Alina
O assassino queria que eu fosse morar com ele.
O que provavelmente não foi a coisa mais insana que aconteceu comigo recentemente, embora estivesse definitivamente entre as três primeiras. Toquei meus lábios na manhã seguinte, pensando nele me beijando, nas mãos dele no meu corpo e na maneira como ele estava certo, tão fodidamente certo, sobre o quão molhada eu estava no segundo em que ele me prendeu contra si.
Eu não sabia o que havia de errado comigo, mas eu o queria mais do que qualquer outra pessoa.
Mas ele sabia sobre Aiden. Eu nunca deveria ter contado a ele. A vida de Aiden estava em jogo, e se Nikolay fizesse algo e******o e colocasse isso em risco, eu não sabia se um dia me perdoaria. Eu já tinha feito muito para garantir que meu irmão não acabasse com uma bala na cabeça, e eu não deixaria um assassino russo imoral arruinar todo o meu trabalho duro.
Embora ele tivesse razão. Se Nikolay fosse tão bem conectado quanto parecia, ele seria um trunfo. O homem seria força bruta, no mínimo.
E eu poderia gostar de estar perto dele.
Porra, sim, eu ia amar estar perto dele, o que provavelmente era uma razão para ficar longe.
Na tarde seguinte, eu me apressei para um pequeno café chamado The Coffee Black, que ficava no oeste da Filadélfia, território da família Petrov. Encontrei Tully sentado lá, tomando café e folheando uma revista local ilustrada. Seu cabelo ruivo-cobre bagunçado brilhava sob a luz do sol. Puxei a cadeira em frente a ele e sentei.
Ele me avistou, franzindo a testa.
— Ei, por que você está aqui?
— Eu estava na vizinhança, pensei em dar uma passada. Você ainda está de vigia para o tio Lorran?
Todos os homens mais velhos da família Petrov eram chamados de “tio”, mesmo quando não eram parentes de sangue. Embora eu tivesse quase certeza de que era parente distante de Lorran de alguma forma. Ele era um tenente de nível médio que comandava as vendas de drogas nas cidades universitárias.
— Na maioria das vezes, mas ele me colocou no serviço de vigia alguns dias também — disse Tully, com orgulho. Isso me deu uma pontada no estômago — o garoto i****a estava feliz em ser usado pela família Petrov como um servo.
A família inteira foi construída explorando crianças irlandesas desgarradas de lares ruins e sem futuro. Tully era um deles, mas havia muitos outros para substituí-lo. Jovens que fariam qualquer coisa por um salário e estavam desesperados pelo prestígio, pela honra e pela popularidade de seus primos e tios mais velhos.
Eu poderia ser parente dele, mas provavelmente não. Isso não importava. Tio Cormac, o chefe da família Petrov, gostava de fingir que todos eram parentes.
— Bom para você, subindo na vida. — Dei a ele um sorriso tenso.
Ele se mexeu desconfortavelmente e largou a revista.
— O que você quer, Alina? Você nunca aparece só para dizer oi. — Ele fez uma careta para mim por trás de seu cabelo rebelde.
— Ah, não ser que seja conveniente pra você.
— Vadim já te disse?
— f**a-se Vadim. Falei com meu pai, e ele me disse para te dizer que, se você não me der essa informação, vai responder a ele.
Eu sinto muito. Tully visivelmente engoliu em seco, como se estivesse assistindo a um desenho animado, e eu não podia culpá-lo. Meu pai tinha uma reputação na família Petrov de ser severo em suas punições e não ter paciência com besteiras. O que eu sabia muito bem.
— Ninguém me disse — ele começou, mas eu o interrompi.
— Eu estou te contando agora, ok? Onde está a carga que está chegando?
Ele olhou em volta, como se alguém pudesse ouvi-lo, mas eu escolhi este lugar por um motivo: nenhum dos outros caras do Petrov vinha aqui. Essa era minha única chance de pegar Tully sozinho.
Sim, era uma bagunça. Eu estava intimidando um jovem garoto por causa das informações que eu precisava, mas a vida de Aiden estava em jogo.
Se Tully soubesse disso, ele me contaria. Eu sabia que ele me contaria.
Todos amavam Aiden, especialmente Tully. Eles tinham a mesma idade, cresceram juntos, andavam juntos o tempo todo, e ele ficou arrasado quando Aiden foi dado como morto.
Supostamente morto, de qualquer forma.
— Tudo bem, mas por favor não me coloque em problemas. — Tully parecia visivelmente desanimado. — Há uma escola do ensino fundamental abandonada em St. Airy. O caminhão vai ser deixado lá.
— Onde, exatamente?
— Você acha que eles me contam isso? É uma escola secundária abandonada, é tudo o que eu sei. Foi tudo o que me disseram, ok? Diga ao seu pai que é tudo o que eu sei. Eu realmente não preciso me meter em problemas por essa merda, Alina.
— Vou dizer a ele que você foi bem. — Dei meu melhor sorriso e me levantei. Ele olhou para mim e pegou sua revista.
— Obrigado, Tully. Sério.
— Se puder, diga ao seu pai que eu mereço uma promoção.
Eu ri, acenei e fui embora, praticamente pulando.
Uma escola do ensino fundamental abandonada em St. Airy. Não era um endereço, mas teria que servir — não poderia haver tantas escolas de ensino fundamental abandonadas em um subúrbio rico. Renzo talvez não gostasse que eu não tivesse mais informações, mas isso teria que ser o suficiente.
Eu sorri para mim mesma, andando com a luz do sol no rosto, indo para casa. Eu peguei o que era necessário. Estava correndo um risco ao usar meu pai para obter informações. Isso não tinha sido sutil, e se eu fosse continuar fazendo essa coisa de espiã, teria que melhorar nisso.
A menos que eu fosse parar. Pensei em Nikolay novamente. Senti as mãos dele no meu braço, os lábios dele nos meus. Afastei a lembrança. Eu não podia ir até ele. Deus, não ainda. O problema era a esperança. Nikolay me dava esperança.
A oferta dele era insana, claro. Eu não podia desaparecer — assim que eu desaparecesse, minha família notaria e viria me procurar. Renzo notaria e, definitivamente, procuraria. Talvez até cumprisse suas ameaças e matasse Aiden como vingança. Os Leones eram ruins a esse ponto.
Então, desaparecer não era uma opção. Mas trabalhar com Nikolay?
Eu toquei meus lábios com as pontas dos dedos pela milésima vez e não percebi o homem vindo em minha direção até que já era tarde demais.
Virei-me um pouco, franzindo a testa. Ele estava muito perto. Usava uma jaqueta jeans preta e tinha o rosto inchado. Então ele balançou um taco de beisebol na minha direção.
Vacilei e levantei os braços. Isso provavelmente salvou minha vida. O taco me acertou no cotovelo e passou raspando pela minha orelha. Eu engasguei de dor e caí no chão. O homem era grande, e com muita barriga, com ombros largos e um queixo grosso. Ele levantou o taco novamente para me acertar, e eu o vi esmagando meu crânio ali mesmo na calçada, me assassinando em plena luz do dia, me espancando até a morte por... por quê? Eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Uma dor perfurante atingiu meu braço quando tentei me defender.
Até que outra pessoa se jogou contra meu agressor.
Houve um grunhido e uma luta. Consegui me sentar e fiquei boquiaberta enquanto Nikolay socava o homem na garganta, uma, duas vezes, e o chutava no peito. Ele arrancou o taco de beisebol das mãos do sujeito e o acertou no crânio.
Foi um golpe decisivo, e o grandalhão soltou um gemido sibilante. Sangue escorria do nariz e dos olhos dele.
Eu me arrastei para trás, tentando fugir. Nikolay se virou para mim, bonito e horrível ao mesmo tempo. Ele sorriu, com a cabeça inclinada, e eu engasguei de dor ao tentar apoiar peso no meu cotovelo.
Nikolay caminhou até mim e se abaixou, oferecendo a mão. Ele sorriu.
— Deveríamos sair daqui antes que a polícia chegue — ele disse suavemente, inclinando a cabeça. — A menos que você sinta vontade de prestar queixa? Embora eu duvide que tenha sobrado muito dele.
— Não — sussurrei e estendi a mão.
Ele me ajudou a levantar. Eu gemi e agarrei meu cotovelo enquanto ele me empurrava pela rua, passando por curiosos, até virar a esquina. Ele foi rápido, me puxando, e eu me esforcei para acompanhá-lo. Meu cotovelo parecia quebrado, e cada passo era uma agonia.
Chegamos ao carro dele, a três quarteirões de distância. Nikolay me ajudou a entrar e depois sentou ao volante. Ele começou a dirigir, aparentemente fazendo voltas aleatórias, mas lentamente se afastando da cena do crime.
Eu olhei para ele por um longo tempo sem falar nada.
— Que diabos foi isso? — perguntei, finalmente.
Ele deu de ombros.
— Os Starkov estão cansados de esperar e enviaram alguém.
Fiquei de boca aberta.
— Você o conhecia?
— Sim, o nome dele era Maxim. Um nome e******o.
— Você o matou.
— Eh, provavelmente não. Mas definitivamente está com dano cerebral. — Ele bufou. — i****a. O que ele estava pensando, usando um taco de beisebol? Talvez ele achasse que seria um ato aleatório de violência. Que i****a.
Eu olhei fixamente para ele, sem saber o que dizer. Ele tinha matado um dos seus — ou causado uma lesão cerebral, ou algo assim — tudo para salvar minha vida.
— Por que você fez isso?
— Fiz o quê?
— Atacou um dos seus próprios homens.
Ele sorriu, como se finalmente entendesse.
— Ah, isso. Não tenho nenhuma lealdade a Maxim. Ele é um i****a.
— Mas ele é da sua família.
— Trabalhamos para o mesmo homem. Isso é bem diferente.
Ele olhou para mim enquanto se acomodava em um canto.
— O Starkov finge que respeita os Petrovs dessa forma, mas ninguém faz essas coisas com alguém da sua "família". Quer dizer, sério, fingir que todo mundo é parente? É honestamente muito estranho, especialmente quando vocês começam a se casar. Que coisa doentia é essa?
Eu ri, incapaz de evitar. A risada borbulhou involuntariamente, e eu empurrei meu cotovelo. Uma nova onda de dor enviou náusea pela minha garganta.
— Eu estava pensando a mesma coisa antes.
Ele diminuiu a velocidade do carro e parou na frente de um hidrante. Não desligou o motor, mas se virou para mim com os olhos duros e sérios.
— Eu quase te perdi de vista.
— Você estava me seguindo por aí?
— É para isso que me pagam. Mas tenho que dizer, se o Pakhan já enviou outro cara, isso significa que ele perdeu a fé em mim para seguir com o plano. Viktor deve ter dito alguma coisa.
— Quem é esse Viktor?
— Ninguém, não se preocupe com isso. — Ele pareceu mastigar algo antes de concordar. — Você não pode ir para casa.
— Que inferno, por quê? — Eu agarrei a maçaneta da porta.
Ele estendeu a mão e pegou um punhado do meu cabelo. Eu engasguei quando ele me puxou de volta para o assento. Meu cotovelo gritou de dor.
— Eu não quero ser rude com você, Alina — ele disse suavemente, e seus lábios roçaram meu pescoço. — Mas você está sendo estúpida, e eu realmente não quero ver você ser morta.
— Tenho que me encontrar com Renzo — eu disse entre dentes, tentando segurar as lágrimas. — Não posso simplesmente desaparecer. Minha família vai se preocupar. Os Leones vão matar meu irmão.
Ele hesitou, observando-me atentamente, como se eu não tivesse pensado nisso. E não tinha.
— Então você não desaparece completamente. Você vem ficar comigo, mas continua indo trabalhar, continua aparecendo para as coisas da família, ou o que quer que você tenha que fazer. Continua indo para suas reuniões com Renzo. Até onde todos sabem, você ainda está fazendo suas próprias coisas. Mas você mora comigo, e eu sigo você.
— Como um guarda-costas? — Eu bufei. Isso era ridículo.
— Sim. Você quer viver? Esta é sua chance de sobreviver e salvar seu maldito irmão. Não vou ficar sentado implorando. Mais cedo ou mais tarde, também vou virar um alvo.
Ele parecia sincero, como se estivesse me implorando, e eu não conseguia encará-lo.
Eu queria salvar Aiden e não queria morrer, mas não sabia se podia confiar nele. Esse plano parecia bom demais para ser verdade — ele fez parecer tão fácil. Havia mil maneiras de dar errado.
Mas seus lábios, sua língua, suas mãos. Deus, seus braços.
E aquele taco de beisebol batendo na cabeça de Maxim. O estalo doentio, o sangue.
— Eu farei isso — sussurrei.
Ele soltou meu cabelo e engatou a marcha do carro.
— Boa escolha — ele disse, e voltou ao tráfego novamente. Era como ser transportada através do rio para o Inferno.
E, por alguma razão, eu senti apenas excitação correndo pelo meu corpo a cada batida forte do meu coração.