Nikolay
Estacionei do lado de fora da minha casa e desliguei o motor.
— Lar doce lar — falo.
Ela mordeu os lábios e olhou fixamente para a simples casa de tijolos em uma rua tranquila.
— Você mora aqui?
— O que você esperava? — Abri a porta e saí.
— Eu não sei. Um lugar sombrio e sanguento. Algo como uma cena de crime e fitas na porta.
— Fita amarela da polícia?
— Sim, um monte delas.
Eu ri e subi minha varanda. A porta era de um preto profundo, e a chave deslizou na fechadura com um clique satisfatório.
— Desculpe desapontá-la, mas sou muito mais chato do que isso. Guardo todos os cadáveres no meu porão.
Abri a porta e entrei no saguão. Ela me seguiu, olhando em volta, e fechou a porta atrás de si.
Eu gostava de manter minha vida simples. Isso ajudava no meu trabalho — ter minha mente tranquila e não sobrecarregada com ansiedade desnecessária me impedia de cometer erros estúpidos que poderiam acabar me matando ou me jogando na cadeia.
Era por isso que minha casa quase não tinha mobília. Minimalismo não era apenas uma ideia fútil de influenciadores do i********:.
O hall de entrada era escuro, com apenas um único armário, uma pequena mesa para chaves e minha carteira, e um cabide para pendurar coisas, que estava vazio no momento. Escadas levavam aos quartos, e o corredor terminava em frente à cozinha.
A sala de estar ficava à esquerda: nada mais que um sofá de couro grande e confortável, um tapete simples sobre o piso de madeira marrom claro e uma televisão pendurada na parede. Não havia muitas decorações, mas o que eu tinha era real — pinturas a óleo de artistas locais, fotografias emolduradas e assinadas, esse tipo de coisa.
Eu não era um cara artístico ou algo assim, mas havia algo em ter a coisa real, um objeto que foi tocado pela mão de outro ser humano vivo.
— Ok, estou impressionada. — Ela pairou atrás do sofá e correu os dedos pelo couro desgastado. — Tem certeza de que é um assassino de aluguel mafioso?
— Eu não sabia que todos os assassinos deveriam viver como animais.
Ela acenou com a mão.
— Vamos lá, eu conheço caras da máfia. Meu mundo inteiro é cheio de gangsters, e eu sei como eles são. Nenhum dos homens da minha família vive assim.
Sorri e a levei para a cozinha. Aço inoxidável brilhante, bancadas de granito imaculadas, tudo perfeito e limpo. Eu m*l usava o material.
Mas ela estava certa. A maioria dos caras da família Starkov era praticamente composta de bandidos, e isso se refletia em suas casas. Havia alguns homens decentes na família, mas eram poucos e distantes entre si. A grande maioria era como garotos de fraternidade.
Eu operava em um nível completamente diferente deles. Enquanto o típico soldado de nível médio passava os dias vendendo drogas e se metendo em brigas de rua ocasionais, eu vagava pelas ruas como uma pantera.
Eu matava para viver. Eu era um caçador.
O que significava que eu não tinha tempo para distrações sem sentido. Eu era um homem adulto, não uma criança presa no corpo de um adulto.
— Quer uma bebida? — Abri um armário acima da geladeira, peguei uma garrafa de uísque e servi nos copos sem esperar uma resposta.
Entreguei um copo a ela.
Ela considerou.
— Estou tentando decifrar se você está tentando me embebedar para tirar vantagem de mim.
Sorri levemente, inclinando a cabeça.
— Não acho que preciso te embebedar para isso.
— Você ficaria surpreso.
Um sorriso astuto surgiu no rosto dela. Se eu não estivesse sóbrio, acharia que ela estava flertando comigo.
— Vamos viver juntos por um tempo, então, se você não consegue lidar com isso, me diga agora.
— Eu posso lidar com isso. Confie em mim, acho que você é quem vai bater na minha porta no meio da noite.
— Para quê? Um bate-papo amigável?
— Claro, algo assim. — Ela entornou a bebida, e suas bochechas ficaram vermelhas. — Deus, eu odeio uísque.
Eu ri e tomei um pequeno gole. Mas ela estava certa. Eu já estava pensando em encontrá-la no corredor enquanto ia para o chuveiro, vestindo apenas uma toalha.
Aposto que ela gostaria.
Pelo menos, com base no jeito que ela beijava e estava molhada entre suas pernas.
— Vamos, deixe-me mostrar seu quarto.
Ela me seguiu escada acima. Eu estava no quarto principal, primeira porta à direita, e ela estava no quarto de hóspedes, segunda porta à direita. O banheiro ficava no final do corredor.
— Cama grande, toalhas limpas, e tudo o que você precisar está no armário.
Ela franziu os lábios, olhando para a cama queen-size simples e as mesinhas de cabeceira.
— Você recebe muitos convidados?
— Não.
— Então por que a cama está arrumada?
— Eu gosto de estar preparado. — Hesitei por um segundo. — E não tenho recebido ninguém por meses, honestamente falando.
Ela riu e entrou no quarto. Era de um tamanho decente, embora simples.
— Nada m*l.
Eu me inclinei contra o batente da porta enquanto ela se sentava na cama e dava pequenos pulos.
— A cama não é tão r**m. Confortável o suficiente.
— Está tudo bem. — Ela hesitou, olhando para os pés. — Obrigada por não me matar.
Fiquei surpreso. Eu não pensei que ela reconheceria isso.
— De nada.
— E por me trazer aqui. E por se oferecer para ajudar com Aiden. Eu sei que você não precisava fazer nada disso e ainda não tenho certeza do porquê está fazendo, mas obrigada, de qualquer forma.
— Estou fazendo isso por você.
Não senti necessidade de explicar demais ou fingir que tinha algum motivo oculto. Tudo isso era por ela.
Suas bochechas ficaram ainda mais vermelhas.
— Eu não entendo o porquê.
— Naquela primeira noite. Você me beijou, você me deixou te fazer gozar, e tudo isso foi muito real. Eu não sinto esse tipo de conexão muitas vezes, e agora que sinto, não vou jogar isso fora.
Os olhos dela eram como fogo, e eu queria atravessar o quarto, prendê-la contra a cama e tomá-la. Eu queria lamber suas coxas e deslizar minha língua entre suas pernas até que suas costas arqueassem, o suor escorresse por sua pele, e ela gritasse meu nome.
Em vez disso, me contive. Isso era muito para ela, era óbvio, e se eu fosse longe demais, eu não sabia se ela tentaria fugir. Eu não queria correr esse risco.
— Nós somos estranhos. Quer dizer, você não me conhece. E você é um assassino. Eu não… Eu não sei o que sinto.
— Você não precisa sentir nada. Tudo o que sei é que, quando toquei entre suas pernas, você já estava molhadinha. Não foi um acidente. Você queria que eu te tocasse, e você ainda quer. Isso é o bastante para mim.
Ouvi um som vindo lá embaixo. Era sutil, apenas uma porta abrindo e fechando suavemente, mas o suficiente para me alertar. Alina, no entanto, não parecia ter percebido.
— Foi só um acidente i****a — ela sussurrou.
— Acidente ou não, é por isso que estou aqui.
Outro som. Passos no corredor.
— Por que você não fica aqui em cima um pouco e se familiariza? Tenho que cuidar de uma coisa lá embaixo.
Ela franziu a testa.
— Eu não quero mais ficar aqui.
— Fique aqui. Fique à vontade.
Não era um pedido. Era uma ordem.
Ela pareceu entender e tocou novamente cotovelo, mas fez uma careta enquanto esfregava o enorme hematoma.
— Tá bom, tudo bem.
— Já volto. — Fechei a porta atrás de mim e desci os degraus, minha mão já posicionada na arma escondida na parte inferior das costas. Eu teria que estar pronto para matar quem quer que fosse.