantos problemas. — Os Leones estão com seu irmão e você não vai deixar a cidade. Eles estão chantageando você, não estão? Ela assentiu e desviou o olhar. — Eles querem informações sobre minha família. Eles acham que eu posso conseguir, mas eu não sou nada, nem estou envolvida com o negócio. Mas se eu não entregar, eles vão matar meu irmãozinho. Passei as mãos pelas bochechas e comecei a andar de um lado para o outro. Típico movimento dos Leone, aqueles babacas só pensavam em chantagem e trapaça. Havia uma razão para eles terem subido ao trono da cidade e uma razão para eles terem caído tão rápido. Se eles estão com o irmão dela, ele está fodido. Eu não podia dizer isso a ela, obviamente. Ela estava claramente disposta a arriscar a própria vida para salvar o pobre coitado, mesmo que não houvesse chance de trazê-lo para casa. Os Leones nunca o deixariam ir, não depois de usá-lo contra alguém da família Petrov. Eles não eram tão estúpidos. Mas aparentemente Alina precisava de ajuda. — Eu posso ajudar. — Três palavras saem dos meus lábios antes que eu tenha a chance de pensar sobre elas, e imediatamente me arrependo. O que diabos eu ia fazer? Eu era um assassino de aluguel com certas habilidades, isso era verdade, mas eu não tinha muitos contatos na família Leone, e meu Pakhan queria Alina morta. O que significa que ele provavelmente sabia algo sobre a situação dela. Interessante, muito interessante. — Por quê? — ela perguntou, balançando a cabeça. — Por que diabos você me ajudaria? Você não deveria me matar? Foi uma boa pergunta. — Não sei por quê — admiti, estendendo minhas mãos desamparadamente. — Minha vida inteira eu tenho matado, e esta é a primeira vez que me incomodei e questionei as coisas, e agora eu percebo que isso é muito mais complicado do que eu imaginei. Talvez eu ache que você não mereça morrer. Talvez você só beije bem, não sei. Ela abriu um pequeno sorriso. — Eu não beijo bem. — Você beija, confie em mim. O sorriso desapareceu. — Eu não pensei que poderia confiar em você. — Que outras opções você tem? — Vou dar aos Leones o que eles querem. — Ela se afastou da parede e começou a andar novamente. Eu me aproximei dela, mantendo o ritmo enquanto ela olhava para o chão e se abraçava. — Isso será o suficiente. Vou melhorar nessa coisa de espionagem e dar tudo a eles. Eles vão deixá-lo ir. — Você realmente pensa isso? — Eu perguntei suavemente. Ela fez uma careta e eu sabia a verdade. A garota não era estúpida afinal. — Eu tenho que ter esperança. Eu coloquei meus braços em volta, mas não parei ela. — Nós podemos ter um acordo. Ela olhou para mim. — Por que eu faria isso? — Me escute. Meu chefe quer você morta, mas eu não consigo realmente seguir em frente com esse trabalho, acho que está bem óbvio agora. — Obrigado, agradeço por não me matar. Eu assenti. — Não há problema. Mas eu preciso que eles pensem que você está morta. — Não tenho certeza de como você deve fazer isso. — Venha morar comigo. Ela bufou, mas parou de andar novamente, olhando para mim sob uma árvore fina que se projetava um pouco para a rua. — Você está brincando, certo? — More comigo. Mantenha-se discreta por um tempo. Direi aos meus chefes que você morreu, e isso lhe dará tempo. Enquanto isso, trabalharemos no seu problema com Aiden. — Eles vão simplesmente matá-lo. — Então diga a eles que você não está morta, apenas se escondendo. Não sei, trabalharemos nos detalhes, mas agora podemos ajudar um ao outro. — Eu não posso, isso é insano. Eu não sei nada sobre você. — Meu nome é Nikolay, eu mato pessoas para sobreviver. — Eu a puxei contra mim e a beijei novamente. Sua língua era como prata contra a minha. — Quando eu te beijo, você geme. O que mais você precisa saber? Ela mordeu seus lábios. — Você é louco. — É o que me dizem. Pense nisso, tudo bem? Não acho que você tenha muitas outras opções. Deixei-a ir e fui embora. — Espere — ela me chamou. — Como posso saber se posso confiar em você? Você não pode contar a ninguém sobre Aiden. — Não vou contar a ninguém. — Fechei os lábios e joguei a chave fora, depois continuei andando. Senti que ela estava me observando e sorri um pouco enquanto colocava as mãos nos bolsos. Então os Leones estavam por trás disso. Eu deveria ter imaginado que alguém como eles estava envolvido — esta cidade estava cheia de gângsters, ladrões e babacas imorais que fariam qualquer coisa para progredir. É claro que sequestraram o irmão dela e é claro que o estão usando para extrair informações dela. O que eu não sabia era como meu chefe sabia disso e por que ele queria a garota morta. Eu poderia ter alguns palpites. Mas palpites não eram bons o suficiente. Tudo parecia cada vez menos provável à medida que eu me aproximava da verdade.
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