Nikolay
— Já matou a garota ou vai aproveitar seu doce momento novamente?
Viktor acendeu um cigarro e deu uma longa tragada. Fiz uma careta e gesticulei para o "palito de câncer" na sua boca.
— Quando você começou a fumar?
— Foi um ano estressante. — Ele respondeu, soltando a fumaça lentamente. — Agora, respondendo à questão.
Inclinei-me contra a varanda atrás de mim e olhei para o outro lado da rua, para o bar onde Alina trabalhava. A noite estava tranquila, um pouco úmida, e a maioria das pessoas tinha que acordar cedo para ir a seus pequenos escritórios chatos no dia seguinte.
Eu quase os invejava. Quase.
Observei o alemão por um segundo. Queixo quadrado, olhos azuis claros, um rosto bonito, mas irritado — ele raramente sorria, e eu duvidava que já tivesse sorriso alguma vez na vida.
— Estou perdendo meu tempo — falei, examinando minhas unhas.
— Imaginei. — Viktor sacudiu as cinzas no chão. — Ocupado demais pensando em si mesmo para se importar com a família.
Deveria ter me ofendido, mas ele não estava errado.
Viktor e eu tínhamos muito em comum. Ele era um dos grandes na família ultimamente, comandava sua própria equipe e ganhava muito dinheiro para o Pakhan. Ele seguia as regras, assim como eu. A diferença era que as minhas regras eram minhas, e as dele vinham de cima. Ele obedecia ordens; eu as ignorava.
Em muitas coisas, éramos extremamente parecidos. Exceto na única coisa que importava.
— Você nunca parou para pensar por que o Pakhan quer a garota morta?
Ele deu de ombros e deu mais uma tragada no cigarro.
— Nunca.
— Talvez devesse. Ela não está envolvida nisso.
— Não importa.
— Eu acho que importa.
Ele apagou o cigarro e atirou a bituca em direção à rua.
— Hábito nojento — comentou.
— Não deveria ter começado.
— Descubra por que ele a quer morta.
Ele se levantou, balançando a cabeça.
— Eu sei por que a querem morta. Os Petrov estão ficando mais fortes, e o Pakhan acha que pode começar a enfraquecê-los assustando-os, matando alguns membros menores da família. A garota só estava no lugar errado, na hora errada.
Estreitei os olhos para ele.
— Você realmente acredita nisso?
— Não importa no que eu acredito.
— Isso é uma pilha de merda. Há um monte de alvos melhores, mas ele a escolheu por um motivo.
— Ele não está te pagando para questionar, Nikolay. Vá até aquele bar e mate a garota ou... — Ele deu um sorriso frio. — Mandaremos outra pessoa que consiga fazer o trabalho.
— Ninguém é melhor nisso que eu.
— Às vezes, eu queria que não fosse. Vai fazer seu trabalho, babaca.
Viktor deu as costas, com as mãos enfiadas nos bolsos, e foi embora.
Observei-o partir, meu sorriso desaparecendo lentamente.
Alina já deveria ter deixado a cidade. Se ela tivesse um pouco de juízo, teria pulado no primeiro ônibus ou trem, pegado um carro emprestado, ou feito o que fosse necessário para se afastar daqui o mais rápido possível.
Mas ela ainda não tinha me escutado.
Talvez eu não tenha sido claro o suficiente. Por outro lado, tive a sensação de que ela acreditou em mim... pelo menos quando gozou nos meus dedos parecia.
Mas se ela ainda estava por perto, havia outra razão.
Eu a segui até o Washington Park no dia anterior. Ela se encontrou com alguém, mas não consegui ver quem era — estavam de costas para mim o tempo todo. Quando ela foi embora, estava visivelmente abalada.
Poderia ser um ex-namorado, mas eu duvidava.
Levantei-me e suspirei, estalando o pescoço, depois os nós dos dedos e, por fim, as costas.
Esse trabalho estava complicado desde o início. Viktor odiava que eu fizesse perguntas e cutucasse o ninho de vespas, mas eu não conseguia evitar. Quando o chefe me designava para eliminar alguém, geralmente era óbvio por que a pessoa precisava desaparecer.
Mas, nesse caso, era um mistério. E eu odiava mistérios. Sou um homem que prefere as coisas às claras.
Atravessei a rua e entrei no bar onde Alina trabalhava. Não ia me dar ao trabalho de me esconder desta vez e sentei no balcão.
Ela me viu imediatamente, e seu rosto ficou vermelho como um tomate. Tentou me ignorar enquanto servia taças de vinho a um casal mais velho.
Finalmente, veio até mim com relutância.
— O que você vai querer? — perguntou, enxugando nervosamente as mãos em uma toalha.
— Uísque, por favor.
Ela hesitou, franzindo a testa, mas foi buscar a bebida. Tomei um gole e coloquei uma nota generosa no balcão.
Ela olhou para a nota de cem dólares e ergueu as sobrancelhas.
— Que diabos é isso?
— Cem dólares. Considere um suborno... ou uma entrada. O que preferir.
— Suborno pra quê?
— Pra você sair da minha cidade.
Inclinei-me em direção a ela, estreitando os olhos e flexionando o maxilar.
Ela olhou para mim, surpresa, depois pegou o dinheiro.
— Eu não vou a lugar nenhum. A menos que planeje me matar, pode, por favor, me deixar em paz?
— Não, obrigado. Há uma razão para você não querer sair daqui, e agora estou curioso.
— Ótimo. Bom pra você. O que eu faço não é da sua conta.
— Na verdade, é da minha conta, considerando que fui contratado para te matar.
Ela fez uma careta e olhou ao redor, nervosa. Uma garota sentada à minha direita me olhou boquiaberta, e eu dei a ela meu melhor sorriso encantador.
— Ele está brincando — disse Alina rapidamente.
Dei de ombros e me inclinei para a garota, uma jovem de vinte e poucos anos com um top decotado e muito gloss labial.
— Sou um assassino de aluguel, mas não conte a ninguém, ok?
Pisquei para ela e tomei outro gole da bebida.
A garota riu e se virou para cochichar com a amiga.
— Pode, por favor, sair daqui? — sibilou Alina, inclinando-se sobre o balcão.
— Me diga por que você não quer sair da cidade e eu te deixo em paz, como fiz da outra vez.
Ela abriu a boca para responder, mas rapidamente se recompôs.
— Estou falando sério, Nikolay. Vou chamar a polícia.
— Você lembra meu nome. Isso deve significar alguma coisa.
Inclinei a cabeça, com um sorriso irônico.
— Aquela noite foi nosso primeiro encontro? Nós nos apaixonamos? Ótima história. m*l posso esperar para contar aos nossos filhos como nos conhecemos. — Fiz uma voz zombeteira. — "Veja, querida, o papai seguiu a mamãe depois do trabalho, roubou o telefone dela, então quase a matou, mas decidiu enfiar os dedos nela no meio da rua e fazê-la gozar. Lindo, não acha? Alguém deveria escrever um romance sobre isso."
O rosto de Alina ficou vermelho vivo, e ela bateu as mãos no balcão.
— Chega! — gritou. — Você pode, por favor, ir se ferrar?
Ela conseguiu chamar atenção agora. Suspirei enquanto o colega de trabalho dela se aproximava, me encarando.
— Está tudo bem, Alina? — perguntou a colega.
— Este cavalheiro já estava de saída. — Alina me lançou furioso. — Não é, senhor?
— Claro.
Virei o resto da bebida de uma vez.
— Não quero problemas. Sou do tipo que evita quando coisas ruins acontecem.
— Simplesmente saia daqui — disse o barman, sem paciência.
Ele tinha sorte. Eu tenho regras: nada de excessos, sem corpos desnecessários, sem derramamento de sangue gratuito. Caso contrário, eu teria adorado transformar aquele sorriso inútil e barato em algo grotesco.